Brasília-DF,
13/NOV/2019

Indicado a três Oscar, 'Se a Rua Beale falasse' estreia essa semana

Filme aborda racismos e tem trilha sonora inspirada em força de personagem

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Ricardo Daehn Publicação:08/02/2019 06:01Atualização:07/02/2019 12:41

'Se a rua Beale falasse' destila críticas à sociedade racista dos EUA
 (Reprodução/Internet)
'Se a rua Beale falasse' destila críticas à sociedade racista dos EUA

“Levante a cabeça, irmã”, ouve, num momento crucial da trama de Se a rua Beale falasse, a protagonista do drama assinado pelo engajado diretor Barry Jenkins. Tish (KiKi Lane, irregular em cena) é jovem, repleta de sonhos e aturdida por uma injustiça: grávida, ela carrega o filho de Alonzo Fonny (Stephan James, de Selma) que, aparentemente, se encontra na prisão somente por ser negro.

 

Com forte presença do Harlem — local de  grande importância na carreira de expoentes como Louis Armstrong — no roteiro adaptado da obra de James Baldwin, é natural que o filme seja dotado de uma trilha sonora arrebatadora assinada por Nicholas Britell. Com uma vitrola em close, em muitas sequências, o diretor capitaliza, via música, sensualidade, fraternidade e domina uma alternância temporal numa montagem impressionante.

 

Dez anos depois da estreia, com o longa Remédio para melancolia, o mesmo diretor de Moonlight segue atento a apresentar o processo de gentrificação (com mudanças de ambientes de uma cidade condicionados a condições financeiras). Com exposição de tensão racial, há certa apelação dramática e deslizes menores se materializam em cenas importantes, como a da reação da personagem fanática por religião (Aunjanue Ellis, interpretando com exagero). O arremate das críticas à elite supremacista é objetivo, numa fala de Fonny — “Este país não gosta de negros”.

 

Confira as sessões de Se a Rua Beale falasse! 

 

Dono da modesta bilheteria de US$ 13 milhões, o longa recorre a efeitos de acabamento visual que reforçam a tendência maneirista de Barry Jenkins. Além da beleza artesanal, Jenkins dá mais corpo ao discurso — que conversa com fitas dos anos 1970 de Gilbert Cates e Mark Rydell — acoplando à narrativa fotografias de época que potencializam o discurso interno de Tish.

 

Mas quem rouba boa parte do filme é a atriz Regina King (da série Watchmen), premiada com o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante e ainda considerada a melhor presença de apoio em mais de 15 importantes círculos de críticos norte-americanos. No papel de Sharon, mãe de Tish, ela é um porto seguro de confiança no amor e intermedeia as pazes entre a filha e um mundo nem sempre amante da justiça.

 

Indicações ao Oscar:

 

Melhor atriz coadjuvante (Regina King)

 

Melhor roteiro adaptado

 

Melhor trilha sonora original

 

Assista ao trailer de Se a Rua Beale falasse

 

 

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