Brasília-DF,
25/JUN/2019

'O Grande Circo Místico', de Cacá Diegues é popular, simples e acessível, confira crítica

O longa-metragem de Cacá Diegues se esbalda na saudável revisão de um passado colorido, com um quê agridoce

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Ricardo Daehn Publicação:16/11/2018 06:00Atualização:16/11/2018 09:41

Cena do filme 'O Grande Circo Místico' de Cacá Diegues com Bruna Linzmeyer ( H2O Films/Divulgação)
Cena do filme 'O Grande Circo Místico' de Cacá Diegues com Bruna Linzmeyer

 

“Nunca mais romance, nunca mais cinema”, ainda que a estrofe esteja entre as composições de Edu Lobo e Chico Buarque para O Grande Circo Místico esqueça o contorno fatalista da letra de A história de Lily Braun. A entonação dada ao enredo do longa de Cacá Diegues, que pode vir a concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro, é fluida e, muitas vezes, acopla luminosidade e uma carga poética indissociável à nostalgia.

 

Com roteiro enxuto, extraído dos escritos de Jorge de Lima, Cacá cumpre a missão de representar 100 anos de uma família entregue aos gozos e dissabores projetados no peculiar tipo de rotina, em meio à trupe que pouco sabe (ou planeja) do futuro.

 

Com imagens arrebatadoras de Gustavo Hadba e uma montagem criativa, o filme se aproxima muito do universo lírico trazido por Arnaldo Jabor (outro maduro cineasta), em A suprema felicidade, com muito fatia de trama reservada aos prazeres da carne.

 

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O aristocrata Fred Kieps é quem dá a partida à ramificada trama que tem na figura do cicerone Celaví (Jesuíta Barbosa, brilhante) um elemento em comum. Rafael Lozano dá vida ao apaixonado Fred, encantado pela presença de Beatriz (Bruna Linzmeyer) no picadeiro. Ciente do potencial de alguns números musicais encenados (especialmente O circo místico, na voz irretocável de Zizi Possi), Cacá tem a esperteza de respeitar a íntegra de peças musicais.

 

No caleidoscópio apresentado, pesam (sem tantas cores) os personagens Oto (Juliano Cazarré) e Lily (Luiza Mariani), enquanto Margarete (Mariana Ximenes, num belo registro emotivo) e Charlote (Marina Provenzzano) acentuam satisfações e renúncias ligadas à maternidade.

 

Nada, entretanto, escorrega para o melodrama. Popular, simples e acessível — o longa-metragem de Cacá Diegues se esbalda na saudável revisão de um passado colorido, com que agridoce, lado a lado com títulos nacionais como Copacabana e Chega de saudade.  

 

 


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