Brasília-DF,
28/JUL/2017

Vai uma breja? Movimento de valorização de cervejas locais ganha força

O surgimento de novas marcas artesanais e a consolidação de fábricas como ponto de encontro ajudam a impulsionar este mercado

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Rebeca Oliveira Renata Rios Publicação:30/06/2017 06:00Atualização:30/06/2017 11:50

Puras, frescas e abertas a novidades. Diferentemente das cervejas industriais fabricadas em grande escala, as brejas artesanais agregam matérias-primas locais à composição. Esta semana, o Divirta-se Mais apresenta rótulos produzidos por brasilienses que traduzem a alma da cidade.
 
O segmento dominado por multinacionais passa por uma fase de mudanças, batizada de “Beba Local”. O movimento incentiva a compra de cervejas regionais e teve um boom nos Estados Unidos há cerca de 15 anos, ao propor maior conexão entre quem faz cerveja e quem a toma. 
 
A cerveja local tem os aromas preservados e não sofre com o transporte ou variações de clima, que pode oxidá-la e comprometer a experiência final. 
 
Marco Aurélio, da Máfia Beer, e o casal Jean Stevens e Rafaela Miolo, da JinBeer, são vistos como desbravadores. Criaram as duas primeiras microcervejarias de Brasília com o selo do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Além de desenvolverem rótulos próprios, as duas empresas pavimentam o caminho de outras brejas, como a Cerrado Beer, criada para agregar insumos de uma das regiões com maior diversidade de flora do planeta.
 
A Uma Beer entrou nesse movimento em janeiro. Os rótulos Jazz e Rock são feitos pela cervejaria Klaro, em Goiânia, de forma cigana. Esse é nome dado quando uma cervejaria aluga o espaço de outra e terceiriza a produção. 
 
A Uma Beer leva a receita e o savoir-faire e a empresa goiana tira a ideia do papel. Essa tem sido a fórmula encontrada por muitas marcas iniciantes para driblar dificuldades como o elevado custo para comprar um maquinário industrial, que custa em torno de R$ 400 mil.
 
A Stadt Cervejaria é uma aposta da marca para se consagrar ainda mais na cidade
 (Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
A Stadt Cervejaria é uma aposta da marca para se consagrar ainda mais na cidade
 

Chope pioneiro

Com anos de tradição em Brasília, o Stadt Bier resolveu mudar os ares e o nome, agora Stadt Cervejaria. “Isso é parte da nossa nova proposta de se posicionar no mercado como uma cervejaria daqui”, garante o gerente comercial da marca, Júlio César Ribeiro.
 
A casa trabalha com seis tipos de chope: o pilsen, chamado de capital; o lager, batizado de Brasília; o weiss, que é chamado de JK; o delirius, um strong lager; um cooler de uva, bebida mista de uva à base de chope com o nome de ipê-roxo; e o lançamento mais recente, o monumental, uma American IPA.
 
“Atualmente, temos 28 pontos de venda fixos, entre eles a franquia do Stadt Bier”, explica o gerente. Para quem vai apostar na casa que leva o antigo nome da marca, a sugestão é pedir pelo salsichão com batata recheada (R$ 38,50) com o chope delirius, que sai a partir de R$ 9. Ele e todos os sabores estão disponíveis na loja.

Breja à vista
Em setembro, a Stadt Cervejaria lança oficialmente três rótulos de suas primeiras cervejas engarrafadas. A Capital, a Delirius e a Monumental ganham lugares nos balcões e cardápios brasilienses, seguindo a mesma lógica dos chopes.
 
Cerveja Jazz, da Uma Beer, vem com QR Code que dá acesso à playlist do gênero (Uma Beer/Divulgacao)
Cerveja Jazz, da Uma Beer, vem com QR Code que dá acesso à playlist do gênero
 

Ao som de jazz

Cerveja e música. A combinação nunca deu errado e, em janeiro, ganhou uma relação mais estreita em Brasília. Foi quando a Uma Beer lançou Jazz, primeiro rótulo da cervejaria brasiliense. No estilo belgian bold ale e com teor alcoólico de 6,8% (R$ 20, 500ml), a breja é suave e, nem por isso, deixa de ser complexa —  assim como o gênero musical que a inspirou.
 
“Construímos uma receita mais adocicada, e com menos amargor pensando em pessoas que estavam migrando da cerveja industrial para a artesanal. Os pilares ficaram bem equilibrados. Usamos cinco tipos de malte e dois tipos de lúpulo”, orgulha-se Alex Marques, sócio de Danilo Lima na empreitada.
 
O nome da cerveja faz menção ao famoso convite: “vamos tomar uma?”. Quem compra a Jazz percebe que, na garrafa, há um leitor de QR code. Ele dá acesso a uma playlist no serviço de streaming Spotify com clássicos do gênero. 
 
A ideia será mantida em todas as criações, como a Rock, uma IPA prevista para chegar ao mercado em julho. Ela custará R$ 22 (500ml). “A IPA é uma cerveja interessante para o mercado brasileiro. Tem aromas cítricos que remetem ao país. Leva maracujá, laranja, limão, especiarias e outros adjuntos, como manjericão”, acredita Danilo Lima.
 
Cerrado Beer e 400Quatrocentos: parceria entre produtores e chefs (Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Cerrado Beer e 400Quatrocentos: parceria entre produtores e chefs
 

Orgulho do cerrado 

Todas as cervejas artesanais vendidas no 400Quatrocentos, de Tonico Lichtsztejn, são genuinamente brasilienses. A escolha do chef se dá por várias questões. Uma delas, a valorização do movimento Beba Local.
 
Um dos rótulos disponíveis no bar de Tonico chama-se Tamanduá Bandeira (R$ 24, 500ml), hop brown ale da Cerrado Beer. A cerveja com maltes torrados e toque de chocolate foi lançada para o projeto Pontapé, da Corina Cervejas Artesanais, espécie de incubadora de pequenos produtores que não tinham como viabilizar as receitas e lançá-las no mercado.
 
Empanados com bagaço de malte, o croquete de carne de panela (R$ 25) ou o de abóbora com calabresa defumada (R$ 25) parecem nascidos para a breja desenvolvida por Denilson Postai, André Braga e outros três amigos.
 
Tonico, Denilson e André afirmam, em uníssono, que o cerrado tem muito a oferecer tanto no âmbito cervejeiro quanto no gastronômico. Nessa premissa, vale experimentar o sanduba 400 (R$ 21,50), que consiste em bife e queijo servidos dentro de uma baguete semi-integral com castanha de baru de Pirenópolis, perfeito se combinado com a Caliandra do Cerrado (R$ 24, 500ml), uma vienna lager suave que será lançada no mês que vem.
 
“Nosso grande sonho é fazer cerveja com todos os ingredientes locais, com insumos plantados e cultivados na cidade”, conta Denilson. “A cerveja artesanal é cara. Eu, como dono de bar e cervejeiro, busco estimular o cervejeiro local a trabalhar com a questão do preço. Um rótulo feito no nosso quintal tem condições de chegar mais barato do que um que vem de fora”, acredita Tonico Lichtsztejn.
 
Eduardo Golin: Corina Cervejas Artesanais atua em múltiplas frentes (Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Eduardo Golin: Corina Cervejas Artesanais atua em múltiplas frentes
 

Vaquinha multiuso 

Há três anos, a Corina Cervejas Artesanais saiu às ruas de Brasília com uma kombi personalizada de vaca. Não leiteira, mas cervejeira. As torneiras engatadas com chopes lembravam as tetas do mamífero. No ano passado, a “vaquinha” ganhou um ponto fixo. Desde então, circula na cidade e estaciona no Curral da Corina, no SOF Norte.
 
Eduardo Golin, um dos sócios da marca, explica melhor: “Nunca foi nossa intenção apenas vender cerveja e satisfazer o consumo de uma parcela mínima da população.” O cerne do projeto está em popularizar as artesanais e fazer delas um produto viável tanto para quem faz quanto para quem vende.
 
No galpão, pode-se comprar as cervejas da Corina e participar das atividades culturais que estão acontecendo com cada vez mais frequência, sempre de quinta a sábado. 
 
Cinema, gastronomia e música são o foco. A Linda, leve e solta Pêiu Êiu sai por R$ 10, com 300ml, ou R$ 26, no litro, para quem levar o próprio growler (garrafão próprio).

Para Taguá 
Hoje, o Galpão está em festa. Será lançada a cerveja Taguá, uma saison criada em comemoração aos 59 anos de Taguatinga. Ela nasce de uma parceria da Corina com a hamburgueria O Carcará, que fica na casa 10 da QSA 11, na cidade brasiliense quase sessentona.

Rótulos nacionais dominam a carta do Empório Iracema (Carlos Moura/CB/D.A Press)
Rótulos nacionais dominam a carta do Empório Iracema

Êta, Brasilzão!

No empório iracema, a proprietária Giovana Lima escolheu uma aposta ousada, mesmo em tempos de cervejas artesanais. A casa não trabalha exclusivamente com cervejas artesanais e todos os rótulos disponíveis no cardápio são do Brasil.
 
Entre as cervejas brasilienses que Giovana oferece está a 061 IPA (R$ 36), da microcervejaria X. “Mais encorpada, é muito popular entre quem já costuma beber cerveja artesanal, mas é um pouco forte para quem não tem o hábito”, alerta Giovana.
Para quem está começando, uma boa pedida é a Blanc do cerrado (R$ 44), também da X, feita de trigo com especiarias, casca de laranja e semente de coentro. “É uma cerveja refrescante e leve”, promete.
 
Acompanhando as brejas, Giovana serve as bruschetas da casa: tradicional (R$ 25), com tomate sweet grape, pesto artesanal de manjericão, queijo parmesão; caponata (R$ 28), com berinjela e queijo de cabra; cogumelos (R$ 32), com shitake ou shimeji na manteiga e shoyo; ou parma (R$ 28), com queijo de cabra, parma, alecrim, mix de pimentas moídas e flor de sal.

O Beira chopp é uma opção que conquistou o coração e o paladar de quem frequenta o Beirute (Antonio Cunha/CB/D.A Press )
O Beira chopp é uma opção que conquistou o coração e o paladar de quem frequenta o Beirute

Tradição no copo

O mais que tradicional Beirute foi uma das primeiras casas a investir na produção de bebidas artesanais em Brasília. A Beirabier rapidamente tomou o coração da clientela, que atualmente clama pela volta da bebida.
 
“Estamos terminando de fechar algumas questões para retomar a produção. Até o fim do ano, ela deve voltar ao cardápio e inclusive acrescentar uma variedade, a IPA”, promete Francisco Emílio, proprietário do local.
 
Enquanto isso, o chope continua firme e forte e ganhou a segunda variedade. O Beira chopp (R$ 6,50, com 340ml) foi criado em 2011 e é uma bebida leve, boa para os dias mais quentes. Já o Beira chopp puro malte (R$ 7,50, com 340ml) é uma versão bem cremosa e potente. “Essa é uma bebida mais forte, com um toque de amargor. Os clientes receberam muito bem e já tem uma ótima saída”, garante o gerente Lincoln Carlos.
 
Se a ideia é uma refeição, o parmegiana (R$ 82,50) é  consagrado. O quibe frito (R$ 6,60, a unidade) e o quibeirute (R$ 9,90, a unidade) — com queijo-prato de recheio e molho tártaro para acompanhar — também são boas opções de petiscos.

As cervejas artesanais da Criolina Cervejaria agregam mais qualidade ao bar do Galpão (Reprodução Instagram)
As cervejas artesanais da Criolina Cervejaria agregam mais qualidade ao bar do Galpão

Noite animada

De produções culturais a uma cozinha rotativa repleta de rótulos artesanais em seu cardápio, o Galpão da Cervejaria Criolina é um sucesso entre quem frequenta a noite brasiliense. No local, a clientela pode escolher entre as duas versões da cerveja da marca, a IPA Criolipa (R$ 12), ou a Lager Criolager (R$ 10), além de contar com um chef diferente por mês.  Em junho, o convidado foi Gustavo Urbano Blasetti, do Il Basílico.
 
A Criolipa foi criada em outubro do ano passado. Na receita, o amargor vem dos cinco tipos de lúpulo. Apesar de forte, a breja tem um sabor frutado e tropical. “Uma cerveja com a cara do Criolina!”, garante Thiago Pezão, que comanda o espaço com Rodrigo Barata, Micaela Neiva e Patricia Herzog.
 
Outra opção é a Criolarger, alternativa mais leve. “É ideal para a introdução de quem ainda não conhece muito sobre cervejas artesanais. Ela é leve e fácil de beber, ficando mais próxima de cervejas populares, mas, por ser uma cerveja artesanal, fazemos o dry hopping (adição de lúpulo durante a fermentação da cerveja)”, complementa.

Programa para hoje? 
Hoje, o Galpão da Cervejaria Criolina recebe a Social Samba Rock. O evento é produzido em parceria com a Cerrado Beer. A casa tem programação cultural entre quinta e domingo, variando as atrações e horários a cada semana. Acompanhe pela página do Facebook.
 
Athenipa, uma das cervejas produzidas em Vicente Pires pelo casal Jean Stevens e Rafaela Miolo, da JinBeer Craft Brewery (Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Athenipa, uma das cervejas produzidas em Vicente Pires pelo casal Jean Stevens e Rafaela Miolo, da JinBeer Craft Brewery

Saindo na frente 

A jinbeer craft Brewery foi a primeira cervejaria legalizada do DF. Desde novembro do ano passado, foi autorizada pelo Ministério de Agricultura a vender cerveja, como chope ou engarrafada. Desde então, a fábrica em Vicente Pires desenvolve brejas de 10 estilos diferentes.
 
Uma das mais famosas é a American IPA Athenipa (R$ 10, com 300ml), maltada e amarga, com aromas herbáceos que remetem a frutas amarelas. Outra, a Black Street Dog (R$ 10, 300ml), uma India Black Ale tostada que lembra café. 
Ambas podem ser tomadas “direto” da fonte porque o casal Jean Stevens e Rafaela Miolo, criadores da marca, abriu um brewpub no mesmo espaço da fábrica, com funcionamento toda sexta-feira.
 
“Começamos a fazer cerveja em casa em 2013. Um ano depois decidimos abrir a cervejaria, sonho que se concretizou em abril do ano passado”, conta Jean. Até dezembro eles pretendem dobrar a produção atual, na casa dos 8 mil litros por mês.
 
Como a gastronomia não é o foco da dupla, eles convidam food trucks para responder pelos quitutes. Caso do Rancho Food Truck. Versátil, a batata canoa (R$ 8) pode ser consumida pura, com xis salada (R$ 22) ou com o hambúrguer do rancho (R$ 25), feito no brioche e recheado com maionese caseira, alface-americana, tomate-cereja, 170g de hambúrguer bovino, queijos muçarela de búfala e gorgonzola gratinados, bacon crispy e cebola caramelizada.

Marco Aurélio aposta em visita guiada pela Máfia Beer para atiçar a curiosidade dos cervejeiros (Minervino Junior/CB/D.A Press)
Marco Aurélio aposta em visita guiada pela Máfia Beer para atiçar a curiosidade dos cervejeiros

Fábrica de brejas

A máfia beer é   uma das marcas que, aos poucos, ganha espaço nos balcões brasilienses. A cerveja apareceu pela primeira vez em 2015, mas foi apenas em janeiro deste ano que Marco Aurélio Faria conseguiu adequar a fábrica da cerveja a todas as exigências governamentais.
 
Atualmente, a fábrica trabalha com cinco rótulos fixos e um sazonal (o Colab, feito em parceria com outras marcas). Os preços do litro variam entre R$ 15 e R$ 66. 
 
A American Lager (4,5% de teor alcoólico) e a Wit Beer (4,7% de teor alcoólico) são duas opções que o sócio da cervejaria indica para quem deseja degustar a bebida o dia todo ou está aprendendo sobre as cervejas artesanais. “São cervejas bem fáceis de beber”, sugere.
 
Para quem é entendido das cervas, as sugestões são a American Pale Ale e a India Pale Ale, cervejas mais populares entre quem gosta das cervejas artesanais. “Temos um bar na fábrica e o cliente pode conhecer o produto e a produção”, conta Marco. Ele serve batata frita com queijo e bacon (R$ 22), hambúrguer de blend de carnes (R$ 18) e carne de sol com queijo (R$ 28).


ONDE COMER

400Quatrocentos 
(410 Norte, Bl. E, lj. 8), aberto de terça a domingo, das 17h à 0h.

Beirute
(109 Sul, Bl. A, lj. 2/4; 3244-1717 e 107 Norte, Bl. D, lj. 19; 3272-0123), aberto segunda a quarta, das 11h à 1h; quinta a sábado, das 11h às 2h; e domingo, das 11h à 1h.

Curral da Corina 
(SOF Norte, Qd. 1, Conj. B, Lt. 11), aberto quinta, das 20h à 0h; sexta, das 17h à 0h; e sábado, das 10h às 18h.
 
Empório Iracema
(116 Norte, Bl. B, lj 32; 3032-1826), aberto de terça e quarta, das 16h às 23h, quinta a sábado, das 17h à 1h.

Galpão da Cervejaria Criolina
(SOF Sul, Q. 1, cj B, lt 6; 98335-1258), aberto quinta, das 19h às 2h; e sexta, das 19h às 2h.

JinBeer Craft Brewery
(Rua 5, Chácara 278, Lt. 9, lj. 3, Vicente Pires; 3575-0046), aberto sexta, das 18h às 23h.

Máfia Beer
(Bom Sucesso, Conj. 11, Lt. 26, São Sebastião; 3553-7252), aberto sexta, das 18h à 1h; e sábado, das 11h às 16h.

Stadt Bier
(409 Norte, Bl. A, lj. 3; 3344-6777), aberto de terça a sábado, das 17h às 2h.

Uma Beer 
(SHN, Qd. 5, Bl. D, Square Loja Colaborativa, Hotel Athos Bulcão, ao lado do Brasília Shopping), aberto de segunda a sexta, das 9h às 19h30; e sábado, das 15h às 19h30. As cervejas também podem ser adquiridas via site e WhatsApp (98537-8375 e 99535-3165), de segunda a sábado, das 10h às 20h.

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