Brasília-DF,
23/OUT/2018

Crítica: 'Uma casa à beira-mar' é poesia visual

O francês Robert Guédiguian explora as várias faces do luto

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Ricardo Daehn Publicação:13/07/2018 06:00Atualização:12/07/2018 17:20

Elementos tão díspares como morte e crise de refugiados são discutos em Uma casa à beira-mar (Agat Filme & Cie/Divulgação)
Elementos tão díspares como morte e crise de refugiados são discutos em Uma casa à beira-mar

 

Quem fomos e em que nos transformamos? Com essa dúvida — assinalada de modo sutil no enredo do mais recente filme do francês Robert Guédiguian — Uma casa à beira-mar desfila a alta poesia narrativa do cinema. Guédiguian, mais uma vez, crava na tela sua trupe de sempre: Ariane Ascaride (mulher dele na vida real) interpreta uma atriz e se junta a Jean-Pierre Darroussin e ainda a Gérard Meylan e Anaïs Demoustier. 

 

Mortes se alastram na tela, mas a que mais pesa é justamente abstrata e ligada a ideologias e utopias. Em muito, o discurso do filme faz ponte com o de As invasões bárbaras (2003), do canadense Denys Arcand. 

 

Os burgueses alinhados no filme, circundados por ambiente de beleza arrebatadora; mas tensos pela possível morte do patriarca (o veterano Fred Ulysse) botam à prova seus princípios de felicidade. Perpetuar o restaurante do pai, em um local paradisíaco, poderia ser uma saída para todos.

 

Eternamente comprometido com componente social, Robert Guédiguian, pouco a pouco, consegue introduzir com naturalidade a temática da crise dos refugiados na Europa. 

 

Cada um com suas dores, os personagens fervilharão, entre choques: Angèle (Ascaride) revê um luto anterior; enquanto Joseph (Darroussin) recorre a lampejos corrosivos para bem conviver com os parentes e Armand (Meylan) quer perpetuar hábitos e desejos paternos. 

 

Com personagens por vezes transgressores, cientes da chegada da velhice e apegados ao que um deles designa “amor imemorial”, o filme engrena, citando Bob Dylan (na trilha) e a arte de Bertolt Brecht (Angèle teria encenado, na carreira, a peça A alma boa de Setsuan — sobre egoísmo e maldade). Além das boas referências, o filme adota desfecho comovente. 

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