Brasília-DF,
21/FEV/2020

'Synonymes' destaca a persuasão pessoal e corporal em cena

O enredo tem como foco o personagem israelense Yoav, que decide renegar todos os resquícios de sua formação hebraica

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Ricardo Daehn Publicação:17/01/2020 06:01Atualização:17/01/2020 12:39
Tom Mercier domina cada plano do filme de Nadav Lapid: fuga descontrolada ao repatriamento israelense (Fênix Filmes/Divulgação)
Tom Mercier domina cada plano do filme de Nadav Lapid: fuga descontrolada ao repatriamento israelense

Veio do Festival de Berlim o prêmio máximo recebido pelo longa Synonymes (de Nadav Lapid) que dá enorme status para franceses e sua visão democrática. Isso, ao menos na observação do protagonista, vivido com maestria por Tom Mercier, o israelense Yoav — que pretende renegar todos os resquícios de sua formação hebraica. Desde o pôster do filme (uma coprodução entre França, Israel e Alemanha), que apresenta Yoav de posse de armamento fictício, percebemos a postura combativa dele. Longe de acalentar heroísmo, Yoav tem como modelo assumido Heitor, o príncipe troiano derrotado por Aquiles. Desarmado, ele usa um sobretudo quase como couraça, armadura. É das poucas posses que tem.

Mais do que os fins, são os meios (e valores) que pesam para Yoav. O filme que ganhou o Urso de Ouro mostra o protagonista em embate com a identidade — de dicionário em punho (daí o sinônimos extraído do título), está decidido a vencer, em agitado cotidiano por Paris, ao mesmo tempo em que pretende se despir da primeira cultura. Como companheiro de peleja, ele tem o colega Yaron (Uria Haiyk) que, numa marcante cena em um ônibus, obriga desconhecidos a assimilar sua existência. É praticamente o prenúncio de uma atitude radical de Yoav que, a dado momento, exigirá: "Povo da França, olhe para mim!". Vale ressaltar que, sem dinheiro, Yoav não goza do refinamento gastronômico exaltado na França, e nem sequer tem como se proteger do frio.

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Com uma expressão corporal fora do comum, Mercier comunica. Tem pressa em se imiscuir junto aos amigos feitos na França, entre os quais o aspirante a escritor Émilie (Quentin Dolmaire), e a namorada desse, Caroline (Louise Chevillotte), uma musicista. Ao passo em que há harmonia no trio, a narrativa escrita traceja o estilo de Jean-Luc Godard, permitindo muita liberdade (inclusive sexual). Synonymes, em última instância trata da difícil arte de se reinventar.





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