Brasília-DF,
22/AGO/2017

Comemore o dia de São João com quitutes típicos para comer rezando

Aproveitando os festejos ao maior símbolo das festas juninas, o Divirta-se Mais coloca o chapéu de palha, ensaia a quadrilha e te mostra onde encontrar os pratos

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Rebeca Oliveira Renata Rios Publicação:23/06/2017 06:00Atualização:22/06/2017 17:07

Sábado (24/6), é dia de um dos mais reconhecidos santos do período, São João. O santo que batizou Jesus, segundo a Bíblia, é conhecido por ser o protetor dos casados e dos enfermos. E também virou sinônimo de boa mesa. É nessa época em que os festins regionais se intensificam e pipocam de canto a canto do país.
 
Cada estado carrega peculiaridades culinárias. Vasta como só ela é, Brasília agrega tradições de várias partes do Brasil. Do Nordeste vem o tradicional cuscuz, também consumido em São Paulo, por exemplo. De Minas Gerais, delícias com fubá e goiabada. De Goiás, pamonha e curau.
 
Boa parte dos quitutes citados fazem parte, no ano inteiro, do bufê e do cardápio à la carte do Uai Bezinha!, na 311 Sul. “Fazemos um projeto de resgate da cultura mineira em Brasília. O ambiente leva cada cliente a se sentir em casa, a se sentir acolhido”, defende Tereza Côrtes, sócia do empreendimento e nascida em Vazante (MG).
 
No entanto, o clima caipira, de cozinha de raiz, não contagia apenas as casas inspiradas em cidades interioranas. O descolado MimoBar & café, na 105 Norte, se rendeu, mesmo sem querer, aos encantos do milho. No enxuto menu, brilha o dadinho de pamonha escoltado por geleia de pimenta.
 
A nítida inspiração cosmopolita não impede que espaços como o Crô, na 109 Norte, usem e abusem do onipresente amendoim. Doce e indefectível, uma manteiga feita com o ingrediente recheia croissants feitos com esmero, em uma demonstração clara de que ninguém resiste ao São João.
 
Equipe da Uai Bezinha!: genuinamente caipira, com atendimento cordial
 (Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Equipe da Uai Bezinha!: genuinamente caipira, com atendimento cordial
 

Sabor da roça

Uma exaltação à vida e aos sabores simples do campo, o Uai Bezinha! completou o primeiro aniversário em abril, mas continua em festa. A decoração com balões e fitas coloridas ampliada com toalhas xadrezes que revestem as mesas entregam o entusiasmo do espaço com a chegada da festa de São João. O atendimento cordial da equipe faz parte do projeto, que abraça o cliente e o faz sentir-se no conforto de uma fazenda mineira.
 
Naturais de Vazante, ao noroeste de Minas Gerais, Tereza Côrtes e Lara Côrtes, mãe e filha, não precisaram mudar uma vírgula do cardápio com a chegada do arraiá. O menu nasceu com o pé na roça e assim se mantém ao longo do ano, com itens como chá de canela com maçã (R$ 6) e curau de milho verde (R$ 6).
 
Versátil, o cuscuz de milho pode vir com carne seca e cebola, calabresa e cebola, ou ovo mexido com bacon. Ele também aparece  no café colonial (R$ 38,50) servido aos fins de semana e feriados.
 
Tá combinado?
O café colonial é um xodó dos clientes do Uai Bezinha! Porém, a lista de predileções agrega os concorridos combinados de café da manhã. Um deles chama-se Demais da conta (R$ 32,50), que serve até cinco pessoas. Entre outros quitutes, o preço dá direito a tapioca de presunto e queijo, quatro bolinhos de chuva e um cuscuz com ovo mexido.
 
No Morgganna%u2019s são servidos 26 variedades de caldos por dia (Helio Montferre/Esp. CB/D.A Press)
No Morgganna%u2019s são servidos 26 variedades de caldos por dia

Caldos a perder de vista

O morgganna’s surgiu há 18 anos, no Guará 2, com a proposta de ser um restaurante self-service voltado para o almoço, mas logo no início, a proprietária da casa, Juraci Ferreira da Silva, percebeu que essa não era a melhor aposta e mudou o foco dos almoços para os caldos. “Aqui, a maioria das pessoas são funcionárias públicas, não tinha muito movimento no almoço, então tive a ideia dos caldos”, relembra.
 
Atualmente, a casa trabalha com o almoço e com os caldos, ambos por R$ 42,90, o quilo, de segunda a sexta, e R$ 45,90, no fim de semana. “Temos muitos caldos, mas o favorito é o vaca atolada. São 26 caldos por dia e tentamos variar sempre os sabores, para ninguém enjoar”, promete.
 
Entre os sabores que Juraci oferece, além do favorito, estão caldo de moela, sururu, creme de dourada, creme de milho verde com peito de frango e mais uma infinidade de sabores. “O meu maior cuidado é que os caldos estejam sempre com uma boa qualidade. Escolhemos os ingredientes frescos e fazemos os caldos diariamente”, pondera.
 
Para o tempero, a proprietária logo afirma: “Eu gosto muito de coisa caseira, fresquinha. Meu tempero é alho, cebola, noz moscada, açafrão colorau. Nada industrializado”, garante.
 
No Santana, galinhada pode ser servida com a galinha inteira ou apenas metade (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
No Santana, galinhada pode ser servida com a galinha inteira ou apenas metade

É tempo de galinhada!

No santana restaurante, o cliente é quem manda na hora de escolher como a tradicional galinhada da casa será servida: com tudo misturado, na forma de galinha mexida; ou com cada ingrediente servido separadamente. 
 
A receita pode vir em dois tamanhos. A grande leva uma galinha inteira (R$ 140), serve de cinco a seis pessoas e é guarnecida com arroz, quiabo, milho, feijão e pirão. A pequena (R$ 90) serve de duas a três pessoas e segue o mesmo formato.
 
“Tomamos muito cuidado com a qualidade do animal que usamos. Escolhi trabalhar com fornecedores de galinha caipira de Goiás, pois os animais são de primeira qualidade”, promete  Santana Araújo Rodrigues.
 
Já na hora de vir à mesa, o cliente pode pedir pela galinha já misturada com os ingredientes ou pelo formato tradicional. 
Santana revela que o grande segredo é a panela em que a receita vai à mesa: “Usamos uma panela de pedra-sabão, pois ela mantém o calor por muito tempo.”
 
Quitutes juninos da Gamela são muito procurados (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Quitutes juninos da Gamela são muito procurados
 

40 anos e na moda

Em novembro, a Gamela Biscoitos Caseiros completará quatro décadas em funcionamento. Muitos dos quitutes vendidos têm combinações tradicionais, intocáveis desde que a primeira broa de milho saiu quentinha do forno. 
 
Essa combinação de receitas assinadas por várias gerações e a fidelidade aos sabores goianos — a família é de Catalão, a 318km de Brasília —  salta aos olhos nos meses de festas regionais como o São João.
 
Arroz-doce (R$ 29 o quilo), curau (R$ 29), pé de moleque (R$ 33) e empadão goiano (R$ 33) são apenas quatro entre as 12 sugestões da Gamela moldadas ao período, sem concessões a invencionices gastronômicas. Exceto por uma questão de saúde: as versões diet do arroz-doce (R$ 35) e do curau (R$ 35).
 
“Delícias como estas começam a ser vendidas em junho e vão até setembro devido à intensa demanda dos clientes”, comemora Mário Nicoletti, a terceira geração da família à frente do comércio. Bateu preguiça de ir até a loja na 406 Sul?
Eis uma solução: eles trabalham com telentrega com taxa de R$ 8 para Asa Sul e Asa Norte, preço que muda à medida que a localidade se afasta do centro da capital.
 
Dadinhos de pamonha com geleia de pimenta do descolado MimoBar & café (Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Dadinhos de pamonha com geleia de pimenta do descolado MimoBar & café
  

Arraiá “cool”

Com estrutura em contêineres, cadeiras de praia espalhadas pelo “salão” e pallets, o MimoBar & café, novidade na 105 Norte, parece arquitetado milimetricamente para o céu de Brasília. Toda a estrutura é aberta e, portanto, permite que se aprecie o pôr do sol, especialmente colorido no mês de junho.
 
O clima é de informalidade e o cliente é quem se serve, o que dispensa o pagamento da taxa de serviço. O cardápio guarda uma preciosidade com RG caipira. O menu enxuto de comidinhas é assinado por Marcelo Calil, da vizinha pamonharia Kalu, e tem entre os atrativos os dadinhos de pamonha com geleia de pimenta (R$ 15). 
 
Eles não foram criados especialmente para os períodos juninos, mas se encaixam perfeitamente nos festejos de São João.
Eclético que só ele, o dadinho faz as vezes de quitute interiorano se apreciado com café coado (R$ 8) ou de tira-gosto noturno quando combinado aos drinques da casa. A Mimosa, casamento de espumante com suco de laranja, custa R$ 15.
 
Milk-shake de pipoca, novidade do Durango Burger (Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Milk-shake de pipoca, novidade do Durango Burger
 

Pipocando

Já se foi o tempo em que a pipoca era consumida pura, temperada apenas com manteiga e um pouco de sal. Ou então na versão doce, com mais açúcar do que muita gente gostaria. Comum em quermesses e eventos juninos, ela foi repaginada.
 
Recheios e coberturas diferentes deram novo fôlego à receita. De flor de sal a trufas, de curry a Leite Ninho. Agora, uma nova fase se inicia com o uso da pipoca na finalização de criações surpreendentes como bolos, tortas e outras sobremesas.
 
Vale, inclusive, colocá-la no milk-shake. Foi o que fez a equipe do Durango Burger, em Águas Claras. Desde maio, faz sucesso a mistura de sorvete de creme, caramelo e essência de pipoca, por R$ 18. Por cima da cobertura de chantili, algumas pipocas estouradas dão a crocância necessária.
 
Os brigadeiros gourmet do Mãe&Filha Ateliê dão um toque especial às comemorações juninas (Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Os brigadeiros gourmet do Mãe&Filha Ateliê dão um toque especial às comemorações juninas
 

Muito além do trivial

O mãe&filha Ateliê surgiu há 6 anos, justamente de um preparo junino, a canjica. Marcella Pinho costumava fazer a guloseima para a família, e a mãe dela, Cristina Nasser, começou a vender o quitute. “Hoje nosso maior produto são os bolos, mas continuamos com os brigadeiros gourmet, pois é o produto que trabalhamos desde o início”, explica.
 
Para o período junino, os brigadeiros aparecem em versões próprias, prometendo ser a estrela da festa. Marcella lista os sabores: “Brigadeiro de cachaça com mel, brigadeiro de paçoca, brigadeiro de pé de moleque, brigadeiro de mel e canela com Amarula”. Os brigadeiros gourmet custam R$ 290, o cento. Se o cliente desejar que a bolinha venha em um chapéu de São João, o cento passa para R$ 350. Já os brigadeiros no pote variam entre R$ 10 e R$ 12, a unidade.
 
O outro forte do ateliê, os bolos (R$ 165, o quilo) chegam em duas versões: a primeira agrada tanto os amantes de chocolate quanto os de amendoim: bolo de paçoca com brigadeiro. A outra é o bolo com crocante de pé de moleque. Vale pontuar que a dupla trabalha apenas com encomendas e são necessários sete dias de antecedência.
 
Em dois croissants sazonais, Vera Ladeira faz releitura de um clássico junino (Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Em dois croissants sazonais, Vera Ladeira faz releitura de um clássico junino
 

Quando o Brasil encontra a França

No pé de moleque, na paçoca e até no brigadeiro. O amendoim é onipresente e tão importante quanto a mandioca e o milho no “anarriê”. 
 
Uma das muitas formas com o qual ele tem sido usado é na fabricação de manteiga de amendoim, insumo muito comum nos Estados Unidos que começa a fisgar os glutões brasileiros.
No Crô, charmoso café especializado em croissants, a pasta saborosa prestou-se a duas receitas sazonais feitas para o mês de junho.
 
Na primeira alternativa, predominantemente doce, o pão de origem francesa vem com manteiga de amendoim e banana caramelada. A segunda possibilidade é consumi-lo salgado, incluindo, nos mesmos ingredientes, uma boa porção de chips de bacon. Ambos custam R$ 19, o tamanho grande, e R$ 14, o médio. Eles chegam, provisoriamente, para somar a outros 28 sabores fixos.
 
“Amo a gastronomia francesa, mas fazer o croisssant é um desafio. A farinha tem que ser mais forte, sustentar a massa. É um pão com muita manteiga mas, o ideal, ao comer, é que fique leve e bastante crocante”, explica Vera Ladeira, uma das sócias do empreendimento.
 
“Embora tenha essa paixão pela França, também defendo que precisamos ter orgulho do que é nosso e o que nos representa à mesa. Se penso em usar nozes, substituo por amendoim”, emenda. 
 
Canjica com milho branco, coco e leite de inhame da Bálsamo Congelados Saudáveis (Divulgação / Lambada Comunicação)
Canjica com milho branco, coco e leite de inhame da Bálsamo Congelados Saudáveis
 

Sem glúten nem lactose 

Mesmo em época de quentão e companhia, a Bálsamo Congelados Saudáveis manteve-se fiel ao conceito de proporcionar uma alimentação saudável aos clientes, a preço acessível. Capitaneada pelo chef Pedro Coe, a marca adaptou-se à festa de São João e desenvolveu um kit com quitutes típicos, todos sem glúten ou lactose. Os itens são 100% naturais e, devido a um processo de ultracongelamento, dispensam conservantes.
 
Custa R$ 43,90 o kit com feijão-branco com cuscuz, caldo de milho com espinafre, um pacote com cocada com gengibre e pé-de-moleque com açúcar mascavo e, por fim, uma canjica doce vegana, sem ingredientes de origem animal.
 
Composta por milho branco, coco ralado, leite de inhame, açúcar demerara, canela, amendoim e raspas de limão- siciliano, a última receita pode ser adquirida em separado, em embalagem de 220g (R$ 11). 
 
A compra é feita pelo site da empresa ou em mais de 40 pontos de venda espalhados pelo Distrito Federal.
 

ONDE COMER

Bálsamo Congelados Saudáveis 
(à venda no site www.balsamocongelados.com.br e pelo WhatsApp 99339-5424), entregas em todo o Distrito Federal, de segunda a sexta, das 8h às 18h; e sábado, das 8h às 12h.
 
Durango Burger 
(Rua 31 Sul, Lt. 9, lj. 4, Águas Claras; 3553-1454), aberto diariamente, das 17h30 às 23h30.
 
Crô 
(109 Norte, Bl. C, lj. 31; 3034-3001), aberto de segunda a quinta, das 13h às 22h; sexta e sábado, das 13h às 23h30.
 
Gamela Biscoitos Caseiros 
(406 Sul, Bl. D, lj. 23; 3244-0628), aberto de segunda a sábado, das 9h às 19h.
 
Mãe & Filha Ateliê 
(maeefilha@live.com, WhatsApp: 99646-9546 ou telefone: 99983-3483), atendimento de segunda a sexta, das 8h às 18h.
 
MimoBar & Café 
(105 Norte, Bl. C), aberto de quarta a domingo, das 15h às 22h.
 
Morgganna’s 
(QI 27, Bl. A, lj 24, Guará 2, 3383-2767), aberto diariamente a 11h às 15h, e das 17h à 0h.

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