Brasília-DF,
23/MAR/2019

Filme nacional 'Albatroz' estreia e traz Alexandre Nero como protagonista

Ator interpreta personagem com sinestesia em situações de dilema ético

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Ricardo Daehn Publicação:08/03/2019 06:01Atualização:07/03/2019 12:27

Alexandre Nero, protagonista em Albatroz, interpreta um fotógrafo perseguido por mulheres e por dilemas éticos típicos da profissão
 (Aline Arruda/Paris Filmes)
Alexandre Nero, protagonista em Albatroz, interpreta um fotógrafo perseguido por mulheres e por dilemas éticos típicos da profissão

Vira e mexe, alguns títulos do cinema nacional deixam a curva do que seja esperado, em termos de dramaturgia. Na linha de fitas como O Doutrinador, Budapeste, Olhos azuis e Por onde andará Dulce Veiga?, Albatroz — vale o aviso — não é para todos os gostos. Vem recheado de episódios soltos, que em nada facilitam a compreensão dos espectadores. O processo (na narrativa clássica de Franz Kafka) talvez trace o melhor paralelo. Além da propositada confusão no enredo (a cargo de Bráulio Mantovani, o roteirista indicado ao Oscar por Cidade de Deus), imagens enervantes aliadas a um jogo de sinestesia pesada, crimes e discussões sobre padrões éticos inerentes ao ato de fotografar tomam conta do longa estrelado por Alexandre Nero, Andréa Beltrão e Camila Morgado.

 

Confira as sessões! 

 

Um amor datado de 34 anos atravessa a trama em que Alícia (Andréa Beltrão) se mostra inconformada com a separação do fotógrafo Simão Alcóbar (Nero). Muito da trama do filme (dirigido por Daniel Augusto, de Não pare na pista) brota dos rascunhos que Alícia, uma escritora detida em romance intrigante, esboça. Apiedada da própria sorte (numa aproximação com A causa secreta, de Machado de Assis), Alícia dá chão para sucessivos delírios do protagonista, que, casado com Cats (Maria Flor), ainda flerta com Renée (uma atriz judia interpretada por Morgado, e que puxa referências do filme para o teatro). A literatura, em certa instância, serve como arma para Alícia.

 

Viagens, reais e criativas (há sonhos classificados em padrões, e fotografados numa máquina), fazem de Albatroz uma produção desafiadora. Convenções também vão para os ares, como no momento em que a solteirice de Simão é atestada pela mera retirada de uma aliança. Num recurso de originalidade, o filme emprega fusões coloridas (e não escuras, como de costume). Para além do significado da arte, o filme opera num outro plano provocador: numa das melhores cenas, a neurocientista Weber (Andréia Horta) se refestela numa espécie de máquina de prazer, ao lado da personagem Alícia. As viagens seguem, com implantações de chip na cabeça e até discussões de paz entre palestinos e israelenses. Um exemplar solto, na cinematografia nacional.

 

Assista ao trailer de Albatroz 

 


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