Brasília-DF,
17/NOV/2018

Coeso, 'Praça Paris' aborda vingança e violência carioca sob ótica feminina

O longa coproduzido por Portugal, Argentina, Brasil estreia nesta semana. Veja a crítica!

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Ricardo Daehn Publicação:27/04/2018 06:00Atualização:26/04/2018 18:47
Cada uma com sua dor, Camila e Glória se encontram em 'Praça Paris' (Reprodução/Internet)
Cada uma com sua dor, Camila e Glória se encontram em 'Praça Paris'

 
Sempre atenta a temas relevantes, a diretora Lucia Murat retoma elementos anteriormente vistos por homens do cinema brasileiro: os diretores Marcelo Gomes (de Era uma vez eu, Verônica) e Paulo Morelli (na facção Cidade dos homens). Longe do perfeito encaixe com o crossover dos temas daqueles filmes — a autorreflexão de uma terapeuta e a desigualdade social —, Praça Paris demonstra pretensões sociais, resultado de tensões.
 
Camila (Joana de Verona), uma estudante de psicanálise, pretende alcançar o mundo de Glória (Grace Passô), uma ascensorista, moradora de comunidade carioca, e dona de rotina pessoal de altos e baixos. “Minha vida tem coisa muito pior do que elevador parado”, chega a ressaltar Glória, num dado momento do filme.
 
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Multifacetada e sem valores muito hierarquizados, a persona da batalhadora Glória atravessa uma realidade de violência incontida. Por pouco, ela não se torna uma serial killer. Carência, busca de proteção, abuso sistemático e renegação de muitas verdades pessoais pavimentam a trajetória da paciente que, aos olhos da psicanalista Camila, bem poderia passar a ser vista como “bicho de zoológico” (como ela avalia).
 
Glória e Camila têm penas diferenciadas pela vida: a primeira viu o irmão Jonas (Alex Brasil) ser preso, como traficante, enquanto a moça mais abonada sofre com a herança de um suicídio na família. “Rica e bonitinha” (na irônica tarja dada por Glória), Camila sente-se acuada, na imersiva dinâmica mantida com a paciente (“Você não pode se misturar com a minha vida”, chega a registrar).
 
Com colaboração do jovem Raphael Montes no roteiro, Lucia Murat amarra bem o filme que trata de vingança, do suposto apoio na religião e da crônica e calamitosa realidade no Rio de Janeiro. Sensualidade (sob inesperada ótica feminina), uso condenável da internet e tortura entram no pacote de abordagens do filme.
 

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