Brasília-DF,
15/OUT/2019

História de Simonal é relembrada nas telas dos cinemas nacionais

Cinebiografia apresenta a trajetória de Wilson Simonal, com ótima atuação de Fabrício Boliveira no papel do artista

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Ricardo Daehn Publicação:09/08/2019 06:02Atualização:08/08/2019 19:24

Wilson Simonal é interpretado por Fabrício Boliveira (Paprica Fotografia/Divulgação)
Wilson Simonal é interpretado por Fabrício Boliveira

 

“Eu canto e encanto”, diz, à certa altura, o protagonista do filme de estreia na direção de Leonardo Domingues, Simonal. É com um topete e uma autoconfiança de quem entoaria Mamãe passou açúcar em mim, que o cantor saído de favela, em época na qual isso era inusitado, vem representado por Fabrício Boliveira. Há quem queira crivar, na fita, Simonal como “um Harry Belafonte brasileiro”, o carismático ativista dos direitos dos negros, mas a toada da trama será bem outra.

 

Safo ou adepto da pilantragem, Simonal passará à montanha-russa de aceitação, desde a entrada de cena no filme, em 1975. Vaiado pela classe artística, se torna indefensável. O gosto pela “exuberância” de alguém que cultuou a finesse, à la jogador de futebol, fica claro desde o começo do filme que traz Ísis Valverde como Tereza, esposa de Simonal. Caricata, instável, perdulária e à sombra do sucesso do marido, ela é quase um bode expiatório no roteiro. Em tempos de empoderamento da figura feminina, é uma figura que não acrescenta.

 

Sessões do filme no cinema  

 

Verdadeiro saco de pancadas na vida real, Simonal não passa ileso pelo filme. Até ser visto como “o Frank Sinatra do beco”, no Bottle’s Bar, ele será o remanescente (oportunista?) da “bandinha” Garotos Enxutos, desmerecida pelo produtor Carlos Imperial (Leandro Hassum, surpreendente); o vendido artista que se veste de cossaco para integrar uma Noite Russa fake anunciada em bar e, num roteiro, panfletário, se renderá a um sistema danoso instaurado pela ditadura.

 

O ápice do filme será a fase em que, como destacado pelo roteiro, Simonal teve o “dedo mais famoso do que a voz”, diante das denúncias de ter se aliado aos militares do Dops. Desfalques financeiros, impostos driblados e confissões complicarão o “discípulo” de Carlos Imperial. Exibicionista e talentoso, ganha ótima performance no gingado cênico de Fabrício Boliveira, que incorpora um quê do ator de Birdman, ao sair do teatro, deixando a plateia completar os hiatos de Meu limão, meu limoeiro. Cena inesquecível.

 

 
Confira o trailer 

 

 

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