Brasília-DF,
14/NOV/2018

Reverência a um mestre: confira a crítica do filme 'Bergman - 100 anos'

Documentário aborda a vida pessoal e profissional de um dos maiores diretores do cinema mundial

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Ricardo Daehn Publicação:20/07/2018 06:00

Um dos pontos altos de 'Bergman - 100 anos' é que ele não se atém somente aos elogios  (Imovision/Divulgação)
Um dos pontos altos de 'Bergman - 100 anos' é que ele não se atém somente aos elogios

 

Já em meados do século passado, Ingmar Bergman — tema do documentário Bergman - 100 anos —  projetava o quão arrojado podia ser: dirigia peças com cinco horas de duração e, simultaneamente, criava uma rede de obras-primas inigualáveis.

 

Até mesmo, na comunicação com os atores era avançado. Em vez de palavras, o diretor de filmes como O ovo da serpente e Face a face usava um "gesto emocional" sintético, pelo que descreve Lena Endré, atriz de filmes roteirizados por Bergman (entre os quais Infiel e Crianças de domingo), Lena é das várias personalidades convocadas pela documentarista Jane Magnusson (narradora do longa) para sublimar todas as honrarias já rendidas ao diretor sueco, morto há uma década.

 

 

 

Intuição, domínio do espaço e acuidade na visão de infinitos planos de cinema fizeram de Bergman o único vencedor, há 20 anos, da Palma das Palmas, entregue para a filha dele, em Cannes, mesmo local do festival em que concorreu oito vezes. Vinte e uma categorias sinalizaram as indicações dos filmes de Bergman ao Oscar, sem que ele (como artista) se visse sagrado vencedor de prêmios de direção ou de roteiro. Vitorioso no Oscar especial intitulado Irving Thalberg, Bergman ao menos levou o Urso de Ouro em Berlim, por Morangos silvestres (1957).

 

Avesso ao uso de drogas, dependente de iogurte sueco e de bolacha Maria e leitor costumeiro de jornais, comprados nas viagens de balsa para o continente (vale a lembrança de que Bergman vivia na ilha de Farö), o diretor tem muitos dos defeitos no trato pessoal apontados por Jane Magnusson, e esse é um dado que engrandece Bergman - 100 anos.

 

Paquerador, abusivo, atuante até no estímulo à depressão do ator Gunnar Björnstrand (de Luz de inverno), Bergman, por sorte, não levita como santidade no filme documental. Contestado (com moderação), entretanto, paira como uma figura magnânima para os espectadores fiéis. Até chegar à assumida versão "tímida e quieta", o diretor com fama de guru — mesmo que negligente, nos esforços das criações dos seis filhos — tem parte da obra virada do avesso em Bergman - 100 anos.

 

Confira sessões para o documentário aqui.

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