Brasília-DF,
19/NOV/2019

Restaurantes da cidade investem em diferentes tipos de café da manhã

A regra é aproveitar o desjejum para se deliciar em diferentes casas da cidade

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Rebeca Oliveira Renata Rios Sara Campos Publicação:02/09/2016 07:00Atualização:02/09/2016 10:44
 (Wellington Nemeth/Divulgação)

 
Principal refeição do dia, o café da manhã tem atraído cada vez mais brasilienses a um hábito adquirido recentemente com mais força no Brasil. Iniciar as refeições em padarias, cafés ou restaurantes é bastante comum em países europeus e tem auxiliado restaurateurs a potencializar o comércio em tempos de crise.

Depois de passar uma temporada de estudos na França, a fotógrafa Luiza Ventureli decidiu abrir o Daniel Briand ao lado do marido e chef confeiteiro que empresta o nome a um dos cafés franceses mais tradicionais da cidade. A iniciativa veio após a comemoração matutina do aniversário de Daniel, em 1994. “Naquela época poucos estabelecimentos serviam café da manhã. O serviço era mais concentrado em hotéis”, destaca Luiza, que idealizou um dos cafés da manhã mais disputados da cidade.

Uma longa experiência no exterior impulsionou outra opção de café da manhã, no Dylan. Depois de 10 anos morando na Austrália, Fabrício Campos voltou para o Brasil ao lado da esposa argentina. “Quando retornei, vi muitas opções regionais de café da manhã. Queria montar um negócio que tivesse influência de países como Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, que têm pratos bem definidos assim como os nossos”, ressalta o empresário, dedicado ao preparo de pães 100% artesanais.

Outro endereço dedicado ao preparo artesanal de pães é a confeitaria e padaria Philippe Verstraete, onde o método levain aparece como forma saudável de realizar o desjejum. “O café da manhã é a refeição mais importante para os franceses, e justamente por isso é chamado de déjeuner, traduzido literalmente como deixar o jejum. Como o organismo ficou muito tempo sem se alimentar, caprichamos nos pães artesanais”, afirma o chef Philippe Verstraete.

Um bom começo
 
Variedade e qualidade são as palavras de ordem no Herbs (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Variedade e qualidade são as palavras de ordem no Herbs
 

No hotel royal tulip, tanto os clientes do restaurante Herbs, quando os hóspedes das  instalações têm a oportunidade de, por R$ 49, começar o dia com o pé direito. O bufê de café da manhã é um dos fortes da casa, que aposta não só em variedade mas em qualidade.

No bufê, os sucos são naturais, servidos de frutas variadas, como manga, abacaxi, goiaba, caju, abacaxi e laranja. Já as bebidas quentes são leite, café e chocolate. “Ainda temos uma máquina de água quente para quem prefere escolher um chá para começar o dia“, afirma o maître, Sena Pereira.

Entre as comidas, os clientes contam com uma boa oferta de pães, que vêm tanto doces, quanto salgados. “Temos o pão no bufê, mas os garçons também fazem uma espécie de rodízio com o preparo pelas mesas”, afirma Sena Pereira.

Para quem preferir, vale conferir a mesa show, com preparos como as tapiocas, que podem ser recheadas de acordo com o gosto do cliente, ou omeletes. “Esses preparos não podem demorar a ir para a mesa. É uma forma de garantir a qualidade“, finaliza. 
 

Quitutes mineiros, uai!
 
O balaio da Bezinha é uma ótima pedida para aproveitar com a família (Jhonatan Vieira/Esp. CB/D.A Press)
O balaio da Bezinha é uma ótima pedida para aproveitar com a família
 

Na hora de nomear seu estabelecimento, a mineira Tereza Côrtes escolheu homenagear a mãe, uma quitandeira de mãos cheias. Uma vez nomeado, o Uai Bezinha só precisava de um cardápio e, para manter a tradição culinária da matriarca, um bem mineiro. Repleto de quitutes variados e que não negam a origem, o local oferece cafés da manhã seguindo e estilo do estado. 

Uma das alternativas que o estabelecimento trabalha ganha o carinhoso nome de balaio da Bezinha  (R$ 44,50). Trata-se de uma cesta repleta de tradicionais comidas mineiras, como pão de queijo, biscoito de queijo, bolacha da vovó, rosquinhas de coco e até a elegante rosca da rainha. “Essa cesta é grande, ótima para um café da manhã em família —  serve entre quatro e cinco pessoas”, afirma Tereza.

Para beber, o cliente recebe uma jarra de suco de laranja e uma chaleira, com o sabor a ser escolhido. “Trabalhamos com alguns chás naturais e industrializados. O cliente pode escolher o sabor de sua preferência”, explica a proprietária. 

Se a ideia é uma alternativa menor, boa pedida é a cesta com 10 unidades de quitutes (R$ 15,50) escolhidos de acordo com o gosto do cliente. “Recomendo o biscoito de queijo —  temos ele no estilo mineiro e no goiano”, sugere. 


Influência australiana 
 
Pão artesanal, ovos mexidos, espinafre na manteiga e tomates assados: opção de desjejum do Dylan Cafe & Bakery ( Bruno Peres/CB/D.A Press)
Pão artesanal, ovos mexidos, espinafre na manteiga e tomates assados: opção de desjejum do Dylan Cafe & Bakery
 

Depois de uma longa temporada na Austrália, o padeiro Fabrício Campos colocou em prática o que aprendeu na escola gastronômica Le Cordon Bleu no Dylan Cafe & Bakery. Das fornadas saem pães preparados com o sourdough, método de fermentação natural que recebe outros nomes em outros países como o levain, na França.

“O processo de preparo leva dois dias, o que confere ao pão certa acidez e fermentação prolongada”, explica Fabrício. Entre as opções de desjejum está o prato composto por ovos mexidos, tomate assado, torrada com pão do dia, cream cheese, espinafre salteado na manteiga e bacon (R$ 28). Outra opção tipicamente anglo-saxã, os waffles chegam à mesa com mel, iogurte natural, banana, kiwi, morango e hortelã (R$ 26).

Ponto de encontro de estrangeiros que residem na cidade, o café também aposta em torradas 100% integrais, que podem ser servidas com abacate, tomate cereja e rabanete (R$ 12) ou com pasta de amendoim, banana, mel e bacon (R$ 12).

“Nossos clientes sentem falta desse tipo de café da manhã. Recebemos uma clientela fiel no fim de semana que deseja fugir das opções mais convencionais e padronizadas”, ressalta Fabrício, que além de estrangeiros recebe comensais que desejam revisitar experiências gastronômicas que tiveram fora do Brasil. “Algumas pessoas sentem falta de um tipo de pão que experimentaram durante uma viagem e conseguem encontrar opções que fogem da rotina”.


Início árabe
 
Mãe e filha trabalham juntas no Zahia (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Mãe e filha trabalham juntas no Zahia
 

Que tal experimentar um delicioso café árabe? Essa é uma das alternativas que os comensais que visitam o Zahia podem desfrutar. Entre as pedidas, a proprietária e chef, Dulcinéa Cassis recomenda os ovos mexidos com chancliche (R$ 17,60). “São ovos, tomates, cebola, chancliche e o zaatar, um tempero árabe tradicional“, explica Dulcinéa. A filha dela, Ednea Fagundes, rapidamente complementa a mãe: “Esse é um prato muito tradicional nos cafés da manhã árabes”. 

Segundo a dupla, o café da manhã árabe é bem diferente do que o paladar brasileiro está acostumado. “Tentamos escolher algumas receitas com a cara daqui”, explica Ednea. Entre as receitas que o cliente pode aproveitar estão bolo de frutas secas com castanhas (R$ 8), pão sírio (R$ 1,20, a unidade), colhada seca (R$ 8) e geleia de damasco (R$ 6).

Outro destaque são as bebidas, o café turco (R$ 11), em especial. O preparo é fervido três vezes antes de ser servido, para que o pó do café assente no fundo do vasilhame. “Esse é um café com a moagem mais fina, além de ser temperado com cardamomo, o que dá um toque extra ao sabor“, descreve Dulcinéa.


Hollywood 
 
Café da manhã típico nordestino está entre as opções da panificadora Hollywood
Café da manhã típico nordestino está entre as opções da panificadora Hollywood
 
 
Uma das panificadoras mais tradicionais do Núcleo Bandeirante, a Hollywood permanece há 33 anos no mesmo endereço que a consagrou. Comandada pelos  primos Adilson e Admilson Borba, a casa serve mais de 30 itens de café da manhã no balcão. 

Entre o amplo leque de opções estão itens como tapioca, que chega à mesa em mais de seis versões, entre elas a com manteiga (R$ 3) e a recheada com carne seca cremosa com queijo coalho 

(R$ 7,90),  e o cuscuz com ovo (R$ 3,50) ou leite (R$ 3).

“Já tentamos fazer um bufê de café da manhã, mas os clientes  preferem receitas mais específicas, principalmente as nordestinas. Muitos nordestinos e filhos de nordestino vêm de longe para comer algum prato que é familiar para eles”, pontua a gerente Andréia Sousa.


Clássico da cidade 
 
Comemoração de aniversário inspirou o café da manhã do café Daniel Briand (Wellington Nemeth/Divulgação
)
Comemoração de aniversário inspirou o café da manhã do café Daniel Briand
 

Um dos primeiros restaurantes da cidade a ter a refeição como referência, o café francês Daniel Briand comercializa pães preparados diariamente pelo chef. A clássica refeição nasceu junto com a abertura da casa, em 1995. 

“Nossa ideia inicial era de abrirmos a loja apenas para servir o café da manhã, mas vimos que o público também queria outras opções de horário”, ressalta Daniel Briand, que aos domingos pela manhã tem equipe reforçada para atender ao público.

Além de poder consumir isoladamente todos os itens, o cliente pode optar por dois combos. O première formule tem suco de laranja, fatias de baguete, queijo gruyère, geleia artesanal de framboesa, brioche com amêndoas caramelizadas, pão com recheio de chocolate, patê suíno ou salada de frutas com chantilly e cointreau e uma bebida quente à escolha —  café, chocolate ou chá (R$ 42). 

No deuxième formule, os mesmos ingredientes são oferecidos, exceto salada de frutas e brioche com amêndoas.
 

Café com pão, s’il vous plaît!
  
 Na L'Amour du pain, as opções fogem do tradicional
Na L'Amour du pain, as opções fogem do tradicional
 
Para a sorte dos comensais da capital, pipocam a quantidade de boulangeries na cidade. Em muitas, repete-se o hábito do café com pão, mas com sabor elevado a outra potência.

Há alguns meses a capital foi presenteada com mais uma novidade: a L’Amour du Pain, comandada por Serge Segura. Depois de trabalhar quase 15 anos ao lado de Daniel Briand, ele retornou à França, país onde nasceu, para estudar panificação. “Sempre quis ter o meu playground pessoal”, brinca.

No novo endereço, não espere receitas tradicionalíssimas. A L’amour tem lotado por enveredar por outros caminhos, repaginando clássicos e apresentando produtos inéditos. Um deles atende como ruban (tira, em francês). Com a mesma massa com que faz o croissant, Serge criou uma espécie de bruschetta apresentada em cinco sabores, entre os quais o de salmão defumado, tomate cereja, cream cheese e endro (R$ 3,90). “Não quero ficar vendendo o que todo mundo vende. Há dias que acordo com desejos de fazer misturas que poderiam dar certo”, comenta.


Assunto sério

Em Nice, na frança, onde nasceu o chef Philippe Verstraete (que dá nome à aprazível confeitaria e padaria aberta há cinco meses na Asa Norte), café da manhã é coisa séria. “Não é por acaso que o chamamos de déjeneur, termo que significa sair do jejum. Como é a primeira refeição após um longo tempo sem comer nada, caprichamos nessa refeição”, conta o francês que, há quatro anos, escolheu Brasília para vivercom a esposa, a professora Adriana Moraes. Na casa, duas fórmulas servidas exclusivamente no período atendem a paladares interessados na panificação artesanal francesa, marcada pelo uso do levain, nome dado ao fermento artesanal à base de água, suco de uva e farinha, que confere um aroma intenso, casca grossa e miolo macio aos produtos, “mais saudáveis e de fácil digestão”, acrescenta Verstraete.

A mais completa custa R$ 42 e vem com uma bebida quente (café, chá ou chocolate), meia baguete parisiense, geleia de morango ou pêssego, manteiga, croissant, pain au chocolat, suco de laranja, queijo gruyère e salada de frutas com chantilly. O combinado serve bem duas pessoas. Se preferir, o glutão com maior apetite pode complementar com mais uma bebida, cobrada à parte. Com apresentação caprichada, o capuccino custa R$ 8,50.
 
Quem quer pão?
 
Uma curiosidade: todos os pães da Philippe Verstraete são confeccionados com farinha importada da França. Apenas um foi “abrasileirado” e utiliza uma marca nacional. Justamente o que foi batizado de baguete parisiense.

Saboroso e sem química
 
A fermentação natural é o diferencial nos pães servidos na El Panadero (Jhonatan Vieira/Esp. CB/D.A Press)
A fermentação natural é o diferencial nos pães servidos na El Panadero
 

A El Panadero veio para engrossar a cada vez mais extensa lista de padarias que trocaram o pãozinho francês (muito criticado pelo excesso do uso de produtos químicos) por itens que não são feitos em larga escala. Respeitar o tempo do pão crescer e sovar a massa manualmente são etapas indissociáveis dessa panificação em que a quantidade dá lugar a qualidade.

Na El Panadero, cada fornada é única. Utilizando do mesmo fermento (um levain cuidadosamente cultivado), itens como croissant (R$ 5,60), pão de milho (R$ 3,10), pão rústico de azeitonas verde e preta (R$ 3,90) são vendidos a cada 100g.

Eles podem ser consumidos no local ou levados para casa, pelo mesmo preço. “Quando degustam no  salão, alguns clientes apenas pedem para fatiar os pães, dando preferência ao paladar autêntico do produto”, comemora Célio Rodrigues, sócio do uruguaio Júlio Ayala no empreendimento.

Célio Rodrigues concebeu o conceito da El Panadero depois de trabalhar no ramo de alimentos e bebidas de um hotel.

 “Em Brasília, ainda são poucas as padarias que investem na fermentação natural, comparadas com grandes centros como São Paulo. Ainda há desconhecimento por parte do público”, afirma. 

A maior vantagem, segundo ele, são os benefícios à saúde. “Clientes de Vicente Pires, do Park Way e até do Sudoeste já vieram até a loja indicado por médicos”, conta.


ONDE COMER

Daniel Briand Pâtissier & Chocolatier 
 
(104 Norte Bl.A lj. 62; 3326-1135), aberto de terça a sexta, das 9h 
às 22h; sábado e domingo, das 8h às 22h.

Dylan Cafe & Bakery 
(315 Sul bl.A lj. 15; 3363-1294), aberto de terça a sexta, das 10h às 19h; sábado e domingo, das 9h às 19h.

El Panadero 
(Rua 31 Sul, Lote 9, loja 3, Águas Claras; 3797-8355), aberto de segunda 
a sábado, das 7h às 22h; e domingo, das 7h às 21h.

Herbs 
(SHTN, Tr. 1, Conj. 1B, bl. C; 3424-7000) aberto todos os dias, das 6h às 10h, das 12h às 15h e das 19h às 23h. 

L’Amour du Pain 
(115 Sul, Bloco B, loja 10; 3525-5909), aberto de terça a domingo, das 7h às 22h.

Panificadora Hollywood 
(Av.Central Bl. 1000 lj.1 Núcleo Bandeirante; 3552-4743), aberto diariamente, das 6h às 21h30.

Philippe Verstraete 
(310 Norte, Bl. A, lj. 4; telefone 3964-0030), aberto de terça a domingo, das 8h às 20h.

Uai Bezinha  
(311 Sul Bl B lj 37; 3541-1000), aberto de segunda a sábado, das 8h às 20h; domingo, das 8h às 17h.

Zahia 
(CLSW 301 Bl B lj 1, subsolo; 3551-5002) aberto segunda, das 12h às 22h30; de terça a sexta, das 8h às 22h30; sábado, das 9h às 22h30; e domingo, das 9h às 20h30. 

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