Brasília-DF,
25/ABR/2017

Sexta-feira Santa! Confira dicas de restaurantes para todo tipo de orçamento

Com diferentes faixas de preço, espaços gastronômicos investem em cardápio para a Sexta-feira Santa e a Páscoa

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Rebeca Oliveira Renata Rios Vinicius Nader Publicação:14/04/2017 06:00Atualização:14/04/2017 10:29
Fernanda Aranha, do Chocolat Glacé: tíquete médio convidativo para a época festiva
 (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Fernanda Aranha, do Chocolat Glacé: tíquete médio convidativo para a época festiva

 
Peixes e frutos do mar podem ser tão atraentes quanto um alto e suculento filé bovino, a balança finalmente ficou equilibrada na disputa entre terra e mar. A associação local Haja Peixe constatou que, no Distrito Federal, o consumo de pescados é o dobro da média nacional, atualmente de cerca de 10kg ao ano, segundo a Secretária de Pesca e Agricultura.
 
Na Sexta-feira Santa e no domingo de Páscoa, a revanche dos pescados para cima do filé-mignon se fortalece, pois a tradição religiosa pede que a carne vermelha seja evitada.
 
Nas contas do chef Ronny Peterson, do Gero, esse hábito tem uma interessante contrapartida: há um incremento de 1/3 nas vendas de peixes no restaurante italiano, uma das nove casas eleitas pelo Divirta-se Mais que funcionam de hoje a domingo com menus especiais.
 
Em tempos de crise, o aspecto financeiro também foi levado em consideração. As receitas começam a partir de R$ 30, gasto médio diário do brasileiro em alimentação fora do lar. Aproveite o cenário positivo e aprecie variedades como o pirarucu da Amazônia, sugestão do Santé 13; ou o sempre presente bacalhau Gadus Mohua, à venda no Mercado 301. 

Em casa ou na rua 


Por puro preconceito, ainda há glutões que se recusam a conhecer restaurantes self-services. Há uma boa dezena de casas que trabalham no formato a quilo com padrão de qualidade. O Chocolat Glacé é um deles. Neste domingo, o estabelecimento servirá um almoço Pascoal com ingredientes selecionados e preço em conta: R$ 79,90, o quilo.
 
Receitas como o salmão inteiro desossado e recheado com cream cheese, tomate sweet grape e alcaparras preenchem o bufê montado a partir das 11h30. Palmito pupunha assado e carpaccio de queijo coalho são alguns acompanhamentos.
 
A proposta é fazer do espaço um ambiente amigável a famílias. Espaço kids com monitores garantem o merecido descanso dos pais. “A relação entre custo e benefício fica bem interessante, pois o cliente só paga o que consumir. Em tempo de crise, vale a pena”, convida a administradora Fernanda Aranha.
 
Caso a preguiça de sair de casa ou a comodidade fale mais alto, as duas combinações à base de peixe podem ser encomendas até amanhã pelo e-mail chocolatglace@chocolatglace.com.br ou pelo telefone 99649-5943. Nesse caso, custam R$ 82, o kg; e R$ 120, o kg.

'Enfeitiçado': Gerardo Costa trocou cozinha internacional pela brasileira na bucólica Vila Planalto
 (Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
'Enfeitiçado': Gerardo Costa trocou cozinha internacional pela brasileira na bucólica Vila Planalto

O charme da Vila 


Já faz alguns meses que o chef Gerardo Costa trocou as caçarolas internacionais do L’Affaire, no Hotel Mercure, pelos ares interioranos da Vila Planalto, bairro com leque de endereços com boa amostra do que é cozinha brasileira. Mineiros, baianos, gaúchos, maranhenses — as opções são vastas. Por lá, ele assumiu a cozinha do Feitiço da Vila. A mudança foi radical e prazerosa.
 
Cearense, Gerardo agora pode se realizar com receitas típicas do país tropical pelas quais tem grande apreço. “A culinária brasileira está sendo procurada e começa a ganhar o devido valor. As pessoas estão atrás dessa simplicidade, um tempero mais caseiro, como alho, cebola, pimentão e tomate”, acredita.
 
No rol de itens mais lembrados pela freguesia está a moqueca baiana de pescada branca com camarões e escoltada por arroz e pirão (R$ 89, para até três pessoas).
 
“A pescada branca tem pouca diferença em comparação à amarela. Usamos a de rio, vinda da região Sudeste, e está na época. Para moqueca, damos uma pré-grelhada. É cozido por no máximo 10 minutos ou então desmancha”, ensina. Segundo o chef, essa máxima se aplica aos peixes com carne mais sensível.
 
A mistura é marinada em azeite, pimenta-do-reino, sal e, ao final, um toque de limão. Mesma técnica aplicada ao camarão, usado na sequência para feitura do bobó escoltado por arroz de coco, farofa de dendê e batata-palha (R$ 109, para até três pessoas).

Filé de peixe do PiauÍndia: inspirado nos sabores da Índia, onde quase metade da população não come carne vermelha
 (Divulgação/NQ Comunicação)
Filé de peixe do PiauÍndia: inspirado nos sabores da Índia, onde quase metade da população não come carne vermelha

Índia, sempre bem-vinda 


Na Índia, cerca de 40% da população não come carne vermelha por questões religiosas. A vaca, para alguns, é animal sagrado. Isso faz com que o consumo de pratos vegetarianos ou com outros tipos de proteína seja algo corriqueiro —  diferente do Brasil, onde o consumo de peixe é de apenas 10kg per capita ao ano (a recomendação da Organização Mundial de Saúde é de que sejam consumidos 12kg/ano).
 
Esse hábito está representado em uma das sugestões de Nicole Magalhães, sócia do PiauÍndia Restaurante Indiano. Batizado de peixe korma (R$ 53), a receita consiste em filé de peixe  ao molho de creme de leite fresco, castanhas, uva-passa, coco e 11 especiarias. Se desejar, o cliente pode trocar o molho pelo masala, misto de temperos rico em personalidade. “Geralmente uso tilápia, pescada amarela ou lombo de pirarucu, a depender da disponibilidade”, afirma Nicole. Para harmonizar, ela indica um drinque que mistura cajuína, gengibre, cachaça Seleta e gelo, a R$ 24.
 
Os mais radicais podem trocar o pescado da Sexta-feira Santa por um prato vegano. Neste caso, boa pedida recai no thali de cogumelos (R$ 51), composto por cogumelos e abobrinhas frescos cortados em tiras finas salteados no óleo babaçu ao molho masala de tomate pelado, pimentão vermelho e especiarias.

O congro rosa é o peixe preferido no Nosso Mar
 (Adauto Cruz/CB/D.A Press)
O congro rosa é o peixe preferido no Nosso Mar

Nobreza à mesa


O pargo é um dos peixes mais nobres das águas. Por isso, Carlos Henrique Pinheiro dos Santos, do restaurante Nosso Mar, oferece uma receita com ele frito inteiro a R$ 114, com cerca de 1kg e acompanhado de arroz, farofa e vinagrete.
“O pargo é um peixe nobre por ser de águas profundas e ter o sabor suave. Como não tem espinhas e é fácil de comer, pode ser apreciado pela família toda, inclusive por crianças”, conta Carlos Henrique.
Mas a menina dos olhos dele é mesmo o congro rosa porque “não é muito gorduroso; é o melhor peixe que existe”. No Nosso Mar ele aparece em duas versões: ao molho de camarões selvagens e grelhado com alho. Nos dois casos, a porção inteira (450g de peixe) sai a R$ 160 e a meia (250g) a R$ 96

Fernando La Rocque mescla pintado e banana-da-terra no Carpe Diem
 (Mirelle Bernardino/Esp. CB/D.A Press)
Fernando La Rocque mescla pintado e banana-da-terra no Carpe Diem

Ingredientes nacionais


O Brasil está à mesa neste feriado no Carpe Diem. Isso porque o proprietário e chef Fernando La Rocque incluirá no bufê de hoje e domingo (R$ 49,90) uma receita com a cara do Brasil. Amanhã, será servida a tradicional feijoada. No domingo, o bufê do Carpe Diem ainda terá bacalhoada e paella valenciana.
 
A novidade fica por conta do pintado com purê de banana-da-terra ao molho de leite de coco e castanha-de-caju. “Escolhi ingredientes brasileiros para essa receita. O pintado é um peixe amazônico de sabor suave. A banana-da-terra dá uma textura especial ao purê, que é um ingrediente salgado, apesar do toque adocicado”, explica Fernando. O chef ressalta que o peixe e o purê estarão dispostos separadamente no bufê, para que o pintado não desmanche.

Marcos Rachelle: uvas brancas pouco conhecidas rendem ótimas combinações para a Páscoa
 (Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
Marcos Rachelle: uvas brancas pouco conhecidas rendem ótimas combinações para a Páscoa

É hora de vinho branco!


Nem só de chardonnay e sauvignon blanc precisam ser preenchidas as taças durante a Semana Santa. Com a prevalência de carnes brancas e mais leves nos menus, o período torna-se certeiro para novidades. Que tal experimentar rótulos criados a partir de uvas não tão populares quanto as citadas?
 
Marcos Rachelle, da World Wine Bsb, enumera algumas delas: cerceal, colombard, macabeo, catarratto e inzolia. “São uvas que não trazem uma mensagem óbvia”, conta o especialista consultor da World Wine Bsb. Com personalidade, têm menor produção que chardonnay e sauvignon blanc, o que explica o preço um pouco mais elevado. Entretanto, a partir de R$ 49, é possível encontrar bons rótulos (veja em Boas compras).
 
Embora ainda representem cerca de 20% do consumo de vinhos, os brancos têm tido crescimento no consumo. “Por serem bebidos gelados, são perfeitos para o nosso clima”, acrescenta. Apesar do momento de dificuldade econômica, o mercado de vinhos desse tipo não deixou de crescer no cenário nacional. Houve, de fato, mudança nos hábitos do consumidor. “Ele trocou as garrafas usuais por outras com igual qualidade e menor preço”, resume Rachelle.

Boas compras 


Grilos (R$ 49)
Português, das uvas encruzada e cerceal. É um vinho leve, refrescante e com boa acidez.
Combine com: Robalo ou abadejo grelhados, sem muito molho. Use no máximo um alecrim ou tomilho.

Longue-dog (R$ 59)
Francês, das uvas colombard e chardonnay. É um vinho redondo e com boa estrutura de boca.
Combine com: Robalo, abadejo e tilápia.

Borsao (R$ 78)
Espanhol, das uvas macabeo com chardonnay. É menos ácido e, assim como o Longue-dog, tem bastante textura de boca.
Combine com: Atum ou salmão assados

Garzon Albariño (R$ 89)
Uruguaio, da uva alvarinho. Campeão de vendas da loja no quesito vinho branco, tem uma acidez vibrante.
Combine com: Bacalhau ao forno, como o Gomes de Sá, ou peixe inteiro assado ao forno, recheado ou não.

Anthìlia Donna fugata (R$ 127)
Italiano, das uvas catarratto e inzolia. De toda a lista, é o mais intenso no paladar. O mais “gordo”, em linguagem informal.
Combine com: Bacalhau na brasa ou posta de bacalhau grelhada.
 
Nobre, bacalhau do tipo gadus mohua vem em leitura contemporânea no Mercado 301
 (Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Nobre, bacalhau do tipo gadus mohua vem em leitura contemporânea no Mercado 301

É dia de... Mercado


Cidade cosmopolita e vertical, Águas Claras ganhou, desde 2015, uma versão reduzida dos famosos mercados municipais existentes em várias capitais do Brasil. Com foco em antigos armazéns tanto em arquitetura quando na forma de preparo, o Mercado 301 sanou essa lacuna.
 
“Meus avós construíram a estrada de ferro que liga o Rio Grande do Norte ao Ceará. Passei parte da infância nesse trajeto, onde esses mercadinhos são comuns. Trago esse formato na minha memória”, conta a sócia Sabrina de Saboya.
 
Segundo a tradição, o Mercado 301 tem menu abastado se a pedida for pelo bacalhau, peixe mais famoso da Semana Santa.  Bem se sabe que bacalhau não é um tipo de peixe. É, na verdade, um forma de preparo em que se salga o pescado para incrementar o sabor e aumentar a durabilidade. Há algumas espécies mais comuns, como o saithe, utilizado na porção de bolinho portuga (R$ 42,90), tradicional bolinho de bacalhau recheado na proporção de 70% de peixe para 30% de batatas.
 
Com as lascas, a casa elabora um pastel de 25cm ao custo de R$ 19,90. Mais nobre, o gadus mohua é grelhado e recebe a companhia de risoto de parmesão e purê de mandioquinha, a R$ 69,90. Independentemente da receita, o restaurante do casal Sabrina de Saboya e Rayner Piau dessalga as peças e as mantêm confitadas (imersas em azeite) por até cinco dias. “Ao final fica como o salmão: com as lascas desmanchando”, conta Rayner.

Caneloni de robalo com massa de beterraba do Gero
 (Rafael Lobo/ Zoltar Design)
Caneloni de robalo com massa de beterraba do Gero

Alto padrão 


“A venda de  carne vermelha e de pescados se equilibra”, orgulha-se o chef Ronny Peterson, do Gero. No mês em que se comemora a Páscoa, essa conta fica ainda mais interessante: há um incremento de 1/3 nas vendas dos pescados. Em parte, devido ao trabalho criativo com as proteínas. “Quando se trabalha o molho e guarnição, os peixes alcançam outro sabor, e muda as imagens que algumas pessoas podem ter deles”, diz.
 
Basta provar o menu pascoal deste ano, servido de hoje a domingo, e comprovar a sentença de Peterson. A sequência tentadora começa com polenta branca com camarões crocantes (R$ 75). Entre os principais, bacalhau em crosta de pistache com caponata de legumes (R$ 133) ou caneloni de robalo com massa de beterraba e molho de espinafre (R$ 89).
 
A última sugestão vem com um creme com espinafre levemente picado à base de fonduta de parmesão, toque de noz-moscada, sal e pimenta. Um molho simples, mas que agrega sabor ao peixe. Cannoli com chocolate branco e chocolate ao leite com calda de frutas vermelhas (R$ 28) encerra a degustação.

Peixe amazônico, pirarucu ganha destaque na Páscoa do Santé 13
 (Destak Comunicacao/Divulgacao)
Peixe amazônico, pirarucu ganha destaque na Páscoa do Santé 13

Muito além do bacalhau


Rede hidrográfica mais extensa do mundo, segundo o Ministério do Meio Ambiente, a bacia amazônica é berço de espécies ainda pouco exploradas na gastronomia nacional. Esse ciclo vicioso se quebra no Santé 13, que pratica uma cozinha contemporânea e apresenta o filé de pirarucu da Amazônia grelhado ao molho de maracujá, com risoto à belle meunière, com camarões, alcaparras e cogumelos como uma alternativa ao tradicional bacalhau. A combinação está disponível durante todo o mês e sai por R$ 89.
 
“Este peixe é parecido com o badejo. Lá fora, é supervalorizado, enquanto no Brasil, peixes importados como o salmão são mais populares. Fico indignado que não valorizemos o que é nosso”, critica o chef Divino Barbosa.
 
É fundamental ressaltar que o peixe amazônico não é criado em cativeiro. “O que escolhemos foi criado em meio à natureza, alimenta-se apenas de frutos que caem dentro dos rios. É suculento, não é fibroso como o de cativeiro”, justifica. 
 
 “O pirarucu está em extinção por consequência da destruição humana. Quando ouvirem falar no peixe, lembrem de preservação”, alerta o chef.

ONDE COMER

Carpe Diem 
(104 Sul, Bl. D, lj 1; 3325-5301), aberto diariamente, das 12h às 23h.
 
Chocolat Glacé 
(SRTVS, Qd. 701, Conj. D, Bl. C, Ed. Centro Empresarial Brasília, Térreo; 3226-2901 e 99646-7632), aberto de segunda a sábado, das 11h30 às 15h. No domingo, excepcionalmente, das 11h30 às 16h.
 
Feitiço da Vila 
(Qd. 5, Lt. 2, Vila Planalto; próximo ao Traíra sem Espinha, em frente a Avenida Principal), aberto de segunda a quinta, das 11h às 15h; sexta a domingo, e feriados, das 11h30 às 16h.
 
Gero Brasília 
(SHIN CA 4, Lt. A, Shopping Iguatemi, Lago Norte; 3577 5520), aberto de segunda a sexta, das 12h às 15h, e de 19h à 0h; sábado e domingo, das 12h às 17h, e das 19h à 1h.

Mercado 301 
(Rua Alameda Gravatar, Qd. 301, Conj. 10, Lt. 1, próximo a Escola La Salle), aberto de segunda a sexta, das 11h à 1h; sábado e domingo, das 7h à 1h.
 
Nosso Mar 
(115 Norte, Bl. B, lj. 3; 3349-6556), aberto diariamente, das 11h à 0h.
 
PiauÍndia Restaurante Indiano 
(Acampamento Pacheco Fernandes, R. 9, Cs. 2, Vila Planalto, 3574-4234), aberto sexta, das 11h às 17h; sábado, das 11h às 23; e domingo, das 11h às 17h.
 
Santé 13 
(413 Norte, Bl. A, lj. 40; 3037-2132), aberto de segunda a quinta, das 12h às 15h, e das 19h às 23h30; sexta e sábado, das 12h às 16h, e das 19h às 1h; e domingo, das 12h às 17h.
 
World Wine Bsb 
(410 Sul, Bl. C, lj. 34; 3526-6168), aberto de segunda, das 10h às 20h; e de terça a sábado, das 10h às 23h.

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