Brasília-DF,
23/MAR/2019

'Calmaria' é uma das estreias da semana, confira a crítica

Matthew McConaughey e Anne Hathaway são desperdiçados em longa que é uma sucessão de erros - dos diálogos à direção

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Ricardo Daehn Publicação:01/03/2019 06:00
Nem a força do casal protagonista salva 'Calmaria' (Shoebox Film/Divulgação)
Nem a força do casal protagonista salva 'Calmaria'


Há 15 anos, o roteirista britânico Steven Knight despontou, mesmo que perdendo o Oscar de melhor roteiro para Sofia Coppola (Encontros e desencontros), ao defender a escrita do longa Coisas belas e sujas. Recentemente, ele fez o roteiro de Millennium: A garota na teia de aranha, 12 anos depois do exitoso Senhores do crime. Em Calmaria, entretanto, ele revela o quanto não sabe dirigir um filme.

Num festival de tropeços, ele desperdiça o talento de Diane Lane (Infidelidade), cuja personagem passa o tempo espiando pela janela, além de não dar norte para os tipos vividos pelos ganhadores do Oscar Matthew McConaughey e Anne Hathaway. Mesmo caricato, o australiano Jason Clarke (de O primeiro homem) é o melhor do time, como um psicopata ciumento.
 

Pouca coisa faz sentido neste filme que sugere uma imitação de Corpos ardentes (1981), mas que desperdiça o casal central, de fitas como Clube de compras Dallas e Oito mulheres e um segredo. McConaughey interpreta Baker Dill, à frente de um barco de pesca, de préstimos como michê e, na pequena cidade de Plymouth, ainda faz as vezes de perseguidor de Justiça, um emblemático, cortejado e fujão atum.

Baker guarda um enorme segredo que envolve um menino sem figura paterna forte — e a mulher do violento Frank (Clarke) é que será chave para um enigma pra lá de forçado: é a deixa para a entrada em cena de Hathaway, em meio à chuva torrencial, de chapéu e capa à la Paddington, numa cena noir quase cômica.

“Todo homem tem seu preço” e “Deus existe, Dill!” são alguns dos diálogos chinfrins, amontoados na produção. Com algo de inspiração em Westworld, o diretor entrega um filme desconexo: em que criminosos atuam em plena luz do dia, sem medo de represálias e em que não há definição de tom, numa cartilha que mistura elementos existenciais, thriller, drama e até trama sobre ações virtuais. Um acidente de percurso para todos os envolvidos.
 
 

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