Brasília-DF,
14/NOV/2018

Filme de hoje no Festival de Brasília lança leveza a temas árduos, como racismo

A noite será marcada pelos longas 'Temporada' e 'Eu, minha mãe e Wallace'

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Ricardo Daehn Publicação:21/09/2018 06:01Atualização:20/09/2018 17:39
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"Os filmes que dirijo sempre têm um pouco de humor, mesmo quando trato de temas pesados. No longa Temporada, sigo nessa linha”, observa o diretor mineiro André Novais de Oliveira sobre o longa programado para esta sexta-feira (21) no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Apresentada apenas no Festival de Locarno (Suíça), a fita teve recepção muito boa, na avaliação do diretor.
 
“Há elementos universais que são muito comuns em relacionamentos humanos”, justifica. Na tela, André quer se ater ao cotidiano, com interesse pela periferia e investe numa forma narrativa criada para manter o contato com o público. Desqualificar preconceitos racistas também toma tempo e esforço dele.
 
“Trabalhar com atores negros é uma afirmação e algo que acontece de forma natural. Colocamos na tela atores e atrizes que são nossas apostas. Admiramos, por exemplo, o trabalho no teatro da protagonista do filme, Grace Passô (vista em Praça Paris). Foi um sonho estar com ela no filme. Além do olhar da atriz, Grace, como dramaturga, trouxe esse olhar, com sugestões bem interessantes”, comenta o diretor, conhecido do público de Brasília por filmes como Quintal e Ela volta na quinta.
 
Presente em quase todas as cenas, Grace Passô atua com atores de teatro e elenco não profissional, que inclui um amigo do diretor, Russo APR. Juliana, a personagem central, deixa Itaúna às pressas para um combate a endemias como dengue, zika e chikungunya em Contagem (região metropolitana de Belo Horizonte). Tudo isso, às vias de o marido se mudar para o local. “O filme tem personagens diferentes que sempre trazem algo novo. Eles refletem a geografia do local. Acredito que a protagonista tenha um olhar muito atento para as coisas. Ela enfrenta isso de viver num lugar diferente, com outro emprego, sem titubear”, explica André.
 
Junto com novos sentimentos, Juliana encampa a missão com outros funcionários de saúde, passar nas casas para orientar e educar sobre tratamentos. “Ele acaba conhecendo o bairro por dentro, com o colega de trabalho Russão. Ensina e aprende coisas por meio da amizade”, diz Novais. 

O curta da noite
Eu, minha mãe e Wallace

De Eduardo Carvalho e Marcos Carvalho. Com Fabrício Boliveira (de Faroeste caboclo) no elenco, em pouco mais de 20 minutos, o enredo do curta carioca traz o destrinchar de uma composição fotográfica que junta uma criança, um pai ausente e uma mãe solteira.

Serviço

Mostra competitiva

Cine Brasília (EQS 106/107). Sexta-feira, às 21h, curta Eu, minha mãe e Wallace (ficção, 23min, RJ) e o longa Temporada (ficção, 113min, MG, 12 anos), de André Novais Oliveira. Ingressos, R$ 6.

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