Brasília-DF,
01/OUT/2020

'Deus é mulher e seu nome é Petúnia' critica paradigmas machistas

A protagonista Petúnia também dá nome ao filme, inspirado em caso real ocorrido em 2014

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Ricardo Daehn Publicação:27/12/2019 06:00
 O drama é inspirado em caso real ocorrido em 2014 (Pandora Filmes/Divulgação)
O drama é inspirado em caso real ocorrido em 2014

“Está com problemas no Paraíso?” é o questionamento, debochado, de um dos personagens do filme de Teona Strugar Mitevska. O homem que larga a frase é colega da jornalista Slavica que, entre um caso escandaloso atrelado a machismo, no Leste Europeu, constata o esforço da colega em administrar crises familiares, pelo telefone.

Peça-chave entretanto para o desenvolvimento da trama é a desempregada Petúnia (Zorica Nusheva), inspirada em caso real ocorrido em 2014. Petúnia (uma historiadora), no filme, salta rumo ao que muitos classificam como surto, fazendo história, em Deus é mulher e seu nome é Petúnia. Na pequena Shtip (Macedônia), a protagonista desafia tradições e elementos sagrados, ao se tornar a primeira mulher a alcançar (e conquistar a posse) de uma cruz de madeira atirada a um rio, num ritual que alinha homens que buscam, simbolicamente, um destino de maior sorte, a cada ano.
 
 

Fugitiva, nada popular e tachada pela mãe como “desgraça e monte de estrume”, Petúnia, depois de abusos, dá as costas para Igreja e cânones. Em busca de uma história emocionante e significativa, uma repórter que luta por entrevista com ela. Curiosamente, no último Festival de Berlim, o filme de Teona Mitevska esteve na disputa, com o longa de Graças a Deus, de François Ozon, polêmico exemplar que tratava de pedofilia no meio da Igreja.

Naquela ocasião, o longa levou o prêmio do júri ecumênico reunido em Berlim. Atraente, o enredo foca por demais no drama da personagem — que pretende mostrar o seu “valor” — deixar (ou não) uma prisão improvisada. Nem precisa muito para que a diretora do filme dê seu recado: basta uma olhadela nas autoridades locais (homens irados pela enorme disposição da moça, padre, policiais, promotor e comandante). A questão de honra de Petúnia passa pelo filtro absolutamente masculino. Algo a refletir...
 
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Tags: cinema

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