Brasília-DF,
21/NOV/2017

Uma viagem pela gastronomia indiana em Brasília

O Correio apresenta um pouco da gastronomia indiana e sugere locais onde é possível viajar sem sair da mesa

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Beatriz Queiroz* - - Renata Rios Publicação:20/10/2017 06:00Atualização:20/10/2017 16:51
Pratos típicos indianos tomam conta de restaurantes brasilienses (Carlos Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Pratos típicos indianos tomam conta de restaurantes brasilienses
 
A comida indiana é exótica, cheia de aromas e sabores. Ainda crescendo na capital, essa gastronomia está caindo cada vez mais no gosto do brasiliense. Talvez o primeiro choque cultural entre a gastronomia indiana e o paladar nacional seja o fato de a religião hindu não permitir a ingestão de carne de vaca. “Não são todos os indianos que são hindus, mas a carne de vaca é de fato um produto incomum”, explica o indiano Subash Vadakkekudy, proprietário do Taj Mahal. As alternativas são igualmente deliciosas, como a carne de cordeiro ou frango temperado com especiarias que vão além do curry.
 
Outro ponto que causa estranheza entre alguns é a pimenta. Polêmica, como sempre, ela é comum nos preparos dessa cultura. A proprietária do PiauÍndia, Nicole Magalhães, explica que a pimenta tem um papel que ultrapassa o do sabor. “Em um país tão quente, as pessoas procuram elevar a temperatura dos órgãos para não sofrer tanto com o calor”, pontua. 
 
Mas a pimenta está longe de ser o único tempero indiano. “A comida do meu país é rica em sabores, muito além apenas do ardido”, defende Deepak Raykway, do Indian House. 
 
O apreço pelas especiarias se estende ao preparo das comidas que podem exigir mais de um dia, segundo Arjun Khajuria, dono do Ashram e do Kannika. Ele explica que o cliente vê apenas o prato pronto, mas que o importante é a forma como ele foi feito. “Você gasta duas horas para fazer o molho e a pessoa enxerga apenas o frango”, conta, entre risos.
 

Chá a qualquer hora

Os ingredientes do chai têm aromas e sabores marcantes (Bruno Peres/CB/D.A Press)
Os ingredientes do chai têm aromas e sabores marcantes
 

Chá preto, cardamomo, canela, cravo, gengibre, açúcar e leite são os ingredientes de uma das bebidas mais populares da Índia: o chai. “É como o nosso cafezinho: em toda loja, toda esquina, o pessoal costuma vender. E não existe uma fórmula padrão, cada um faz do jeito que preferir”, explica o dono da Vincent Casa de Chás, Kleber Sampaio.
 
Na casa, o chai é servido em bules de 200ml (R$ 11) ou de 700ml (R$ 27) e pode ser tradicional ou descafeinado. Por ter um preparo artesanal, o padrão do chá pode ser modelado ao gosto do cliente. “A procura é grande, os clientes costumam elogiar, já ouvimos até que o nosso estava melhor do que o que o cliente tomou na Índia”, conta o proprietário, entre risos.
 
Para acompanhar o chá, ele indica o scone (R$ 4,50 —  duas unidades), que tem um sabor mais neutro e vem acompanhado de geleia e manteiga. Outra opção é a torta de leite ninho com geleia de frutas vermelhas (R$ 6), que possui uma massa leve e um toque de acidez que contrasta bem com o chá.

Típico e contemporâneo

As samosas de paneer são uma opção diferenciada do tradicional petisco indiano (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
As samosas de paneer são uma opção diferenciada do tradicional petisco indiano
 
Em busca de oferecer uma nova proposta de entretenimento para o brasiliense, o Taj Bar completa três meses nesta semana. Com uma culinária voltada para o lado oriental e asiático do mapa, o local agora oferece um novo cardápio, com foco nos países separadamente.
 
“Começamos com a ênfase na Índia e a cada semana exploramos um novo país. Hoje nós trabalhamos com os temperos, mas queremos trazer pratos específicos”, adianta a proprietária Débora Araújo.
 
A novidade do cardápio traz uma releitura da tradicional samosa (R$ 10 — porção com quatro), que foge dos legumes e tem recheio de paneer, queijo indiano, temperado com especiarias e nozes e vem acompanhado com chutney de manga.
Para o prato principal, a casa tem o curry sul (R$ 55), frango e camarões ao molho da casa e toque de manga acompanhado de arroz basmati com amêndoas torradas.
 
Para combinar com os pratos, a indicação é o aperol spritz (R$ 25,90), drinque de espumante, água com gás, laranja e aperol. Quem finaliza a refeição é o kulfi de morango e água de rosas (R$ 22,90),  sorvete indiano com textura cremosa que aparece como boa pedida para o calor brasiliense. 

Clássico à indiana

Arthur Lilfi dá um toque com lentilha e curry ao escondidinho (Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press)
Arthur Lilfi dá um toque com lentilha e curry ao escondidinho

O tradicional escondidinho ganha formas diferentes no Bistrô Escondido. Muito além dos sabores tradicionais, já conhecidos em Brasília, a casa oferece preparos diferenciados que trazem referências tanto brasileiras quanto de outros países, como é o caso do escondidinho indiano (R$ 49,90).
 
Nesse preparo, o cliente recebe um escondidinho de frango desfiado refogado ao curry e especiarias coberto com purê de lentilhas e creme de ricota gratinado. “Esse escondidinho tem um toque picante, que se destaca no paladar. As especiarias e o curry trazem a referência indiana, assim como a lentilha, amplamente utilizada no país”, explica Roberta Seidel, sócia da casa.
 
Enquanto o escondidinho não chega, que tal experimentar a coxinha feita no restaurante? “Fazemos a coxinha com recheio de frango desfiado temperado com curry. Isso dá um sabor diferenciado e traz a referência indiana, muito por causa do tempero”, descreve Roberta. Ela ainda complementa: “São três coxinhas em uma porção por R$ 19,90. Elas funcionam bem como entrada, por exemplo”.
 

O país em um hambúrguer

A geleia de pimenta confere ao hambúrguer um sabor agridoce e picante (Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press)
A geleia de pimenta confere ao hambúrguer um sabor agridoce e picante
Com um cardápio especial, a Three Burguers traz de sabores comuns a aperitivos diferenciados, como as samosas. Tradicional prato indiano que aparece como opção de petisco, a samosa é uma espécie de pastel com massa fina recheada com batata e ervilha. As porções, a R$ 26,90, são acompanhadas de chutney de manga.
 
A Índia também dá o tom do novo sabor de hambúrguer, o indiano (R$ 29,90). Ainda sem um nome fixo, o prato foi criado pela chef e mãe de Guilherme Soares (proprietário da hamburgueria), Shirley Soares. O sanduíche é formado por um filé de frango marinado na massala seca com um pouco de óleo e empanado na farinha Panko. “São muitas especiarias e elas são todas torradas e moídas — fazemos aquele processo bem indiano mesmo”, esclarece Shirley, que prepara as massalas usadas na hamburgueria.
 
O filé é pincelado com geleia de pimenta e vai dentro do pão de farinhas especiais com alface e tomate. A geleia também acompanha o prato junto da batata rústica com toque de massala e pimenta-do-reino. Como de praxe na Three Burguers, o sanduíche pode ser combinado com cervejas artesanais e a opção indicada por Shirley e Guilherme é a Berggren Ipa (R$ 24,90). Guilherme explica que o amargor das IPAs contrasta melhor com os temperos fortes.
 

Junto e misturado

No PiauÍndia, Cozinha afetiva indiana, a fusão gastronômica marca as receitas da casa (Divulgação/NQ Comunicação)
No PiauÍndia, Cozinha afetiva indiana, a fusão gastronômica marca as receitas da casa
Fusão é palavra de ordem no restaurante Piauíndia – Gastronomia afetiva indiana. É a partir daí que são mescladas as riquezas da gastronomia da Índia e a dos sabores brasileiros.
 
Um dos destaques é o peixe korma (R$ 49,80), feito com “pirarucu ou o robalo, depende a disponibilidade e da qualidade de cada peixe”, como esclarece a proprietária da casa, Nicole Magalhães.
 
 “Esse peixe tem um tempero mais leve, é rico em sabores, mas não tem ardor, como outros preparos indianos”, explica.
 
A receita  vem à mesa repleta de acompanhamentos, que podem ser repetidos à vontade, caso do dall de lentilhas — caldo de lentilhas apimentado e rico em temperos frescos —  e do arroz jasmine, com semente de mostarda.
 
“Ainda acompanha o chutney, que varia o sabor de acordo com a sazonalidade, o chana massala, o pão chapatte e a salada do dia”, explica Nicole.

Gastronomia do mundo


O cordeiro é uma aposta com a pegada indiana no Oliver (Antonio Cunha/CB/D.A Press)
O cordeiro é uma aposta com a pegada indiana no Oliver
 
O Oliver, cada vez mais, incorpora culturas gastronômicas mundiais à nossa. “A base começou com o mediterrâneo, mas incorporamos um pouco do tailandês”, relembra Rodrigo Freire, proprietário da casa.
 
Atualmente, a pegada indiana vem pelas mãos do chef Nilson Favacho, que recentemente fez um curso no país. No cardápio, o cordeiro ao curry vermelho com arroz colorido (R$ 89) foi o escolhido para representar a cultura indiana.
 
Outro preparo do local que usa as tradicionais massalas é o camarão Bankok —  feito com abacaxi, chilli, tomates italianos e massala, guarnecido de arroz de amêndoas. “Temos cuidado com a pimenta, pois a cultura da Índia traz o ardor de forma mais agressiva ao que somos acostumados”, finaliza Rodrigo.
 

Palácio de sabores

Em funcionamento há nove meses, o Taj Mahal atrai os clientes com a tradicional gastronomia indiana ( Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Em funcionamento há nove meses, o Taj Mahal atrai os clientes com a tradicional gastronomia indiana
A decoração do Taj Mahal, assim como o nome, não nega a origem do chef por trás das caçarolas. Há 4 anos no Brasil, Subash Vadakkekudy veio da Índia para o pais em busca de oportunidade. Após quatro meses em São Paulo, ele acabou se aventurando por terras brasilienses, de onde não saiu mais. Há nove meses o chef abriu o Taj Mahal.
 
Para os dias de calor, a sugestão é começar pelo suco. O Nimboo pani (R$ 10) é feito com limão, hortelã e gengibre, de forma bastante suave e extremamente refrescante. Na sequência, a samosa de legumes (R$ 12 —  duas unidades) faz a alegria da clientela. “Ele vem à mesa com algumas opções de molho, como o de iogurte com menta e o de tamarindo com especiarias”, descreve Vadakkekudy.
 
Já no prato principal, o cordeiro karahi (R$ 55) serve bem duas pessoas e vem com um molho da casa que leva, entre outros ingredientes, alho, gengibre e pimentão. Outra pedida para dois é o frango kashimiri (R$ 50). Nesse caso, ao molho é acrescido de creme de leite para dar mais leveza ao preparo.
 

Haja massala!

Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press (Pratos especiais do Indian House)
Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
 
Deepak Raykway saiu de Nova Dheli para o mundo. Após morar nos Estados Unidos, o indiano resolveu desembarcar no Brasil. Na primeira empreitada no país do futebol, com uma loja de roupas femininas indianas ele percebeu uma demanda: “Quando eu tinha a loja, muitos clientes me falavam da falta de um restaurante com comida indiana tradicional”. Foi a partir desta percepção que o indiano resolveu abraçar a gastronomia e abrir o Indian House.
 
“Quando abri, quis fazer uma gastronomia bem tradicional. Trouxe chefs indianos para a minha cozinha e começamos. O resultado tem sido muito bom”, comemora. Entre os preparos que o proprietário oferece para os clientes, o Thali é uma boa opção. “Esse prato vem com a entrada, prato principal com acompanhamentos e sobremesa”, explica. Entre as opções está o Thali de frango (R$ 44), servido diariamente no almoço.
 
No preparo o cliente encontra samosa, salada, roti (pão indiano), butter chicken (frango temperado servido em um molho à base de creme de leite), channa massala (preparo tradicional feito com grão-de-bico), allo mutter (batata e ervilha temperadas) e gulab jamun (bolinhas airadas à base de leite mergulhadas em calda de rosas).
  

O tempero é a tradição

As opções do Ashram e do Kannika podem ser entregues em casa (Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
As opções do Ashram e do Kannika podem ser entregues em casa
 
No espaço de Arjun Khajuria, o cheiro forte dos temperos, a iluminação à luz de velas, a música ambiente e a decoração típica remetem à cultura indiana mesmo antes de os pratos chegarem. O indiano está no Brasil há três anos e há dois abriu o primeiro restaurante em Brasília, o Ashram. Hoje, a casa voltada a pratos vegetarianos e veganos funciona no mesmo local que o Kannika, que atende o público adorador de carne.
 
As samosas (R$ 23 — quatro unidades) vêm ao molho de tamarindo e pimenta e são uma entrada clássica.
 
No Ashram, a principal pedida de prato é o kofta curry (R$ 40), croquete de vegetais com farinha de grão-de-bico. 
 
Quem prefere carne no prato costuma gostar do butter chicken (R$ 40), do Kannika. Nele, o frango é feito no molho de tomate com castanha-de-caju, creme de leite  e especiarias. 
Famoso na Índia, o doce gulab jamun (R$ 10) é a combinação perfeita, à base de bolinho de semolina com leite banhado em calda de rosas.
 
Em casa
No mesmo espaço também funciona o Curry Express, que entrega pratos dos cardápios dos dois restaurantes em sistema de delivery.
 
Serviço
 
Ashram e Kannika 
(408 Sul, Bl. C, lj 13; 98116-0300, 98153-4566), aberto de segunda a domingo, das 19h às 23h; de sexta a domingo e feriados, das 12h às 16h.
 
O Bistrô Escondido 
(213 Norte, Bl. B, subsolo; 3546-7460), aberto de segunda a sábado, das 12h às 15h e das 19h às 23h; domingo, das 12h às 15h.
 
Indian House 
(109 Norte, Bl. A, lj 70 e 74; 3256-7204), aberto de terça a quinta, das 12h às 16h e das 18h à 0h; sexta e sábado, das 12h às 16h e das 18h à 1h; domingo, das 12h às 16h e das 18h à 0h.
 
Oliver 
(Clube de Golfe, SCES, Tc. 2, Cj. 2, Pt. B; 3323-5961), aberto de segunda a quinta, das 12h à 0h; sexta e sábado, das 12h à 1h; e domingo, das 12h às 17h.
 
Piauíndia —  Cozinha afetiva indiana 
(Acampamento Pacheco Fernandes, r.9, cs. 2, Vila Planalto; 3574-4234), aberto de terça a domingo, das 11h às 17h.
 
Taj Bar 
(SCES, Tc. 2; 3877-1821), aberto de segunda a sábado, a partir das 18h, e domingo, a partir das 16h.
 
Taj Mahal 
(212 Sul, Bl. A, lj 4, dentro da Hostaria del sapori; 4101-9084), aberto de quarta a domingo, das 12h às 15h e das 19h às 23h.
 
Three Burgers 
(413 Norte, Bl. E; 3033-3136), aberto de terça a domingo, das 17h às 23h30.

 Vincent Casa de chá  
(409 Norte, Bl. A lj. 39; 3201-1214), aberto de segunda a sábado, das 16h às 22h.
 

*Estagiária sob a supervisão de Vinicius Nader

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