Brasília-DF,
19/NOV/2018

'Meu tio e o Joelho de Porco' faz um retrato do rock nacional; leia a crítica

O trabalho é produção do cineasta Rafael Terpins

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Adriana Izel Publicação:31/08/2018 06:00Atualização:30/08/2018 18:30
A figura controversa de Tico Terpins é o mote do documentário (Elo Company/Divulgação)
A figura controversa de Tico Terpins é o mote do documentário
 
O documentário nacional Meu tio e o Joelho de Porco, do cineasta Rafael Terpins, se aproveita das lembranças do diretor ao lado do tio Tico Terpins, integrante da clássica banda de rock dos anos 1970 Joelho de Porco, para contar a história do artista e também do cenário roqueiro da época.
 
Por meio da ligação de Rafael com o músico, que se tornou uma figura paterna para ele quando o pai morreu, a produção vai destrinchando a história de Tico, personagem pra lá de controverso na história do rock nacional.
 
Além de ter o depoimento do próprio cineasta, o filme conta com a presença de pessoas ligadas ao artista revelando histórias e mostrando a genialidade por trás da banda, que ficou marcada por trazer um discurso cômico com uma sonoridade do punk.
 
 
A briga entre Tico e Bond foi abordada na produção, apesar do antigo companheiro de grupo ter se recusado a participar. Outro aspecto interessante é que o filme se utiliza do repertório do Joelho de Porco para mostrar como as músicas se relacionavam com a história de Tico.
 
Rafael, por exemplo, cita que “meu pai sempre dizia quero ver você doutor…” ilustrava a saída de Próspero Albanese (bateria e vocais) da banda para estudar direito. Enquanto “cruzei meus braços, fui um palhaço”, serviu para falar da pausa que Tico fez com a banda para se dedicar à publicidade.

Duas perguntas // Rafael Terpins

Você acha que conseguiu chegar ao que desejava contar da história de Tico Terpins?

No início a ideia era repetir a experiência do Guerra dos gibis, misturando animação com documentário. Me lembrei daquele clássico diabinho e anjinho animado na orelha tentando levar o personagem a tomar atitudes diferentes. A lembrança do Tico podia ser muito bem traduzida nesta imagem. Assisti ao clássico Meu amigo Harvey (1950), que acabei citando no filme em uma cena em que a porta se abre e fecha sozinha. Ao analisar as letras do meu disco preferido do Joelho de Porco: São Paulo, 1554. Hoje, vi que seria possível organizar as músicas para que elas contassem a história. No final do processo, já com depoimentos e cenas ficcionais gravadas, ainda não estava feliz com a minha inserção no filme. A influência do Tico foi grande na minha formação artística, ao mesmo tempo em que trouxe uma nova possibilidade narrativa para o filme.

Quais foram os desafios e as partes mais legais da produção do documentário?

Queria expressar a figura controversa que era o Tico traduzindo nossos encontros semanais, onde ele me aconselhava ao mesmo tempo em que me entretia com seus absurdos. Sem dúvida o maior desafio do filme foi me colocar na frente das câmeras. Não sou ator, mas fui com aquele espírito Nanni Moretti de que não precisaria de uma atuação exemplar, mas só dar uma cara para minha voz. Tive também que contornar a ausência do Billy Bond, que se recusou a participar do documentário e dar um contraponto à versão do Tico, também se fez necessário assumir esta ausência e usá-la como exemplo maior da divergência dos dois. A parte mais legal do documentário foi compilar histórias e tentar decifrar mais esta figura tão marcante na minha vida que foi meu tio Tico. Praticamente um exorcismo interno.
 
 
 

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