Brasília-DF,
17/NOV/2018

Conheça as Plantas Alimentícias Não Convencionais

A nutricionista Bruna de Oliveira apresenta plantas pouco conhecidas, mas que podem diversificar os pratos do dia a dia

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Lucas Santin* Publicação:16/02/2018 06:00
Bruna de Oliveira: %u201CEnxergo comida em todo lugar%u201D (Minervino Junior/CB/D.A Press)
Bruna de Oliveira: %u201CEnxergo comida em todo lugar%u201D

 
As Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) são uma alternativa para uma dieta distante da indústria alimentícia e da comida processada. Elas podem ser encontradas em feiras de agricultura e também colhidas na cidade. As ruas da capital oferecem mais do que mangas, abacates e jambos. As flores do ipê amarelo ou branco, além de deixarem a cidade mais colorida, podem ser levadas ao prato e deixá-lo mais colorido e diversificado. A nutricionista Bruna de Oliveira está envolvida com as PANCs há pelo menos seis anos. Ela trabalha na divulgação das plantas e estuda seu cultivo.

Do pomar ao prato

No Instagram de Bruna, você pode acompanhar receitas com as PANCs e se inspirar. Estão lá preparos como pastel de beldroega, cuscuz de taioba e jaca refogada, pasta de ora-pro-nobis com base de biomassa de banana verde e hambúrguer de feijão, gergelim e amendoim.

Há uma dificuldade de levar as PANCs até as pessoas? 
É diferente trabalhar com essas plantas no campo ou na cidade. Na cidade, a gente enxerga uma nostalgia de pessoas mais velhas, que já tinham algumas plantas inseridas na alimentação. Muito porque algumas delas vêm do campo e não encontram na cidade esses alimentos. “Nossa, eu consumia isso”, é uma coisa que nós ouvimos muito. Nas gerações mais novas, há um desconhecimento total. Há também uma aversão quando entendemos que a correria do dia a dia leva as pessoas a consumir muito mais alimentos processados ou comer em restaurantes. No mercado também tem um número reduzido de plantas para alimentação, então, isso leva as pessoas a uma “monotonia alimentar” e a se afastar da diversidade de alimentos que temos no Brasil.

O que caracteriza uma PANC? 
Na verdade, não tem como diferenciar. Existe um conceito: PANC é qualquer planta ou parte de planta que tem funcionalidade alimentícia, mas que é pouco consumida ou é desconhecida por uma parte da população. Então estamos falando de flor, folha, caule, seiva ou qualquer parte da planta que a gente possa comer e que não tenha muitos estudos, que não seja conhecida ou que foi esquecida. Quando falamos de PANC, é algo que vai desde o jenipapo, que é uma fruta regional brasileira, à flor do ipê e aos hibiscos, por exemplo. Tem a ver com o conhecimento de novas possibilidades alimentares. É uma alternativa para não ficar refém do supermercado e da indústria.

Como se deu o seu primeiro contato com essas plantas? 
Foi ainda na faculdade. Eu estava pensando em sair do curso de nutrição, porque eu queria trabalhar com combate à fome e o curso não tinha mostrado nada que tivesse a ver com isso. Numa disciplina, a professora disse que iríamos falar sobre “plantas diferentes”, começou a mostrar fotos e eu me identifiquei. Depois, numa saída a campo, vi o cultivo e o comércio de PANCs. Desde então, estou trabalhando no ramo. Quando vim a Brasília, elas ainda não estavam na minha vida acadêmica, mas como o contato era diário, acabei desenvolvendo minha tese de mestrado sobre o assunto.

Você acredita numa dieta só à base de PANC? 
Sim. Somente na sala da minha casa tenho taioba (também conhecida como orelha de elefante), cacto (que é uma palma, também comestível), tenho inhame, major Gomes e outras frutas que também não fazemos uso. O Brasil é muito rico. Uma dieta assim é possível — as plantas estão disponíveis para vender na Ceasa, por exemplo, e a Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA) já tem produtores. Também podemos procurar: eu, pelo menos, enxergo comida em todo lugar.

E como é cozinhar PANCs? 
Eu sou culinarista em um projeto que se chama Refazenda, que tem o objetivo de popularizar as PANCs do cultivo ao prato. Não dá pra falar de comida se não cozinhamos. Acho que cozinhar não é só para saciar necessidades biológicas. É uma forma de se relacionar com a natureza. Como PANCs diariamente de diferentes formas: elas podem estar tanto no recheio da minha tapioca no café da manhã quanto compor um suco. A bertalha, por exemplo, eu usei para fazer um bolo de laranja. Ela também pode ser usada no lugar do espinafre.

*Estagiário sob a supervisão de Vinicius Nader

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