Brasília-DF,
13/DEZ/2019

Festival de Brasília: exibição do longa 'Volume morto' é nesta sexta-feira

Em 'Volume morto', Daniel Infantini interpreta Roberto, um pai desestruturado por eventos que envolvem a vida escolar do filho

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Ricardo Daehn Publicação:29/11/2019 06:01Atualização:28/11/2019 21:35

A fita traz empenho de uma professora em solucionar o estranho caso de um menino mudo
 ( Labuta Filmes/Divulgação)
A fita traz empenho de uma professora em solucionar o estranho caso de um menino mudo

 

Um filme policial, sem nenhum policial em cena. É assim que o diretor Kauê Telloli define Volume morto, último concorrente a ser apresentado na mostra competitiva do Festival de Brasília. “O filme é sobre o quão difícil é a gente saber a verdade dos fatos. Detectar quem é quem dentro de cada história que a gente escuta. Um acontecimento tem mil versões e, possivelmente, mais de uma verdade. Às vezes, acreditamos numa versão, por mera empatia”, comenta Telloli, que também tem carreira de ator (O negócio, série da HBO exibida em mais de 40 países). O diretor desenvolve trama em que uma criança não foge do ciclo de apresentar bondade e maldade, “como qualquer adulto”.

 

Volume morto revela o empenho da professora Thamara (Fernanda Vasconcellos) ao tentar solucionar o estranho caso de Gustavo, um menino mudo. Ele passa por um processo de bullying na escola. Uma carga de suspeição recai sobre Thamara. “Cada espectador vai ter que desvendar porque Gustavo se comporta de um determinado jeito. Protagonista, de sete anos, ele não está presente nas cenas do filme. Os pais dele são Gustavo Roberto (Daniel Infantini) e Luíza (Júlia Rabello).

 

“O filme é um quebra-cabeças. Ficamos o tempo inteiro tentando juntar as peças, e é impossível largar o filme, no meio. Te prende muito. Apesar de tudo, é um filme linear, com começo, meio e fim. Clássico. O que fica fragmentado é o grau de confiança estabelecido com personagens. Cada um forma, na cabeça, o painel do que está acontecendo com Gustavo”, aponta o diretor paulistano, que, aos 32 anos, investiu em narrativa bem-humorada (que alia temas sérios a sátiras), no segundo longa, posterior a Eu nunca (2015).

 

Generalizar pontos de vista não está entre os ingredientes do filme Volume morto. “A gente tem que tomar cuidado, quando crê que o jovem esteja assim ou assado: conheço pessoas zês e ipsilones. O mundo está cada vez mais plural. Mais propenso para ser assim. O mundo é global. O jovem brasileiro conversa com o que está na Austrália, nos Estados Unidos, na África. Temos acesso a tudo. Há valores reconhecidos por gerações inteiras, mundo afora”, observa o Kauê. Ele viu a seleção para o festival, como uma realização enorme. “É um início mais do que sonhado; evoluiremos com o debate na capital”, acredita. O filme estreia na capital, na mesma semana em que estará em evento em Talin (Estônia).

 

Volume morto não é voltado para o público jovem, “mas fala de quem educa, e como cada um reagiu ao estímulo recebido”, pelo que comenta Kauê. O senso comum da prevalência das cores primárias, na infância, e disposições estilosas de objetos foram alguns cuidados da direção de arte. Interessado na produção de filmes assinados por Beto Brant e Luiz Villaça, Kauê Telloli seguiu um método que otimizou o orçamento de R$ 55 mil (com participação igualitária de lucros). Com apenas nove dias de filmagens e ensaios de precisão cirúrgica, a equipe executou um “superbalé”.

 

Confira o trailer:

 

 

 

 

Serviço

Volume morto

Exibição, nesta sexta (29/11), às 21h (no Cine Brasília, 106/107 Sul), do longa de Kauê Telloli, antecedida pelos curtas Sangro, de Tiago Minamisawa, Bruno H Castro e Guto BR, animação que trata do caso de um soropositivo, e Amor aos 20 anos, de Felipe Poroger e Toti Loureiro, que enfoca um amor não correspondido. Ingressos a R$ 20 e R$ 10 (meia). Não recomendado para menores de 14 anos. Hoje, às 20h30, com entrada franca, exibição nos complexos culturais de Samambaia e Planaltina, além da apresentação no IFB Recanto das Emas.

 

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