Brasília-DF,
17/AGO/2018

É primavera: Flores comestíveis invadem pratos e drinques

Chegada da primavera leva estabelecimentos de Brasília a lançarem novo olhar sobre pratos, drinques e bebidas com flores comestíveis

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Rebeca Oliveira Renata Rios Publicação:22/09/2017 06:00Atualização:22/09/2017 11:38

Rosas, laranjeiras, hibiscos, camomilas e brincos de princesa deixam o pomar e invadem a cozinha com a chegada da primavera, que tem início amanhã. Não há período mais adequado para pedir por entradas, pratos principais, sobremesas e bebidas com inclusão de flores comestíveis.
 
A nova estação é representativa para Nicole Magalhães, fundadora do PiauÍndia. O restaurante indiano começou como uma bodega e depois funcionou na casa da chef, ambas no Lago Sul. Anos depois, migrou para uma  casa na Vila Planalto. A data de inauguração, 23 de setembro, não foi escolhida por acaso. “Temos muita presença das flores, tanto nos pratos quanto na decoração”, comenta.
 
No El Paso, como na música da banda Los Hermanos, a primavera sopra para caminhos mais felizes. “É quando volta a chover na cidade”, brinca o chef David Letchig, que ainda não se acostumou com os efeitos da seca brasiliense. A boa nova é que, mais que trazer uma bela estética para a capital, a estiagem colabora com uma melhor colheita de frutas, legumes e verduras.
 
“As flores são muito representativas na cultura mexicana”, complementa, dando um sentido filosófico à alegria que invade a unidade da Asa Sul durante o período. Além das fontes de água do salão abarrotadas de flores, o menu do El Paso se curva ao encanto da estação com três ceviches sazonais.
 
Ao contrário de David, a pizzaria Avenida Paulista e o restaurante Empório Árabe se deleitam com o exótico sabor  de janeiro a janeiro. Em ambos, a delicadeza das rosas surge para dar um visual um tanto quanto afrodisíaco a algumas sugestões. Mais leves, no entanto, são os sucos com chá de hibisco do Club Life To Go, franquia paulista de comida saudável.
  

Fonte da felicidade

Ceviche de salmão ganha ar primaveril com a inclusão de flores comestíveis.
Ceviche de salmão ganha ar primaveril com a inclusão de flores comestíveis. "Dão um sabor cítrico", garante o chef David Letchig
É impossível entrar no el paso da 404 Sul e não se sentir impactado com as fontes d’água instaladas no meio do salão. Elas viraram um atrativo no espaço, sobretudo por estarem sempre recobertas por flores —  e, particularmente, por simbolizarem as crenças de David Letchig. Imagine, então, a alegria do chef quando o mês de setembro chega ao final e a nova estação dá as caras.
 
“A primavera combina muito com o México. A região central onde o país está povoado, antiga capital asteca, é bastante árida. E o fato de ter flores em casa confere uma alegria ao ambiente. Em Brasília, a estação representa a época da chegada das chuvas, o que, particularmente para mim, é muito bom”, comenta.
 
O chef peruano tem tanto apreço pela florada que a traduz nas caçarolas. A partir de hoje três ceviches do estabelecimento terão inclusão de flores comestíveis. O primeiro deles, por R$ 36, tem cubos de salmão com cebola roxa e leche de tigre com ají amarillo, espécie de pimenta originária do Peru, país onde David nasceu.
 
Outra sugestão, a R$ 39, combina polvo, camarão, peixe-branco e lula, todos marinados no leche de tigre, o molho à base de peixe e especiarias que está no DNA de um bom ceviche. Por último e não menos importante surge um com ares mexicanos, composto por peixe-branco, tomate, cebola e abacate em cubos mais leche de tigre, por R$ 35.
 
“As flores têm um sabor cítrico e, justamente por essa característica, são compatíveis com o ceviche”, ensina David. Para que elas não murchem, o chef as inclui apenas na hora de finalizar as receitas.

Tradição milenar

A água de rosas é amplamente utilizada na gastronomia árabe
 (Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
A água de rosas é amplamente utilizada na gastronomia árabe
No empório árabe, Lídia Nasser agrega toques pessoais à tradicional gastronomia árabe. Entre criações e receitas tradicionais, a chef mescla o uso de insumos dessa cultura com ideias autorais e inovadoras.
 
Para quem procura um prato que invista tudo nas flores, o Flower fish (R$ 64,90) é a opção. Trata-se de um robalo grelhado ao molho de vinho e figo turco. Para acompanhar, um aromático arroz de jasmim, feito com água de rosas e com a flor brinco de princesa. “Esse é um prato agridoce, com o molho do peixe adocicado e o arroz salgado, apesar do toque das flores”, esclarece a chef.
 
A tradicional água de rosas aparece no suco de uva (R$ 9,90). “O sabor fica mais refrescante”, revela Lídia. Ela ainda afirma que a água de rosas é muito utilizada na cultura árabe, não apenas na gastronomia.

A pizza entrou na dança

Com as pétalas glaceadas, o sabor suave da rosa compõe pizza da Avenida Paulista (Pedro Nossol/Divulgação)
Com as pétalas glaceadas, o sabor suave da rosa compõe pizza da Avenida Paulista
Na avenida paulista, a pizza ganha diversas coberturas, desde as combinações clássicas até preparos mais ousados e inesperados. Entre as redondas que chamam a atenção no cardápio, a pizza de pétalas de rosas glaceadas desponta (R$ 75, a grande, R$ 61, a média). “A principal função da rosa é estética, mas o sabor dela é muito agradável e suave. A receita fica muito boa”, explica o proprietário Roberto Magnani.
 
Na receita, a massa da pizza não vem coberta pelo tradicional queijo — no lugar, recebe uma generosa camada de sorvete de creme. Por cima, uma farofa crocante à base de chocolate e flocos e, claro, as pétalas. Elas são glaceadas para acentuar os sabores, e gentilmente espalhada sobre a receita. “Essas pétalas passam por um processo de esterilização e secagem. O glaceado é feito tanto para preservar a flor quanto para deixar um sabor mais presente no prato”, explica Magnani.
 
O preparo não é o único entre o rol das sobremesas, que também conta com pizza de banana, açúcar, canela e rum (R$ 59, a grande; R$ 44, a média) ou a pizza de chocolate com cereja (R$ 59, a grande; R$ 44, a média). Porém, Roberto garante que a pizza de rosas não fica para trás: “As pessoas pedem muito por essa pizza para datas especiais, como aniversários, casamentos e comemorações em geral.”

Redondamente... florido

Nicolas Fujimoto, pizza de alcachofra: saudável servida no DuoO (Antonio Cunha/CB/D.A Press)
Nicolas Fujimoto, pizza de alcachofra: saudável servida no DuoO
Uma nova atmosfera tomou conta do DuoO desde o início desta semana. Conhecido por investir em receitas sem glúten ou lactose, o restaurante passa a funcionar durante todo o dia a partir de outubro, quando servirá quitutes assinados pela chef Lidiane Barbosa ao longo da tarde. A casa ganha ainda um minimercado, onde serão vendidos insumos congelados para usar em casa, como o molho de tomate artesanal que recobre as redondas vendidas a partir das 18h.
 
Se a ideia é continuar comendo pizza por lá, vale pedir a que leva o nome de Rio Bonito. Por R$ 78 (8 fatias) ou R$ 55 (4 fatias), a massa é coberta com molho pomodoro pelatti, muçarela de búfala, coração de alcachofra (uma planta do qual comemos as flores), alcaparras (também uma flor), alho laminado, tomate-cereja e manjericão. “Tivemos a primeira forneria do Brasil livre de glúten, instalada no Sudoeste. Atualmente, trouxemos a operação toda para a Asa Sul para evitarmos o risco de contaminação cruzada, pois havia um restaurante japonês ao lado da pizzaria”, conta o sócio Nicolas Fujimoto.
 
A massa é feita com farinha de arroz e biomassa de banana-verde (para diminuir o índice glicêmico do primeiro ingrediente). Para torná-las ainda mais saudáveis, a partir desta semana, inclui-se na receita farinha de linhaça, uma forma de deixar a redonda integral, com digestão mais lenta e maior saciabilidade.
 

É um bolo ou um jardim?

Os bolos do Ateliê Mãe e Filha tem opções com decorações de flores comestíveis (Arquivo Pessoal/Divulgação)
Os bolos do Ateliê Mãe e Filha tem opções com decorações de flores comestíveis
Na hora de escolher um bolo do Ateliê Mãe e Filha, o cliente se depara com opções personalizáveis. A massa, o recheio e até a cobertura podem ser moldados de acordo com as preferências pessoais. Entre as alternativas para decorar estão as flores, nos mais variados formatos e sabores.
 
Marcella Pinho, uma das sócias do ateliê, acredita que as flores têm um papel similar ao da salada. “As flores, na verdade, funcionam como uma salada no prato principal, dando o toque saudável na porção do doce”, defende. Ela ainda explica que são diversos os tipos de flores disponíveis. “Nós damos preferência às de cores mais vibrantes e sem agrotóxicos, uma que trabalhamos muito é a brinco-de-princesa. O toque que elas dão é bem sutil, dando mais um frescor no paladar”, descreve.
 
Após o cliente se decidir entre a massa de baunilha suave ou a massa de chocolate com cacau belga; chega a hora de escolher o recheio, que conta com opções como doce de leite argentino, brigadeiro belga tradicional, brigadeiro branco e brigadeiro de crème brûlèe. “A massa de baunilha com recheio de brigadeiro de crème brûlèe é o que mais agrada o gosto de nossa clientela”, conta Marcella.

Primaveril desde a essência

Gulab jamon (ao centro): bolinho repousa na delicada água de rosas feita de forma artesanal (Rebeca Oliveira /CB)
Gulab jamon (ao centro): bolinho repousa na delicada água de rosas feita de forma artesanal
No mesmo dia em que a primavera dá um tom multicolorido a Brasília, o PiauÍndia Restaurante Fusion Indiano celebra dois anos em atividade. Pode parecer mera coincidência, mas a data foi escolhida pela culinarista Nicole Magalhães depois de fazer um mapa astral para o estabelecimento e ver que aquela seria a data ideal para o empreendimento “nascer”.
 
O encantamento de Nicole pelas flores não se encerra na atmosfera espiritual ou decorativa. São muitas as receitas com inclusão de algumas espécies, de forma direta ou indireta. O gulab jamun (bolinho de leite na calda de cardamomo, a R$ 11) repousa em uma delicada água de rosas artesanal.
 
“Misturo água, mel e pétalas de rosas vermelhas e rosa. Coloco todos juntos na mesma panela e deixo reduzir”, comenta. Igualmente artesanal, a calda de flor de laranjeira é usada na confecção do keer (R$ 11), doce comum de norte a sul da Índia e muito parecido com o arroz-doce. Ele é adoçado com açúcar de uva-passa e finalizado com nozes, castanha-do-brasil e castanha-de-caju picadas.
Tanto o keer quanto o gulab jamun combinam com os cafés especiais da casa.

Farmácia do bem 

Flor que virou hit no universo fitness, hibisco também é moda na coqueteria. No Taj, alguns drinques levam esse ingrediente
 (Andréia Marliere/Divulgacao)
Flor que virou hit no universo fitness, hibisco também é moda na coqueteria. No Taj, alguns drinques levam esse ingrediente

A decoração suntuosa com projeto do arquiteto Guilherme Bez, o cardápio oriental com olhar para a cozinha indo-asiática e a boa (e agitada) música fizeram do Taj Bar um dos empreendimentos mais procurados pelo público brasiliense nos últimos meses. Boa parte desse burburinho se deve ao que sai das taças. Os drinques são elaborados em um cantinho batizado de Taj Pharmacy, parecido com as boticas do século passado e cardápio dividido de acordo com as “prescrições”.
 
Na seção de tônicos revigorantes aparecem algumas bebidas em que são usados as flores de hibisco. O chá da flor de cor vermelha intensa virou moda pelas propriedades diuréticas, que auxiliam na perda de peso. Esse boom também aconteceu no segmento de coquetelaria e, pelo sabor refrescante, o item passou a ser usado com mais frequência.
 
No Taj Bar o hibisco entra como cordial (um concentrado feito de ervas, flores ou de frutas) na elaboração do Hibiscos Gin Tonic (com Gin Tanqueray, água tônica, hibiscos e limão). “Faço um cozimento e acrescento o açúcar”, diz. Há uma versão sem hibisco chamada de Ginger Gin Tonic (uma mistura de Gin Tanqueray, água tônica, gengibre e limão siciliano). Os dois são vendidos por R$ 32,90. A ideia de Julio César, da equipe do Pharmacy do Taj Bar em Brasília, é “despertar sensações”.
 
 

Suco + chá 

Suco e chá ou suchá: frescor engarrafado no Club Life To Go. Hibisco figura entre as opções ( Divulgação / Club Life To Go)
Suco e chá ou suchá: frescor engarrafado no Club Life To Go. Hibisco figura entre as opções
Em funcionamento há menos de um mês na 103 Sul, o Club Life To Go é uma rede de fast-food diferente, idolatrado por quem prefere alimentação saudável. Ali, o cliente compra os preparos separados e porcionados. Pode levar para casa ou comer no local.
 
É dessa forma que também são vendidos os suchás. Com alto potencial hidratante, a bebida mistura o melhor de dois mundos, suco e chá, em combinações refrescantes vendidas a R$ 12, a embalagem com 300ml. Faz sucesso os que levam chás de fruta, caso do de hibisco com frutas vermelhas mais limão siciliano. Outra alternativa recai no de hibisco, maçã verde e hortelã.
 
A camomila tem sua vez em um suchá com abacaxi ou maracujá, pelo mesmo valor dos anteriores. “São sucos prensados a frio e sem adição de água. Isso não tira as vitaminas e minerais das frutas e das hortaliças. Já a infusão do hibisco é feito na casa, diariamente, como grande parte de tudo que é vendido”, salienta Saulo Sarmento, responsável pela vinda da marca queridinha de digital influencers para Brasília.

 
Uma surpresa no bule

Ao ser colocado na água, o chá oriental se abre e revela a flor de jasmim (Cookers cozinha criativa/Divulgação)
Ao ser colocado na água, o chá oriental se abre e revela a flor de jasmim
Quem vai ao cookers cozinha criativa descobre, além de um cardápio de pratos salgados de respeito, sobremesas como a cheesecake. Mas por que não acompanhar essa delícia com um belo chá, aproveitando os tempos de café do local?
 
A dica é pedir o chá oriental, um chá-verde com de flor de jasmim (R$ 30, o bule). O interessante é que a flor se abre quando colocada na água. “É um efeito bem bonito, os clientes às vezes pedem pela curiosidade. Ele fica bem leve e ao mesmo tempo com um cheiro bem característico da jasmim, que ainda deixa a bebida adocicada”, descreve Thaíza Pacheco, sócia da casa.
 
A companhia pode ser o festival de cheesecake (R$ 22), que conta com cinco fatias pequenas, com coberturas à escolha do cliente. “O chá combina bem com o cheesecake por não ser uma sobremesa tão doce”, explica. Para quem preferir pedir a fatia em separado, Thaíza sugere a calda de frutas amarelas (R$ 19)


ONDE COMER


Ateliê Mãe e Filha 
(WhatsApp 999830-3483), encomendas de segunda a sexta, das 9h às 18h. Avenida Paulista (SCES, Tc. 2, Lt. 41Ç; 3255-6000), aberto segunda, das 18h30 à 0h; terça a quinta, das 12h às 14h30, e das 18h30 à 0h; sexta, às 12h às 14h30, e das 18h30 à 1h; sábado, das 12h às 15h30, e das 18h30 à 1h; domingo, das 12h30 às 15h30, e das 18h30 à 0h.

Club Life To Go 
(103 Sul, Bl. C, lj. 6; 3224-4278), aberto de segunda a sexta, das 11h às 20h; e sábado, das 11h às 18h.

Cookers Cozinha Criativa 
(412 Norte, Bl. B, lj. 12 e 20; 3033-8434), aberto de terça a sábado, das 12h às 23h.

DuoO 
(103 Sul, Bl. C, lj. 36; 3224-1515), 
aberto de segunda a sexta, das 12h às 15h, e das 19h às 23h; sábado, das 12h às 16h e das 19h às 23h, e domigo, das 12h às 16h, e das 19h às 22h. 

El Paso Latino 
(404 Sul, Bl. C, lj. 19; 3323-4618), aberto de terça a quinta, das 12h às 15h, e das 18h à 0h; sexta e sábado, das 12h às 16h, e das 18h à 0h; e domingo, das 12h às 16h; e das 18h às 23h.

Empório Árabe 
(Av. Castanheiras, Lt. 060, lj. 24, Ed. Vila Mall; 3436-0063), 
aberto diariamente, das 10h à 0h; (215 Sul, Bl. A, lj. 3; 3363-3101), aberto diariamente, das 11h à 0h.

PiauÍndia Restaurante Fusion Indiano 
(Acampamento Pacheco Fernandes, Rua 9, Cs. 2, Vila Planalto; 3574-4234), de terça a sábado, das 11h30 às 23h; e domingo, das 11h30 às 17h.

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