Brasília-DF,
30/SET/2020

Confira a crítica de 'Ainda temos a imensidão da noite', de Gustavo Galvão

Longa foi exibido no 52° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

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Ricardo Daehn Publicação:06/12/2019 06:01Atualização:05/12/2019 20:16

A atriz e instrumentista Ayla Gresta: participação forte no terceiro longa de Gustavo Galvão
 (Mauricio Chades/Divulgação)
A atriz e instrumentista Ayla Gresta: participação forte no terceiro longa de Gustavo Galvão

 

Equilíbrio e atitudes pacatas são os antagonistas do mais recente filme do diretor brasiliense Gustavo Galvão, que chega à terceira produção. Com o luxo da consultoria de roteiro de Karim Aïnouz (de A vida invisível), outro brasiliense desgarrado, o filme trata dos desdobramentos da ocupação da cidade por “parasitas” e de um recorte de geração que teve os planos sequestrados por modelos comodistas. Karen (Ayla Gresta) e Artur (Gustavo Halfeld) encabeçam o enredo que gravita em torno da música, dadas as ramificações de uma banda formada ainda por Lara (Vanessa Gusmão) e Cícero (Hélio Miranda).

 

A profusão e o acolhimento a sonoridades fofas (em voga) contrastam com a rebeldia do “rock morto” louvado por Karen e companhia. Tornada uma “cidade dormitório”, a Brasília mostrada no filme saúda um “toque de recolher”. Há inaptidão da massa de — menos ainda do que acolher — permitir a existência da arte pela arte. Há falta de perspectivas para os objetivos de jovens que não cabem no interdito palco privilegiado do Plano Piloto. Se “caçam breu” a favor de uma “vida que chama” (como diz uma das letras do filme), os músicos desacreditados batem (sem se comunicar) num muro: a assepsia do “homem-modelo” formatado na cidade.

 

Longe dos enquadramentos propiciados pela rede de concursos públicos e da vida plena, de se “mamar” em instituições como o Senado, Karen busca novo rumo, e parte para Berlim (cidade tida como “Orlando” por um dos personagens, dado o abandono da língua alemã, com privilégio para o inglês). Curiosamente, é nas sequências de deslocamento e solidão, no exterior, que Ainda temos a imensidão da noite cresce como filme.

 

Ainda assim, há alguma hesitação presente nos atores em cena. Steven Lange, por exemplo, tem pouco a fazer na pele do estrangeiro Martin. Depois de uma integração efetiva com uma banda (no exterior), o troco para o sonho de Karen se dá na Rodoviária do Plano: com a compra de combo tipicamente candango — pastel e caldo de cana. Entre recomeços problemáticos e infortúnios para a trupe, as cenas com músicas se provam bem vibrantes. Ah! — Há o achado da participação divertida de Clemente Nascimento na pele de um delegado nada repressor.

 

Veja o trailer:

 

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