Brasília-DF,
16/DEZ/2018

Pratos típicos da Semana Santa são os destaques nos restaurantes; confira!

Em um país que canta e é feliz, não poderiam faltar receitas típicas de tirar o chapéu e deixar sua Semana Santa ainda mais saborosa

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Renata Rios Rebeca Borges* Publicação:30/03/2018 06:01Atualização:29/03/2018 16:17
A moqueca do Carpe Diem é um dos destaques da capital  (Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
A moqueca do Carpe Diem é um dos destaques da capital

A diversidade cultural brasileira aparece em diversas frentes. A gastronomia e toda a riqueza dos peixes encontrados em nossas águas não ficam atrás. São receitas de sabores exóticos, frescos, marcantes, suaves. A variedade vem de influências indígenas, portuguesas, italianas e de tantas outras culturas que se agregaram ao país.

Para a Semana Santa, o Divirta-se Mais sugere locais onde a regionalidade aflora e o comensal pode provar um gostinho do Brasil. Para isso selecionamos receitas que trazem a cara e a tradição nacional em sua essência, como a moqueca, o bobó de camarão e a mojica.

A importância da cultura indígena é um ponto marcante no cenário nacional. Ela serve de inspiração para pratos típicos, e para lá de famosos, Brasil afora, como é o caso da moqueca, que aparece em duas versões: a capixaba e a baiana. Rivalidades à parte, os preparos são apenas um dos exemplos. “São muitas as influências indígenas na nossa culinária, e isso é de uma importância muito grande: os temperos e produtos naturais dão um toque diferente às receitas”, pontua o chef Dudu Camargo.

“Muitos ingredientes que usamos hoje já estão tão incorporados ao nosso dia a dia que nem nos damos conta de onde vem essa influência. Só para exemplificar: palmito, mandioca, abóbora, peixes e carnes de caça, a utilização de frutas, verduras, legumes, raízes, cereais e castanhas”, completa Dudu.

As ostras de Florianópolis também são boa pedida para este feriadão em que muita gente não come carne vermelha. “Recebemos um carregamento desses frutos do mar toda quinta e elas ficam, no máximo, até domingo”, pontua o gerente do Le Vin, Advane Gomes.


Uma dúzia de frescor 

É necessário ter muito cuidado com as ostras, explica a gerente do restaurante Le Vin  ( Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
É necessário ter muito cuidado com as ostras, explica a gerente do restaurante Le Vin
 
Capital de Santa Catarina, Florianópolis marca o cenário sulista com suas ostras frescas. O fruto do mar deve ser consumido assim. É de Floripa que vem o suprimento de ostra servido no restaurante francês Le Vin. “É necessário ter muito cuidado com as ostras. Elas devem ser sempre condicionadas de forma correta, em uma câmara fria”, explica Advane Gomes, gerente da casa.
Ainda segundo Gomes, as ostras são servidas de duas formas no local. A primeira é a opção mais comum, frescas (R$ 63,80 — 12 unidades; e R$ 31,90, — 6 unidades) dispostas recém-abertas no gelo e guarnecidas de vinagrete de cebola e limão.

Na versão quente, o fruto do mar vem à mesa gratinado (R$ 69 — 12 unidades), ao molho branco e queijo parmesão. “Nesse caso, o preparo é finalizado no forno, onde fica até dourar”, explica o gerente. Ele ainda complementa que ambas possuem um sabor que lembra o mar, mas, no caso da gratinada, o preparo é mais marcante, devido ao queijo.

No tabuleiro da baiana tem… 

O chef Ray Neto traz ingredientes do sururu direto de Salvador para o Casa de Mainha 
 (Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
O chef Ray Neto traz ingredientes do sururu direto de Salvador para o Casa de Mainha
 
Um pedacinho da Bahia ocupa um espaço famoso no Cruzeiro Velho. O restaurante Casa de Mainha, comandado por Ray Neto, é conhecido na região por oferecer a genuína gastronomia baiana. O chef, que nasceu em Salvador, ganhou popularidade no Cruzeiro após abrir uma barraquinha de acarajé em uma praça da cidade. Logo, o negócio cresceu e se transformou num restaurante, que funciona desde 2015.

“A proposta do restaurante é o resgate da culinária baiana”, explica o chef e proprietário. Por isso, o cardápio só traz pratos regionais e os ingredientes utilizados nas receitas vêm diretamente de Salvador. Um dos preparos marcantes do menu é o caldo de sururu (R$ 20). “O sururu é um tipo de marisco que cai muito bem como um caldo para esquentar o corpo, reaver as energias. Ele te levanta!”, explica Ray.

Ray ensina que o sururu é marinado com tempero, refogado e, em seguida, cozido. Depois, o prato recebe batata-baroa cozida, leite de coco, azeite de dendê e pimenta. A iguaria, que tem aproximadamente 220ml, é servida com rodelas de pão, limão e pimenta.

 

Direto da Bahia 

O bobó de camarão é um dos pratos mais baianos do Ki-mukeka (Júnior Aragão/Divulgação)
O bobó de camarão é um dos pratos mais baianos do Ki-mukeka
 
O sabor do tempero baiano é marca registrada do restaurante Ki-Mukeka. A marca nasceu em Feira de Santana, na Bahia, há 37 anos, e hoje tem diversas filiais no estado e uma no Distrito Federal. Aqui, na capital federal, o menu do restaurante é elaborado por Nelson Oliveira.

Um dos pratos mais característicos da gastronomia baiana é o bobó de camarão, presente no cardápio do restaurante. “Esse prato tem muita saída. Ele é basicamente a moqueca de camarão com massa de mandioca”, explica Nelson. O prato é farto: por R$ 161,90, comem entre duas e três pessoas.

“Essa receita é bem de raiz baiana mesmo”, conta o chef. Ele ressalta que a estrela do prato é o camarão. “São 450g de camarão. Aqui a gente usa o camarão cinza, que vem diretamente da Bahia”, completa. O bobó de camarão acompanha arroz, pirão e farofa.


Tradição paraense

O paraense tacacá conquistou o paladar de Brasília  (Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
O paraense tacacá conquistou o paladar de Brasília
 
A gastronomia paraense salta aos olhos. Pelas habilidosas mãos de Jacirema Almeida, os pratos nortistas são os destaques do Delícias do Pará, quiosque da Feira da Torre.

Entre os preparos, o tacacá (R$ 30; R$ 25 — pequeno) se destaca. “Esse é um caldo feito com tucupi, jambu, goma e camarão seco. Tem quem venha comer ele e se sinta saciado, já outros preferem o tamanho menor, para ser seguido de outro preparo”, revela Maria Nazaré, a Naná, filha de Jacirema, que auxilia a mãe na administração do espaço. “Até hoje minha mãe faz tudo que servimos, com muito carinho”, conta Naná.

Já para quem pensa em Norte e lembra do bacalhau brasileiro, o pirarucu, Naná revela as opções do menu para a semana santa, servido em várias versões: o pirarucu à moda da casa (R$ 45) — peixe frito, cebola caramelizada, arroz, jambu, vinagrete e farofa; pirarucu desfiado (R$ 35) — refogado e acompanhado de arroz, farofa e vinagrete; ou ainda arroz de pirarucu desfiado (R$ 40), com bastante cebola, alho, azeitona e um toque de jambu.


Muito além da moqueca 

Peruá chega à mesa do Vista Linda inteiro: boa opção de petisco (Bruno Peres/CB/D.A Press)
Peruá chega à mesa do Vista Linda inteiro: boa opção de petisco
 
Suculenta, a carne do peruá, um dos peixes mais característicos do Espírito Santo, apresenta sabor suave. “Esse é o peixe frito da beira da praia por lá”, revela Gouthier Dias, ou Guto, como é conhecido o chef do Vista Linda Gastronomia e Lazer.

“Aqui, servimos o peruá frito, acompanhado de batata frita, farofa especial do chef e vinagrete da casa (R$ 74,90). É um ótimo petisco para comer devagar, apreciando a vista”, sugere o chef. Na sequência, é difícil fugir da moqueca capixaba (a partir de R$ 139,90).

“Temos a moqueca de robalo, cação, badejo e pescada amarela — todos podendo ser acrescido de camarão”, informa Guto, que complementa: “É um prato muito saboroso. Quem prova sempre gosta, afinal, moqueca é capixaba, o resto é peixada”.

Outro preparo tradicional da região é o arroz de frutos do mar (R$ 164,90), com polvo, mexilhão, lula, camarão e opcional de filé de cação ou carne de siri desfiada (R$ 15, cada um). “Ele é um preparo feito com diversos frutos do mar. Faço com cuidado para o ponto de cada proteína ser certo, mas faço tudo na mesma panela, o que agrega muito sabor”. Para finalizar o visual, o chef coloca um pouco de tinta de polvo.

Sabor maranhense 

A moqueca do Carpe Diem é batizada em homenagem a Iemanjá (Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
A moqueca do Carpe Diem é batizada em homenagem a Iemanjá
 
Sob o comando do maranhense Fernando Rocque, o restaurante Carpe Diem tem a proposta de ser um ambiente de descontração e de experimentação de boa comida. “A ideia era fazer um bar e restaurante para que as pessoas pudessem jantar ou tomar um chope comendo um tira-gosto”, conta Fernando.

Um dos pratos de destaque é a moqueca de camarão à Iemanjá, com leite de castanha e de coco. “Eu faço uma mistura dos dois leites. Normalmente, a gastronomia baiana utiliza amendoim. Preferi utilizar a castanha, remetendo ao Maranhão, minha terra natal”, explica o chef. Ele conta que a castanha é bastante utilizada em receitas da culinária maranhense.

Além disso, a moqueca, que custa R$ 55, apresenta um diferencial: é temperada com manteiga de camarão. Rocque conta que esse é um dos segredinhos culinários do estabelecimento.
 

Pantaneiro e afrodisíaco 

Caldo de piranha aparece no bufê e no menu à la carte do D%u2019Lurdes (Helio Montferre/Divulgação)
Caldo de piranha aparece no bufê e no menu à la carte do D%u2019Lurdes
 
A enorme variedade de opções de peixe do Pantanal fascina. A piranha ganha fama pelo perigo que representa, mas o chef Anderson Ferreira, do D’Lurdes — Delícia de Minas, afirma que o peixe rende um delicioso caldo, que será oferecido durante a semana santa.

“Recentemente estive no Pantanal. As comidas de lá são muito interessantes. Tem tanta coisa para a gente conhecer...”, conta o chef. Para o caldo de piranha, o chef revela que o peixe não se adapta bem a criatório, por isso costuma ser pescado em seu habitat, o que garante um sabor diferenciado.

“Durante a semana santa, o caldo vai fazer parte do rodízio (R$ 38,90, servido das 18h às 23h), que inclui, além dos caldos, as pizzas e massas da casa. Para quem pedir só ele, são 500ml por R$ 12,90”, informa.

“A receita leva tomate, cebola, azeite, pimentão amarelo e vermelho, pimenta-dedo-de-moça, limão e tempero do chef. É um caldo forte, que te sacia sem deixar a sensação de empanturramento”, explica. Ele ainda complementa que, por ser carnívora, a piranha tem um sabor exótico. “Esse caldo é feito com bastante peixe. Ele é cozido até se desmanchar, deixando o preparo espesso”, descreve.
 

Delícia do Centro-Oeste 

O prato mojica, encontrado no Dudu Bar, tem inspiração indígena (Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
O prato mojica, encontrado no Dudu Bar, tem inspiração indígena
 
A cozinha do Dudu Bar marca os comensais pela variedade. São pratos com as mais diversas referências, colhidas nas muitas aventuras vividas pelo chef Dudu Camargo. Para a semana santa, tanto a casa do Lago Sul quanto a da Asa Sul apostam em cheio no Pantanal e servem a mojica cuiabana de autor, acompanhada de farofa de banana com castanhas de baru descascadas e torradas (R$ 39,90).

Peixe escolhido para a receita, o pintado é um dos que pode ser usado no preparo. “A mojica é feita sempre com peixe de couro: pintado, bico de pato, peixes da família do bagre, entre outros”, explica. O chef ainda revela que conheceu a receita no Pantanal: “Conheci lá, feita por uma tribo indígena”.

Dudu explica que, por ser um preparo ribeirinho, o frescor da mojica é um diferencial. “O couro dá um paladar específico, sem contar a consistência da carne”, descreve.
 

Clássico brasileiro 

A isca de peixe é um dos tira-gostos mais populares do país (Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press)
A isca de peixe é um dos tira-gostos mais populares do país
 
Há três anos, o restaurante La Espanhola agita as noites de Samambaia. Elissandra Nunes, gerente da casa, explica que o happy hour no La Espanhola é animado. 

Para completar a noite dos clientes, a caneca de 300ml de chope (R$ 4,96) acompanha um dos pratos mais tradicionais entre as cinco regiões do país: a isca de peixe (R$ 36).

O petisco é feito com tilápia ou panga. “A gente compra peixe fresco, não utilizamos peixe congelado”, explica a gerente. 

“Nós cortamos as iscas em pedaços de até seis centímetros”, conta Denis Rodrigues, cozinheiro do local.

Antes de ser empanado, o peixe é temperado com limão. O petisco é acompanhado por um molho da preferência do cliente, que pode escolher entre maionese, molho tártaro ou rosé.
Outros petiscos fazem parte do menu do estabelecimento, como o camarão a alho e óleo (R$ 59,90) e o camarão à delícia, ao molho de catupiry (R$ 59,90).


Onde comer


Carpe diem 
(104 Sul, Bl.D, lj.1; 3325-5301), aberto diariamente, das 12h à 1h.

Casa de Mainha 
(Q.2, Bl.I, cs. 32, Cruzeiro Velho; 
99293-1975), na semana santa, o restaurante é aberto de quinta a sábado, das 12h às 22h, e no domingo, das 12h às 18h.

Delícias do Pará 
(Feira de Artesanato da Torre de TV, Bloco R, Box 578; 3327-1590), aberto de sexta a domingo, das 9h às 18h.

D’Lurdes — Delícia de Minas 
(Av. Castanheiras, R. 33/34, lj 1, 2 e 3, Ed. Beverly Hills Plaza, Águas Claras; 3204-3283), aberto diariamente, das 12h às 15h e das 18h às 23h.

Dudu Bar 
(303 Sul, Bl. A, lj 3; 3323-8082), aberto de segunda a quinta, das 12h às 15h e das 18h à 1h; sexta e sábado, das 12h às 2h; e domingo, das 12h às 17h. (SHIS QI 11, Bl. I, lj 40/46, Lago Sul; 3248-0184), aberto de terça a quinta, das 12h às 15h e das 18h à 1h; sexta e sábado, das 12h às 2h; e domingo, das 12h às 0h.

Ki-mukeka 
(Setor de Hotéis e Turismo Norte, Tc. 2, Qd. 1, Lt. 5; 3306-1015), aberto de terça a domingo, das 12h às 17h.

La espanhola 
(QR/QN 204, cj.1, Lt. 23, Samambaia; 3032-1285), de quarta a domingo, 
das 16h às 2h.

Le Vin 
(ParkShopping, Espaço Gourmet, lj 249 K2, Guará; 
3028-6336), aberto de segunda a quinta, das 12h à 0h; sexta, das 12h às 22h; sábado, das 12h à 0h; domingo, das 12h às 19h.

Vista Linda Gastronomia e Lazer 
(Núcleo Rural Lago Oeste, Rua 14, Chácara 379; 3302-5939; 99622-6004), sexta, sábado e domingo, mediante reserva, das 12h às 18h. Para outras datas reserva com dois dias de antecedência.
 
Estagiária sob a supervisão de Vinicius Nader  

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