Brasília-DF,
20/SET/2017

Maria de Fátima foi do bolo de aniversário do filho ao ateliê de sucesso

A cake designer Maria de Fátima completa 30 anos na profissão com uma saída de até 40 bolos decorados por fim de semana no ateliê da W3 Norte

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Rebeca Oliveira Publicação:15/09/2017 06:00Atualização:15/09/2017 09:44
Clássico ou contemporâneo? Maria de Fátima completa 30 anos de carreira com bolos que refletem a personalidade dos clientes ( Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Clássico ou contemporâneo? Maria de Fátima completa 30 anos de carreira com bolos que refletem a personalidade dos clientes

Fascinada pela arte da confeitaria, Maria de Fátima começou a carreira que exerce há 30 anos de forma despretensiosa. Morava em São Paulo e precisava de um bolo para o primeiro aniversário do filho, Bruno Ferreira. Sem nunca ter feito um único doce de forma profissional, buscou referências em ateliês, armarinhos e publicações do ramo. “Nessa época não existia internet e eu nem conhecia computador”, brinca.

A explicação faz sentido. Hoje, a web permitiu uma infinidade de alternativas aos boleiros profissionais. Uma rápida pesquisa da palavra bolo em sites de busca traz mais de 150 milhões de resultados que vão de como elaborar uma massa a ideias criativas de decoração.
 
Autodidata, Maria de Fátima aprendeu “na marra”, à base de suor e pesquisa. “Como dona de casa sempre fui muito dedicada. Comecei a fazer bolos para vizinhos e amigos, até que cheguei ao nível de cobrar por eles”, recorda-se. 
 
“Não ficava satisfeita com os bolos chapados. Passei a fazer modelagens e bonecos diferentes para que o doce fosse visto até por quem estava longe da mesa principal da festa”, relembra. A matéria-prima, à época, era o glacê mármore, que remete aos tempos da vovó.
 
“Feito de açúcar, clara de ovo e limão, era um produto superdifícil de se trabalhar”, diz. No Brasil, nesse período (o ano de 1987), a pasta americana passava longe de ser conhecida. Quando o material que permite todo tipo de acabamento chegou ao Brasil, e depois de dominar a técnica, o trabalho da cake designer ganhou outro patamar. Maria de Fátima mudou-se para uma casa no Lago Norte e, nove anos atrás, montou um enorme ateliê na W3 Norte. Da média de oito bolos por fim de semana no início da vida profissional, saltou para até 40 unidades decoradas —  fora da conta estão os do tipo copa (mais simples) e as tortas.
 
A decoração também aparece em bolos menores ( Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
A decoração também aparece em bolos menores
 

Famílias inteiras

A história de Maria de Fátima se associa a de muitos clientes. Algumas famílias a acompanham durante todo o período. “Tenho clientes de décadas e que pedem sempre o mesmo bolo”, comenta. 
 
Mais clássicos, os bolos de noivas costumam seguir a linha tradicional, na cor branca ornamentados com flores. A moda de casamentos mais intimistas trouxe um novo comportamento. Em vez de um bolo imenso e sozinho em uma grande mesa, surgem  três ou quatro bolos pequenos, caso dos naked e os com finalização espatulada.
 
Na outra ponta estão os fregueses abertos a novidades e a temáticas sazonais. Principalmente na linha infantil. Uma delas é a decoração de unicórnio, multicolorida e lúdica. O ser mitológico virou febre e não foi diferente no segmento de designer de bolos. O tema divide espaço com a figura de flamingos, outra tendência.
 
“Daqui a pouco aparece outra coisa”, diz, aos risos, com a promessa de se adequar a todos eles. Maria de Fátima garante: inovação não faltará. Para isso, está sempre à procura de itens que saltem aos olhos. Em algumas situações, literalmente. Ela foi uma das responsáveis por popularizar as maquetes em 3D, com dimensões que desafiam a gravidade.
 
“Quando comecei não existia faculdade de gastronomia em Brasília, somente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Eu era enlouquecida para fazer uma. Mas achava que não conciliaria as duas atividades. Há dois anos eu me formei e realizei esse grande sonho. Até hoje sou incansável em aprendizado. Minha mãe me falava: você passa a vida aprendendo e morre sem saber. Aprendi muitas coisas que pude aplicar ao meu negócio”, encerra.


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