Brasília-DF,
22/NOV/2019

Crítica: 'Raiva' é mix de sonho, luz, pesadelo e desassossego

Fotografia do filme luso-brasileira foi comparada a do clássico 'Vidas secas'

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Ricardo Daehn Publicação:08/03/2019 06:00
Raiva: a ambientação e a fotografia de contorno extremamente artístico superam até mesmo a breve monotonia da narrativa (Pandora Filmes/Divulgação)
Raiva: a ambientação e a fotografia de contorno extremamente artístico superam até mesmo a breve monotonia da narrativa
 
De tão importante para os personagens de Raiva, alimentos básicos ficam em primeiro plano no filme do diretor de origem luso-brasileira Sérgio Tréfaut, que, em Portugal, recebeu o título de O pão. Na verdade, o filme, que explora as paisagens do Baixo Alentejo dos anos de 1950, trata mesmo da carência e das dificuldades que envolvem a família do protagonista Palma (Hugo Bentes), pouco a pouco, entregue ao contrabando. Ríspido e assoberbado de dificuldades financeiras, Palma tem no filho Bento (Kaio César), com problemas motores e mentais, um poço de afeição.
 
Coprodução entre Brasil, França e Portugal, Raiva tem como origem um romance de Manuel da Fonseca chamado de Seara de vento. Com uma impressionante densidade das imagens a cargo do diretor de fotografia Acácio de Almeida, o filme de narrativa seca é pautado pelo comedimento, em vários aspectos. Nada de excessos e um filtro preciso na edição (conduzida pela brasileira Karen Harley, de Que horas ela volta? e parceira habitual do cineasta Cláudio Assis) potencializam a condição de desolamento de todos os personagens.
 
 
 
Enquanto muitos têm comparado a estética do filme ao clássico brasileiro Vidas secas, em termos de desdobramento de narrativa, ele se aproxima mesmo é do filme de Luís Sérgio Person O caso dos irmãos Naves (1967). As dores silenciosas das personagens femininas como Júlia (Leonor Silveira), mulher de Palma, e a idosa Amanda (Isabel Ruth) fazem lembrar o clima medieval de filmes de Ingmar Bergman, como A fonte da donzela. Alijados de perspectivas, os personagens, no todo, parecem menos integrados à paisagem do que os animais, bastante destacados, no filme. Sonho, luz, pesadelo e desassossego — tudo isso dá forma ao expressivo Raiva.
Tags: cinema

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