Brasília-DF,
17/NOV/2018

Steven Spielberg brilha em 'Jogador nº 1'; leia crítica

O filme flerta com o fantástico e com o sentimental ao mesmo tempo

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Ricardo Daehn Publicação:30/03/2018 06:00Atualização:29/03/2018 16:14

Apostando na realidade virtual, Spielberg ambienta longa-metragem em 2045 (Warner Bros./Divulgação)
Apostando na realidade virtual, Spielberg ambienta longa-metragem em 2045

Jogador nº 1, o mais novo filme de Steven Spielberg, tem lá um princípio com a cara do clássico A fantástica fábrica de chocolate: com a morte de um magnata, ações de meio trilhão de dólares e demais heranças suntuosas podem parar nas mãos de quem vier a desvendar os segredos que levem a três chaves capazes de abrir um portal de fantasias cibernéticas.

 

O ano retratado é o de 2045 e, em meio à onipresente realidade virtual, o visionário James Halliday (Mark Rylance) — que guarda um quê de Steve Jobs — pretende, antes da morte, retroalimentar a cadeia de seus inventos. Ele é ninguém menos do que o criador do espaço virtual batizado de Oasis.

 

Numa fita recheada de cultura pop, Spielberg manobra aquilo que sabe: trata do sentimento aventuresco atrelado à juventude. O protagonista Wade Watts (Tye Sheridan) experimenta uma intensa era de escapismo. Todos ao seu redor (ele, inclusive) vivem melhor como avatares — tal como ratos de laboratório, desapegados da vida real.

 

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Na disputa pela herança de Halliday, poucos terão chances, jogando o jogo de uma vida. Wade, que, no plano virtual, assume a identidade de Parzival, ganha companheiros como Art3mis, Aech, Sho e Daito. Todos são jovens aficionados pela interatividade do plano virtual.

 

O roteiro, de Zak Penn (Os Vingadores), ao lado de Ernest Cline (autor do livro em que Spielberg se baseou), explica bem motivações e complicações da trama, em muito ambientada numa espécie de favela de palafita. Ainda que, em parte, remeta a Arthur e os Minimoys (de Luc Besson) e A origem dos guardiões (do produtor Guillermo del Toro), Jogador nº 1 conta com arrojado impacto visual. O grande erro do diretor foi confiar demasiadamente nos montadores da aventura (Sarah Broshar e Michael Kahn), incapazes de apresentar concisão.

 

 

 

Retrocessos no tempo, monitoramento surreal, drones e idas e vindas nos mundos real e virtual calibram o interesse no filme de Spielberg. Mas, um dos maiores acertos dele, para além da originalidade, vem da capacidade de reciclar.

 

O criador de A.I.: Inteligência artificial e Contatos imediatos de terceiro grau exibe enorme artimanha, ao saudar referências para qualquer nerd que se preze. Adventure (o precursor jogo Atari), filmes como O iluminado, 1984 e Bill e Ted (além da filmografia de John Hughes) e personagens de Superman, Batman e King Kong fazem a festa, em citações, para toda a sorte de cinéfilos dos anos de 1980.

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