Brasília-DF,
23/JUL/2019

Crítica: Glenn Close domina as atenções em 'A esposa'

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Ricardo Daehn Publicação:11/01/2019 06:02Atualização:10/01/2019 18:14

Cotada ao Oscar, Glenn Close levou o Globo de Ouro de melhor atriz dramática (Reprodução/Internet)
Cotada ao Oscar, Glenn Close levou o Globo de Ouro de melhor atriz dramática

 

Em A esposa, nozes trazem a metáfora para um jogo desconfortável, em que traições e falta de consideração com a mulher soam como um vício para o marido retratado. O assunto explorado é denso e toca o âmago de questão palpitante na atual sociedade: resplandece enorme teor feminista, genuíno, sem carregar efeito vazio de bandeira de choque.

 

Numa cena, a protagonista Joan (Glenn Close, numa maturidade inigualável) é sondada, a fim de ter detectado um possível fundo de amargura na vida. Mas, a bem da verdade, ela revida, demonstrando o prazer da intimidade mantida junto ao marido, um escritor respeitadíssimo no meio acadêmico. Fenomenal, em cada cena do longa, Glenn Close ganhou com justiça o prêmio de melhor atriz dramática no Globo de Ouro.

 

Na trama, Joe Castleman (Jonathan Price) está na fila por receber o Nobel de literatura e carrega consigo uma irritante carga de arrogância e egoísmo, sendo por demais autocentrado. Daí, a ideia de que Joan pudesse estar num pódio destinado à solidão e ressentimento. Esta é a versão antevista pelo jornalista Nathaniel Bone (Christian Slater), perseguidor inveterado de Joe. Bone está obcecado pela ideia de escrever uma biografia do autor, tendo por interesse maior caçar máculas no passado do homem intensamente celebrado. Ousado, Bone investe, sob medida, nas brechas em que nota fragilidades de Joan.

 

Confira as sessões. 

 

O palco e o circo armado para a entrega do Nobel são fundamentais para toda a trama de A esposa. É sintomático, por exemplo, que, entre todos os mimos reservados ao escritor, por parte de uma legião de suecos muito acolhedores, haja espaço na agenda da esposa dele, para que ela invista em “compras e tratamentos de beleza”.

 

Desfocada e ignorada por personagens, em sistemáticos momentos, Joan guarda um enorme segredo. Tudo que sofre, de certo modo, se projeta na insegurança do filho David (Max Irons), um integrante a mais na comitiva do esnobe Joe Castleman, que almeja excelência para a “sua noite”.

 

Desinteressada em figurar no discurso do marido, a musa de Joe carrega um impulso incontrolável de justiça que pode colocar em xeque a respeitabilidade do marido. Como ela mesma enfatiza: no mundo, sabe mesmo, é “fazer reis”. Cabe ao espectador decifrar seu enigma.

 

 

 

 

 

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