Brasília-DF,
15/SET/2019

Crítica: 'Uma noite não é nada' apresenta dilemas do expurgo

Traição, afronta compromissos sociais e desrespeito à condição da mulher estão entre os temas inscritos e passíveis de julgamento em 'Uma noite não é nada'

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Ricardo Daehn Publicação:23/08/2019 06:05Atualização:22/08/2019 18:46
Cláudia Mello e Paulo Betti: à frente de casamento ameaçado, no drama assinado por Alain Fresnot (Aline Arruda/Divulgação)
Cláudia Mello e Paulo Betti: à frente de casamento ameaçado, no drama assinado por Alain Fresnot


Estampadas em cena, na leitura de um jornal feita pelo meticuloso professor e protagonista do filme assinado pelo diretor Alain Fresnot, estão as notícias das prisões do ex-presidente argentino Jorge Rafael Videla e, por outro militar aliado à ditadura, Emilio Massera. De certa forma, o filme trata exatamente disso: de expurgo. Traição, afronta compromissos sociais e desrespeito à condição da mulher estão entre os temas inscritos e passíveis de julgamento, num roteiro criado por Fresnot, ao lado do celebrado Jean-Claude Bernardet e de Sabina Anzuategui.

Cálculos da ocupação de corpo e espaço, além da demanda de energia, são rotineiros para Agostinho (Paulo Betti), que domina a carreira de professor, num supletivo paulistano de meados dos anos de 1980. Nos corredores, à la Woody Allen, esbarra em Márcia (a estreante Luiza Braga), uma aluna mais do que comunicativa. De tons pálidos e lúgubres, a fotografia tem a guinada, quando Agostinho oferece um presente vermelho vivo para a moça.

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Muito pouco desenhada no roteiro, Márcia dá brecha para o despontar de um tema polêmico (sem o devido tratamento na fita): um breve abuso sexual. Apesar do tom, por vezes, nada convincente, Claudia Mello (atriz muito associada à carreira de Sérgio Bianchi) surge como a simplória esposa de Agostinho, Januária. Destratada, num paralelo cruel em que os cães da trama praticamente experimentam melhores destinos, Márcia carrega em si o aspecto assustador (à época dos anos 80) de ser soropositiva. A morte, no filme, se mostra um elemento devastador e, curiosamente, na mesma medida, conciliador. Uma das cenas mais marcantes referenda o pobre banquete do personagem Carlitos. Pesa, no momento, uma ironia forte no filme.




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