Brasília-DF,
30/MAR/2020

'Fim de Festa', novo filme do diretor Hilton Lacerda, estreou nesta semana

Durante o carnaval pernambucano, jovem francesa é morta e viúvo e sogra tentam esclarecer o crime

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Ricardo Daehn Publicação:06/03/2020 06:05Atualização:05/03/2020 20:01
'Em Fim de festa', os núcleos familiares destoam do corriqueiro 'papai e mamãe' (Imovision/Divulgação)
'Em Fim de festa', os núcleos familiares destoam do corriqueiro 'papai e mamãe'

Durante o carnaval pernambucano, a francesa Emma é assassinada. A festa fica desbotada e quem permanece (no Brasil) para esclarecer o caso é o jovem viúvo (papel de Ariclenes Barroso, visto em O animal cordial) e a mãe dele (personagem de Suzy Lopes, lembrada por Bacurau). Apesar da gravidade de tudo, na trama de Fim de festa há um mal maior que atende pela cisão social, racial, política, moral e de satisfação entre brasileiros. Fim de festa, o filme de Hilton Lacerda (roteirista de Febre do rato e Piedade, entre tantos outros), reconsidera tudo isso.

Agente de polícia, Breno (Irandhir Santos, empático, como via de regra) regressa do recesso para solucionar o caso. A instabilidade habita o protagonista, que acusa primeiros sinais de um descompasso geracional com o filho Breninho (Gustavo Patriota). Mas Breno supera o estranhamento da patota do filho composta por Penha (Amanda Beça), Angelo (Leandro Villa) e Indira (Safira Moreira). Todos gozam da disposição para prazeres e libertinagens, descobertas com a pouca idade.
 

Em nome da existência de crianças e idosos, há personagens de Fim de festa que exigem decência. No país, não haveria mais espaço para “safadeza e anarquia”. O despojamento, o registro de festas populares, as novas constituições nos arranjos de núcleos familiares, o desrespeito a personagens vulneráveis (de um dependente químico à empregada “quase da família”) colocam facções entre os coabitantes da metrópole. Há quem desgoste do Brasil, no filme, dados tantos cerceamentos.

Sem a mesma organicidade aplicada em Tatuagem (outro filme de Hilton Lacerda), a torrente de discursos acusa proselitismo. No “país” que “não tem condições” (basta lembrar o episódio de 2019 do golden shower, que segue quente, entre quem despreza o atual presidente), o cinema de Lacerda tem ressonância singular. Tão atual, Fim de festa contempla os crimes de poderosos, o pernicioso uso de drones e ainda a comunicação de massa, dada a rasteira influência de alguns conteúdos da internet.
 
 


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