Brasília-DF,
15/OUT/2019

'Divino Amor', filme com quatro roteiristas, tem Dira Paes como estrela

Sem graves desrespeitos, falam de fé, de rituais cristãos, mas cutucam a instituição da família

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Ricardo Daehn Publicação:28/06/2019 06:00Atualização:27/06/2019 20:00
Dira Paes defende a personagem Joana, em Divino amor: a glória estaria na graça de ser mãe
 (Diego Garcia/Divulgacao)
Dira Paes defende a personagem Joana, em Divino amor: a glória estaria na graça de ser mãe


Filme extremamente interessante da espanhola Isabel Coixet, A vida secreta das palavras (2014) é quase derrubado por uma narração incômoda. Com o novo longa de Gabriel Mascaro, selecionado para mais de 20 festivais mundo afora, o efeito se repete, sob o agravante de conter inesperado didatismo. Muito é explicado para a trajetória da protagonista Joana (Dira Paes), que não se explica pela razão.

Sob risco, quatro roteiristas, Mascaro, ao lado de Rachel Ellis (Ventos de agosto), o estreante Esdras Bezerra e Lucas Paraizo (de Gabriel e a montanha), exercitam limites. Sem graves desrespeitos, falam de fé, de rituais cristãos, mas cutucam, sim, a, para muitos sagrada, instituição da família. Envolta em burocracia, Joana é uma escrivã que se arvora em reescrever a dor da separação de casais inclinados para o divórcio. Pretende sempre alcançar a reconciliação desses terceiros.

Confira as sessões disponíveis.

Fiel a uma corrente batizada de Divino Amor, numa sociedade do futuro, em 2027, Joana se entrega a crenças, ao lado do marido Danilo (Julio Machado). Danilo perpetua a galeria de tipos que redesenham parte da masculinidade atual no cinema de Mascaro (vide Boi neon). Alternando vitalidade e algum derrotismo, ele navega nas incertezas da fé e produz arranjos de flores para devotos. No filme que tem coprodução entre Brasil, Dinamarca, Uruguai e Noruega, pesa um modesto, mas feliz, caminho para a direção de arte, ainda que o uso das cores (violeta, azul profundo e púrpura) acomodem calma que desafia a atenção em cinema.

Momentos de escapismo, como o da participação da sempre hilária Thalita Carauta e do brilho do pastor composto por Emílio de Melo (num posto de orações aos moldes de drive thru) ajudam a acompanhar provações pelas quais passa a protagonista, cercada pelo cerceamento à vontade de ser mãe e ainda por crises filosóficas e sociais. Regras intransponíveis e a avaliação serena dos impasses contemporâneos batem na tela. Curiosamente, Mascaro parece embebido do cinema provocativo de Jean-Luc Godard e de Agnès Varda (respectivamente, em Je vous salue, Marie e As duas faces da felicidade), que fala de amor dividido, descolado de fidelidade ("Felicidade a gente soma" — sem traições, portanto) e na sinalização do que pode ser visto como pecado, e resulta numa cena, quase ao fim, pra lá de enervante.

 

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