Brasília-DF,
21/OUT/2017

Para o happy hour ou para o jantar, winebares são tendência entre os jovens

Dê um tempo de chope e cerveja e aproveite para conhecer casas na cidade em que o vinho é a estrela principal

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Rebeca Oliveira Renata Rios Publicação:28/04/2017 06:00Atualização:28/04/2017 15:06
No LaCave o bife ancho combina com vinho tinto chileno (BeChance/Divulgação)
No LaCave o bife ancho combina com vinho tinto chileno

O consumo de vinhos está crescendo entre os jovens. Nos EUA, uma pesquisa divulgada no ano passado pela organização Wine Market Council mostrou que 42% de todo o vinho comercializado no país foi adquirido por pessoas com idade entre 21 e 38 anos.
 
A tendência se repete em Brasília. Basta notar o boom de winebares no DF. Dos botecos tradicionais, onde a cerveja impera, eles tomam emprestado o ar descontraído e o menu com aperitivos de fácil degustação.
 
Aberto há pouco mais de um ano, o IVV Swine Bar é um caso de sucesso. Desde o início, a intenção era eliminar a ideia de que a bebida só está atrelada a restaurantes caros. 
 
“Foi bom perceber que após nossa inauguração outros wine bars surgiram. O que fizemos de diferente foi criar um ambiente muito despojado”, acredita a administradora Ariela Lana, que comanda a empreitada com o sommelier Eduardo Nobre.
 
Apesar de ser crescente a procura por um público de faixa etária menor, Cláudio Takahafhi, da Ares dos Andes, afirma que o comportamento em relação ao vinho continua mais cauteloso se comparado à tradicional breja gelada ou outras bebidas mais populares. Há várias razões para isso. Uma delas é o preço, um pouco mais elevado. Outra está embutida no que a própria experiência representa.
 
“Há muitas marcas de cervejas e troca-se com facilidade se alguma delas estiver em falta no bar. Já o vinho pede degustação e é mais difícil mudar o rótulo preferido sem experimentar ou conhecer”, acredita o empresário. Para conhecer, é preciso provar. Desafiar-se e experimentar novas combinações. Justamente o objetivo desses lugares. É um ciclo virtuoso que começa, e parece longe de acabar.
 

Vinho sem frescura

O produtor de eventos e empresário Marco Túllio Correa reparou que os hábitos de consumo de vinho estavam mudando. Entre amigos e família, as cenas cotidianas iam se alterando, numa constância cada vez maior.
 
“Percebi uma tendência forte da bebida migrando de momentos a dois para situações sociais, em grupos. Mas diferentemente da vodca ou da cerveja, vinho é mais para aproveitar o momento do que encher a cara”, conta.
Diante dessa observação, ele decidiu sair da posição de cliente e abriu o próprio wine bar no Sudoeste, em parceria com o amigo Igor Soares. O nome, LaCave, remete aos espaços subterrâneos em que as garrafas descansam para ganhar complexidade.
 
Uma das apostas do empreendimento é o chileno Corazón Del Indio, blend de carménère e cabernet sauvignon, ao custo de R$ 139,90. A garrafa faz dupla perfeita com o bife ancho ao molho de mostarda dijon com batata rústica (R$ 52,90). No menu, também se sobressai a bruschetta de presunto de parma, parmesão e tomate-cereja confitado (R$ 31,90, com seis unidades).

Vinho tinto e carne vermelha: combinação clássica na World Wine (Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Vinho tinto e carne vermelha: combinação clássica na World Wine
 

Um mundo entre os rótulos

A world wine abriu, no final do ano passado, mais precisamente em 1º de dezembro, primeiramente como uma adega. Mas os adoradores de vinho podem comemorar: desde 7 de março, a loja ao lado foi destinada para o wine bar da marca. “É uma proposta legal, fica um de frente para o outro, o cliente pode comprar um vinho na adega e beber no wine bar sem precisar pagar a rolha”, afirma o proprietário do local, Marcos Rachelle.
 
Marcos sugere duas harmonizações para quem deseja conhecer a casa. A primeira, com vinho branco, é uma burrata (R$ 45). O queijo, feito com leite de búfala, tem uma consitência cremosa e é gorduroso. Por isso, Marcos sugere um vinho branco, com mais estrutura.
 
“Laroche charbonnay (R$ 83) é um vinho ótimo para harmonizar com o preparo. O chileno tem untuosidade e estrutura. Para se harmonizar, é necessário um balanço entre a comida e a bebida”, explica o proprietário.
 
Outra alternativa, já com vinho tinto, é o meatpizza (R$ 28). Como o nome sugere, o preparo tem relação com a redonda, mas passa longe do formato tradicional. A carne vem em um disco, como se fosse um hambúrguer, coberta por tomate, manjericão e granapadano. “Nesse caso, sugiro o Chianti Superiore (R$ 178). É um vinho mais leve, não é tão encorpado, mas tem uma ponta de acidez, necessária por causa do queijo.
 
José Filho indica o rosé para o calor tropical (Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
José Filho indica o rosé para o calor tropical
 

Rosé, por que não?

Na enoteca decanter, além de comprar bons vinhos, desde 15 de março, o cliente pode se sentar e se deliciar no wine bar instalado no fundo da loja. Fazem parte do menu diversos preparos, com grande gama de harmonizações, devido à  quantidade de rótulos disponíveis. Entre as alternativas de combinação, o gerente José Filho Anjos sugere que o cliente experimente harmonizações com vinho rosé, “bebida com características mais leves. É um vinho mais floral.”
 
Casamento perfeito é com o clássico e refrescante carpaccio (R$ 27) — lâminas finas de contrafilé, molho de alcaparras, grana padano e rúcula. “Esse é um prato leve, em que o elemento mais forte é o molho, que não atrapalha na harmonização”, explica. Para harmonizar, boa pedida recai sobre o Prado Rey (R$ 116, a garrafa; ou R$ 20, a taça — 100ml). “É um rosé da uva tempranillo com toque de frutas frescas e morango. Funciona bem com a carne, que é leve e sem gordura”, explica José.
 
Outra alternativa para combinar com o rosé, ou também com um vinho branco, é o ceviche de camarão (R$ 25), feito com manga, camarão, cebola roxa e suco de limão. “Esse prato tem sabores tropicais e não é tão ácido quanto o ceviche de peixe. Por isso, a harmonização funciona tanto com vinhos brancos quanto com o rosé”, pontua. Uma companhia para a receita seria o vinho branco francês Muscadet surlie (R$ 105, a garrafa, ou R$ 18, a taça — 100ml).

%u201CA melancia absorve o molho e da um toque especial para o prato%u201D, Raquel Amaral (Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
%u201CA melancia absorve o molho e da um toque especial para o prato%u201D, Raquel Amaral

Dos petiscos ao prato principal 

A chef raquel amaral, da Raquel Amaral Personal Chef, é a responsável por criar e assinar o cardápio do wine bar Domaine Bar a Vin.  “Temos uma máquina dosadora, com opções variadas de vinhos. A grande maioria é de rótulos do Velho Mundo, por serem mais caros. É uma forma de torná-los mais acessíveis”, explica a chef.
 
Entre as criações do cardápio, o robalo maçaricado vem guarnecido do tartar de melancia com molho oriental (R$ 27). Para facilitar a vida do cliente, a harmonização vem sugerida — nesse caso as sugestões são: Tamaya — Estante Chardonnay (R$ 62) e Le Petit Maynne Bordeaux (R$ 75).
 
Para quem vai dividir e quer um preparo diferenciado, a sugestão é a pedra de sal do Himalaia. “É uma pedra de sal bruto que vem à mesa como um raclete e em duas formas, mar (R$ 65) ou terra (R$ 56)”, explica Raquel. A pedra do mar vem com camarões e lulas, para serem colocados no calor. Já a da terra vem com filé-mignon. Além disso, ambos contam com abobrinha, brócolis, bacon, cogumelos frescos, tomate-cereja e manteiga de ervas que pode ser pincelada com um bouquet garnis.

Os vinhos de sobremesa são uma harmonização pouco exploradas (Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
Os vinhos de sobremesa são uma harmonização pouco exploradas

Um dos primeiros

O grand cru surgiu em Brasília, primeiro como uma importadora de vinho, mas graças à ousadia do sócio Fernando Rodrigues, o local ganhou um wine bar, que atualmente é replicado em outras lojas Grand Cru. “Em agosto deste ano completamos 10 anos de wine bar. Essa é uma combinação ótima, pois o vinho é uma bebida que pede por comida, um valoriza o outro se bem harmonizados”, afirma Fernando.
 
A casa trabalha com diversas entradinhas para quem deseja petiscar enquanto toma um bom vinho, mas investe também em harmonizações menos comuns, como a do vinho com doces. “O chocolate, por exemplo, é um tabu na hora de harmonizar”, pondera Fernando, que dá algumas alternativas de harmonização, como para sobremesas com chocolate ao leite, um vinho do Porto. Já no caso de preparos em que o chocolate está presente, mas não é predominante, um tinto seco, como o shiraz, pode dar conta do recado.
 
Para quem deseja provar as combinações de vinhos e doces, o proprietário sugere as segundas harmonizadas. Toda segunda-feira, os chefs da casa ganham carta branca para criar uma sequência de entrada, prato principal e sobremesa, tudo harmonizado. “Uma das sobremesas que já comi nesse menu e me marcou foi a baba ao rum harmonizada com o francês Muscat Beaux de Venize (R$ 269, para tomar na loja; ou R$ 219, para levar).

Carlos Soares propaga a bebida para a geração Y no Wine Moving, uma bike de vinhos (Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Carlos Soares propaga a bebida para a geração Y no Wine Moving, uma bike de vinhos

Outras vertentes 

Não são só os wine bars que fazem dos vinhos bebidas mais populares. Há outras iniciativas que os aproximam de todo tipo de glutão. 
 
Uma das mais famosas é o Wine Moving, um wine bike pedalada pelo sommelier Carlos Soares. Com a magrela, ele vai a feiras e eventos. Os preços começam em R$ 10 (preço dado a taça de espumante nacional).
 
Criador do clube de vinhos Gourmet Butler, Guto Jabour também olhou e investiu em jovens na casa dos 30 anos na festa Wine n’ Music, balada que “harmoniza” música com quase 100 rótulos da bebida de Baco. A 5ª edição acontece na próxima sexta-feira, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (SESC, Tr. 2). Os ingressos custam R$ 350, à venda no site www.wineandmusic.com.br. Os cantores Guga Camafeu e Jesunton estão confirmados entre as atrações do evento, mais uma forma de dar um “chega para lá” a qualquer formalidade envolvendo o mundo do vinho.

Rivalidade, que nada! Ares dos Andes aproxima Brasil e Argentina  (Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Rivalidade, que nada! Ares dos Andes aproxima Brasil e Argentina

Vida longa, hermanos!

Desde 20 de janeiro deste ano a loja da Ares dos Andes passou a funcionar, também, como wine bar. “Fornecemos vinho para cerca de 40 restaurantes da cidade. Nestes locais, apenas uns cinco ou seis rótulos se faziam presentes. Queríamos mostrar nossa variedade”, diz o proprietário  Cláudio Takahafhi.
 
Agora, o cliente vai à loja e degusta o vinho em taça, extraído com auxílio da máquina Enomatic, com oito bicos. Eles saem em diferentes dosagens.
 
Blend com 50% malbec e 50% pinot noir acrescido de gás carbônico, o Ji Ji Ji custa R$ 8,16 (60ml) ou R$ 16,32 (120ml).
Os valores “quebrados” têm uma razão. Ao preço exato da garrafa, Cláudio acrescenta apenas 10% pela taxa de serviço.
 
Mais que justo para um vinho recentemente considerado rótulo revelação em premiação especializada, o Guia Descorchados.
Empanadas argentinas da marca local La Porteña completam a experiência pautada pelos sabores do vizinho latino-americano. Há sete sabores, todos pelo preço de R$ 6,90. O de carne suave vem com carne bovina, ovo, azeitona verde, uva passas, sal e orégano. Vegetariana, a mediterrânea tem berinjela, cenoura, abobrinha italiana, azeitona verde, azeite de oliva extravirgem e orégano.

Ariela Lana, do IVV Swine Bar: ar informal garantiu boa aceitação do empreendimento  (Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Ariela Lana, do IVV Swine Bar: ar informal garantiu boa aceitação do empreendimento

Despojado e bem-sucedido 

No início, somente um clube de vinhos. Depois, também um bar descolado onde a bebida milenar brilha sem afetação. Ela vem bem-casada com comidas no estilo tapas, para beliscar entre um gole e outro. O IVV Swine Bar representa como poucos o conceito pelo qual os brasilienses têm se apaixonado.
 
Toda semana, o casal Ariela Lana e Eduardo Nobre recebe cerca de 400 pessoas em busca dessa receita. São jovens que querem tomar vinho (ou coquetéis à base dele) sem precisar estar “na beca”. O espaço para abrigar os clientes mais que dobrou desde a abertura, há pouco mais de um ano. “Fomos de seis mesas para 14”, orgulha-se Ariela Lana.
 
Mesmo combinações triviais ganham novos olhares e releituras. A tradicional tábua com mel, castanhas e frutas secas mais queijos (R$ 42) carrega itens selecionados por Eduardo, que se volta à produção regional brasileira, como o Imperial Serra do Salitre, o Cabra Chic (50% de leite de cabra e 50% de vaca) e o Giramundo, levemente picante e lavado com suco de beterraba.
 
O fato de o IVV não ter um sommelier vestido de terno e gravata ajuda o freguês a se sentir confortável para pedir ajuda. Com os queijos, por exemplo, a equipe vestida de jeans e camiseta sugere o gaúcho Aracuri Pinot Noir, com preço promocional de R$ 85. Ao custo de R$ 20, o drinque Tannat & Tônica vem com gim, tônica, vinho tannat e vinho do porto. O coquetel reforça um dos pontos altos da casa: misturas autorais e surpreendentes.

Uma taça e tábua de frios entre um voo e outro? Já é possível, graças a Wine & Co (IMC Group/Divulgação)
Uma taça e tábua de frios entre um voo e outro? Já é possível, graças a Wine & Co

Para voar sem medo

O wine & Co, pertencente ao grupo IMC (que comanda também os restaurantes Viena e Red Lobster) engrossa a lista de wine bars de Brasília com um projeto que foge do comum. Primeiro pela localização, no Terminal 1 do Aeroporto JK.
Segundo, pelo projeto arquitetônico informal em modelo de quiosque. Sem complicação, o cliente escolhe um dos 18 rótulos entre tintos, brancos e espumantes, em taça ou garrafa.
 
No pouco tempo de funcionamento foi possível constatar os queridinhos dos passageiros: o pinot noit chileno Cono Sur Bicicleta custa R$ 99, a garrafa. A taça é vendida por R$ 24 (187ml). O argentino Chakana da uva malbec tem o mesmo valor.
 
A empresa de food service La Pastina é a responsável pelas comidinhas práticas de se comer com as mãos, típicas de quem está indo ou voltando de viagem. Com azeite extravirgem, aceto balsâmico e flor de sal, a baguete tostada sai por R$ 11,90.
Por R$ 45,90 e mais classuda, a tábua de frios combina gorgonzola, parmesão, brie, provolone e gruyère a presunto cru e salame italiano. Para finalizar, opta-se por um molho: geleia de damasco, geleia de pimenta ou mel. 

ONDE COMER

Ares dos Andes 
(408 Sul, Bl. B, lj. 23; 3551-7563), aberto de segunda a sábado, das 10h às 22h.
 
DomaineBar a Vin
(104 Sul, Bl. A lj 23; 3321-1120), aberto de segunda a sábado, das 17h à 0h.  
 
Enoteca Decanter 
(208 Sul, Bl. A, lj 16/20; 3349-1943), aberto de quarta a sexta, das 17h às 22h e sábado, das 12h às 15h.

Grand Cru 
(SHIS QI 9/11, Bl. L, lj 6, 3368-6868), aberto segunda, das 19h à 0h; e de terça a sábado, das 12h às 16h, e das 19h à 0h.

IVV Swine Bar 
(314 Norte, Bl. B, lj. 21; 3034-3471), aberto de quarta a sábado, das 18h à 0h.

LaCave 
(CLSW 301, Bl. C, lj. 1, subsolo; 3263-3255), aberto de terça a domingo, das 17h ao último cliente.

Wine & Co 
(Terminal 1, Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek), aberto diariamente, das 7h às 22h.

Wine Moving Bike 
(99355-2011 ou vinhoemmovimento@gmail.com), confira a agenda e horários na página facebook.com/wine.moving.

World Wine Bar
(410 Sul, Bl. D, lj 1; 3526-6168), aberto de terça a sábado, das 18h à 0h.

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