Brasília-DF,
17/OUT/2018

Confira a crítica do filme 'O animal cordial'

'O animal cordial' mescla cenas de humor com sequências violentas em trama recheada de personagens radicais

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Ricardo Daehn Publicação:10/08/2018 06:00Atualização:09/08/2018 18:02
Murilo Benício foi premiado no festival do Rio pela atuação em 'O animal cordial' (California Filmes/Divulgação)
Murilo Benício foi premiado no festival do Rio pela atuação em 'O animal cordial'


Conhecida dos espectadores brasilienses pelas repetidas participações no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, mas sempre com curtas-metragens, a diretora Gabriela Amaral Almeida chega, agora, aos longas, com o violento e premiado O animal cordial. Com humor raro, apinhado de violência e gestos de rivalidade, o filme tem elenco encabeçado por Murilo Benício (melhor ator no Festival do Rio), Luciana Paes (sempre presente nas fitas de Gabriela) e Irandhir Santos.
 
A ação de O animal cordial se passa num salão de restaurante pouco frequentado de São Paulo assaltado logo no início do filme. Mais do que um assalto, a investida criminosa faz do estabelecimento palco para vinganças insuspeitas e agressões que reproduzem muito da intolerância contemporânea.
 
Tudo começa quando o gerente Inácio (Murilo Benício), no meio do assalto, discute com o chef Djair (Irandhir Santos), transexual que ele, por ser preconceituoso, não atura. Violentos, os bandidos  Magno (Humberto Carrão) e Nuno (Ariclenes Barroso) mostram de cara que não estão nada constrangidos em, se preciso for, machucar Amadeu (Ernani Moraes), Bruno (Jiddu Pinheiro) e Verônica (Camila Morgado), clientes que estão no restaurante no fatídico momento.
 
Munidos de muito humor (ácido, por vezes), Inácio e a garçonete Sara (Luciana Pires) tentam contornar a situação e evitar que se torne uma tragédia maior.
 

Duas perguntas – Gabriela Amaral Almeida

Como vê o timing da chegada do filme às telonas, com figuras tão radicais, às vésperas das 
eleições? 
 
É dessas coincidências que, acredito, só vou conseguir entender com algum distanciamento. Quando escrevi o argumento (em parceria com Luana Demange), jamais me passou pela cabeça que estaríamos onde estamos hoje. O filme pode funcionar, sim, como uma fagulha no barril de pólvora em que se transformou a nossa sociedade.

Você considera seu filme massacrantemente violento? É possível rir do desespero?
 
A violência em O animal cordial é bem mais funda que a violência gráfica convencionada pelo gênero. Acredito que as tensões humanas que movem as engrenagens do filme e que promovem embates morais sem saída fácil sejam bem mais violentas do que o corte de uma faca, o esguicho de sangue de uma artéria, um tiro. A violência gráfica é só a primeira camada. Quanto a ser possível rir do desespero, acho que é precisamente o humor que nos torna aptos a enfrentar o trágico que é estar vivo. Sim, é possível rir: sorte a nossa.

 

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