Brasília-DF,
22/NOV/2019

'Sobibor' traz a brutalidade e o caos da guerra para as telonas

O filme é uma produção idealizada para demarcar o 75º aniversário da libertação coletiva de um campo de execução nazista

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Ricardo Daehn Publicação:26/04/2019 06:02Atualização:25/04/2019 13:16
A Rússia não emplacou Sobibor na corrida para o Oscar de melhor filme estrangeiro (A2 Filmes/Divulgação)
A Rússia não emplacou Sobibor na corrida para o Oscar de melhor filme estrangeiro

Uma produção idealizada para demarcar o 75º aniversário da libertação coletiva de um campo de execução nazista, desde a premissa, naturalmente, tenderá a pompa e circunstância — justamente elementos que não casam quando se fala de tema tão circunspecto quanto a guerra. 

Filmado na Lituânia, com direito a cenas com mais de 1000 figurantes e consultas a arqueólogos de campos de concentração, Sobibor pretende se estabelecer como marco de teor histórico, mas acaba por se estender por duas horas, com a clara intenção de impactar e de impressionar — selecionado pela Rússia para vaga no Oscar, passou longe do crivo gringo. O filme é ambientado em área a sudeste da Polônia.

Confira as sessões.

A brutalidade não demora a ser incorporada na trama. Morto em 1990 (na vida real), Alexander Pechersky (em cena, o próprio diretor e ator Konstantin Khabenskiy, sem gabarito para acumular as funções) é um virtual protagonista, com o caos da guerra ofuscando maiores efeitos didáticos para a trama. Em comparação ao premiado filme húngaro O filho de Saul, Sobibor é bem fraco.

O cinema como reconstrução de identidade, no caso de Sobibor, não funciona. O resgate à memória dos judeus mortos fica marcado, mas na base de recursos manjados, como o da música solene e aspectos melodramáticos. 

Em contrapartida, apesar do fracasso de construir nazistas que possam ser críveis, o longa traz magnetismo nas sequências perturbadoras — especialmente as de terror — em que, tratados como cavalos, os judeus agonizam.

De mentalidade atordoada, o oficial Karl Frenzel rende boa composição de Christopher Lambert (astro dos anos de 1980, em filmes como Highlander). Ivan Zlobin, estreando na pele do ingênuo e corrompido Shlomo, também cria bons (mas breves) momentos para o longa.





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