Brasília-DF,
18/NOV/2019

'Rocketman': Um astro pop bem representado

Elton John ganha cinebiografia caprichada, com boas atuações e roteiro redondo

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Ricardo Daehn Publicação:31/05/2019 06:02

Taron Egerton impressiona ao viver Elton John nas telas (David Appleby/Paramount Pictures)
Taron Egerton impressiona ao viver Elton John nas telas

 

Extravagância rima com espalhafato que rima com potencial kitch, um elemento culminante dentro da corrente de incertezas e carências para o protagonista e centro de todas as atenções de Rocketman: Elton John (retratado em cena pelo genial ator Taron Egerton). 

 

Matando logo o afã de quem quer a comparação com o recente longa sobre Freddie Mercury (Bohemian rhapsody), há uma cena de sexo bem resolvida, e o Elton representado na telona trata de se apressar na perdulária lista dos adjetivos que poderiam acompanhá-lo: se assume “homossexual, bicha, fresco e maricas”.

 

Num dos períodos mostrados no filme, a luxúria solar que recobre suntuosa mansão, desavergonhadamente, vem espraiada na linguagem musical, remetendo ao estilo multicolor adotado em Mamma mia. Emocionando, muitas vezes, Egerton canta (há enorme diferencial, em relação a Rami Malek, em Bohemian) e revela um nível de exigência para o papel que remete ao acabamento cênico de uma Bette Midler de A rosa.

 

Desde a etapa da infância do personagem, pelas mãos do roteirista Lee Hall (o mesmo de Billy Elliot), até a entrada dele com bolsa na Royal Academy of Music, o filme abraça o tom de caricatura, com ares de episódio de Glee. 

 

O estouro, com a viagem para Los Angeles, em que o cantor e compositor inglês se apresentou inauguralmente no Troubadour, com a performática Crocadile rock, revela a engenhosidade do diretor Dexter Fletcher: mesmo não sendo super-herói, Elton, pela música, voa — e faz voar.

 

Mais penalizado pela pressão da excelência do que pela opressão — imposta até mesmo por si, num processo difícil de autoaceitação —, o protagonista deixa transparecer a ansiedade por ser amado. Até alcançar uma relação libidinosa e satisfatória, Elton conquista o amor fraternal do compositor Bernie Taupin (Jamie Bell, com presença relevante), elementar para a salvação do músico que se mostra (re)animado pela comunhão com Taupin, responsável por êxitos como a letra de I´m still standing.

 

No campo profissional, há relevância para o papel do convincente Stephen Graham, na pele do dono de gravadora Dick James. A mágica da primeira relação se dá com o empresário do superstar, John Reed (Richard Madden), sensível ao ponto de citar a generosidade emprestada de textos do dramaturgo Tennessee Williams.

 

Sofrendo pela impessoalidade nas relações familiares e com o “pecado de não ter sido mais comum”, Elton passa por excessos de linchamento e condenações, em Rocketman. Prevalecem as cores e os festejos, contudo. 

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