Brasília-DF,
17/NOV/2018

'Quase memória', novo longa do diretor veterano Ruy Guerra

Aos 86 anos de idade, diretor Ruy Guerra volta às telas, com longa irregular que conta com boa atuação de Tony Ramos

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Ricardo Daehn Publicação:20/04/2018 06:00Atualização:19/04/2018 18:23

João Miguel em atuação esforçada para novo filme de Ruy Guerra. (Reprodução/Internet)
João Miguel em atuação esforçada para novo filme de Ruy Guerra.

 

Em muitos pontos do mais recente trabalho para cinema — o longa Quase memória —, o cineasta Ruy Guerra ressalta o papel do narrador no encantamento criado com qualquer história. Diversificado na produção, Guerra sempre foi dos mais sólidos criadores de cinema do Brasil, assinando qualificada obra que inclui filmes fortes e com traços experimentais (casos de Estorvo e O veneno da madrugada), ao lado de títulos clássicos como Kuarup e Os cafajestes, além de apostar na carga lúdica (vista em Ópera do Malandro e Erêndira).

 

Disposto, com mais de 86 anos, em Quase memória o diretor não deixa de apresentar certo desgaste. Monótono, na apresentação — quando explica o porquê do encontro de dois homens chamados de Carlos (um ótimo Tony Ramos, ladeado pelo sofrível desempenho de Charles Fricks) —, Ruy Guerra adota uma densidade teatral que em muito se assemelha à do drama Tempos de paz (Daniel Filho).

 

 

 

Baseado num dos livros de Carlos Heitor Cony, o filme avança sobre temas como esquecimento, afetividade, anedotário e, claro, lembranças. O encontro de Carlos consigo mesmo (em versão envelhecida) nutre o centro de todo o enredo. No lugar habitual do amor maternal que comumente move tramas nostálgicas de família, em Quase memória, a mãe Maria (Mariana Ximenes) é minimizada. Todo o jogo de cumplicidade, e a aura de comicidade, brota de Carlos com o pai, Ernesto (João Miguel, num esforço louvável).

 

Em conflito, Carlos demora a engatilhar o processo memorialista que colocará Ernesto, um jornalista gaiato, em primeiro plano. Ernesto viveu de modo intenso, e com entusiasmo, acumulou enormes amores (entre os quais a ópera e as letras), além de divertidas derrotas (viagens frustradas e falta de condições financeiras).

 

Alternando as dores de Carlos (em que Tony Ramos tem um monólogo no qual dá show) e a inexpressividade de Carlos (Fricks), com a disposição de Ernesto, Ruy Guerra abre frente para a irregularidade do filme, para o abrigo de poderosas metáforas e para um bom papel para o coadjuvante Antonio Pedro, na pele de um amigo de Ernesto (o Capitão Giordano, um militar falastrão).

 

Confira as sessões para o filme aqui. 

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