Brasília-DF,
25/MAI/2018

Conheça lugares para comer e apreciar arte em Brasília

Entre as casas da cidade é possível encontrar espaços que fundem outros tipos de manifestações artísticas à gastronomia

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Rebeca Borges* Renata Rios Publicação:18/05/2018 06:00Atualização:17/05/2018 18:13
Hambúrgueres, pratos vegetarianos e petiscos são servidos em casas de Brasília (Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Hambúrgueres, pratos vegetarianos e petiscos são servidos em casas de Brasília

A gastronomia e a arte têm uma ligação profunda. Comer um belo prato escutando uma música relaxante; apreciar um petisco ao som de uma dupla sertaneja; ler um livro degustando uma sobremesa. Esses são desejos cada vez mais possíveis na capital federal.

São diversas as formas de agradar famintos, tanto por músicas, literatura, artes plásticas e, claro, receitas. Entre os mais famosos pontos para se ouvir um bom samba e comer uma das delícias que sai da cozinha é o Outro Calaf. Venceslau Calaf abriu a casa em 1990 e, desde o início, apostou na cultura. “Só nos anos 2000 que, de fato, a ideia pegou e continua até hoje”, recorda o proprietário da casa que leva seu nome. Atualmente, o espaço oferece opções que vão do funk ao samba de raiz.

Entre os espaços que focam nas exposições, como fotografias, quadros e grafites, tudo vale para deixar o ambiente mais atraente. “Pensamos em trazer algo diferente. Todo o grafite do Young Attack que está na loja é único. Os desenhos são exclusivos, feitos nas cores da paleta da casa”, conta Igor Costa, sócio-proprietário da Apache Hamburgueria. João Mazocante, sócio-proprietário do Antonieta Café, também abre seu espaço como uma espécie de galeria.

Um espaço que inclui um pouco de tudo é o Sebinho, onde o que manda é a cultura. O café fica dentro da loja, onde os clientes são livres para ler as obras, além do acesso a áreas voltadas para encontros dos mais diversos estilos, indo de cultura pop até literatura. “O Sebinho acabou virando um ponto de encontro na cidade. É muito bom proporcionar esse prazer ao público”, comemora a proprietária Cida Caldas.

* Estagiária sob supervisão de Igor Silveira

Fartura e samba


Quando o assunto é restaurantes que agregam outras atrações culturais ao dia a dia do estabelecimento, o Outro Calaf é um destaque. A casa abriu em 1990, mas a ideia só pegou nos anos 2000. Entre os diferenciais, estão os artistas escolhidos para se apresentarem: “A proposta sempre foi dar espaço para pessoas da cidade”, afirma Venceslau Calaf, proprietário do local.

Segundo Calaf, a programação é ampla, cabe um pouco de tudo: nas terças, o público confere o samba de raiz; na quarta é a vez do rock, e na quinta, do funk, por exemplo. “Já fizemos stand up comedy, lançamento de livros, mas o forte mesmo é o samba”, relembra. Para comer, a dica é a jantinha (R$ 10) — espetinho com mandioca cozida e feijão-tropeiro. “Durante os shows, o público come menos e bebe mais”, garante Calaf, que ainda explica que, para os eventos, a jantinha foi uma forma de lidar com os ambulantes.

Vale ressaltar a feijoada, servida às sextas e aos sábado (R$ 59,90, o quilo). “A feijoada acompanha a casa desde o início. Quando começamos, minha mulher fazia a receita em casa e eu trazia para servir”, lembra. “A receita é cozida toda junta e, depois, tem as partes separadas, para respeitar o gosto de cada comensal”, se gaba.
 
Aberto desde 1990, o Outro Calaf tem a proposta de abrigar artistas locais ( Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Aberto desde 1990, o Outro Calaf tem a proposta de abrigar artistas locais
 

Prato principal: tradição 


O Clube do Choro é um espaço tradicional entre os moradores de Brasília. Fundado em 1977, o estabelecimento é conhecido por ser palco de grandes mestres da música brasiliense e brasileira. Há cerca de um ano, o local ganhou um toque diferente em sua programação. Aos sábados, o Café Musical, localizado na área externa do Clube do Choro, oferece feijoada e samba. “O Café Musical era uma cantina que atendia o Clube do Choro. “Pensamos em ampliar o espaço, trazendo música e comida”, conta Marília Mota, produtora cultural responsável pelo evento.

Marília conta que a junção dos elementos foi bem recebida pelo público: “Samba e feijoada é uma mistura das boas”. A comida fica por conta do cozinheiro Valmir da Silva. Ele começa os preparos da feijoada na quinta-feira, quando inicia a retirada do sal presente nas carnes. “Na sexta, eu escaldo os cortes, e lavo três vezes na água fria, para tirar o excesso de sal”, explica o cozinheiro.

No sábado, a feijoada é finalizada. Valmir conta: “O feijão leva charque, carne de sol, costelinha de porco e outros cortes”. A clássica receita é acompanhada de arroz, farofa, torresmo, couve, salada e laranja. O bufê da feijoada custa R$ 39,90 (R$ 20 para crianças entre 8 e 12 anos de idade; menores de 7 anos de idade não pagam).

A feijoada de sábado, no Clube do Choro, conta com músicas de grandes artistas do samba (Renata Samarco/Divulgacao)
A feijoada de sábado, no Clube do Choro, conta com músicas de grandes artistas do samba

Petisco e animação 


Para quem busca uma noite mais agitada, com apresentações dançantes e um público envolvido no evento, a Bamboa Bar é uma alternativa certeira. Focada em eventos musicais, a casa coleciona artistas de peso que ocuparam o palco. O chef Ismael Machado, responsável pela cozinha do local, garante que a animação contagia: “Inclusive, em shows de samba e pagode, a casa até costuma remover as mesas mais próximas do palco para dar espaço às pessoas que vão dançar”.

Para acompanhar a noite, o chef recomenda o Combinado fondue (R$ 56,80), que serve de quatro a seis pessoas — creme de queijo, linguiça defumada, cubos de filé-mignon, cubos de picanha e cubos de frango. “O molho é o espetáculo, à base de quatro queijos. A linguicinha também é bem gostosa, frita na medida certa”, promete.

Para acompanhar o petisco, Ismael recomenda o Berry punch (R$ 28,80) — Vodca Ciroc red berry, suco de cramberry, morango, limão-siciliano, limão-taiti e soda. “No Berry, fica evidente o sabor do licor, seguido das raspas de laranja e a pimentinha”, detalha.

A opção do combinado de fondue é pensada para ser compartilhada (Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press)
A opção do combinado de fondue é pensada para ser compartilhada

Elegante e clássico 


O ambiente elegante e sofisticado da Dolce Far Niente não seria o mesmo sem o belo piano de cauda da casa. O instrumento é utilizado para tocar diversos ritmos, indo do jazz ao pop, com uma parada pela música brasileira. Sobre a escolha de incluir a atração na casa, a chef Lídia Nasser, proprietária da casa, revela que gosta muito de piano e explica: “Acredito que seja interessante unir gastronomia com cultura, pois agrega valor e se torna uma experiência mais completa e aconchegante”.

Para comer, o forte da casa são as pizzas, feitas com cuidado para garantir a qualidade. “Ingredientes de qualidade, mão de obra especializada, equipamentos e ambientes adequados, tanto quanto ao forno quanto à segurança alimentar”, lista Lídia sobre o que se deve ter atenção para garantir a qualidade do preparo. Entre as mais pedidas, Lídia lista a margherita (R$ 56,90, média; R$ 66,90, grande), peperoni (R$ 57,90, média; R$ 67,90, grande) e de frango com catupiry (R$ 57,90, média; R$ 67,90, grande).

Para quem busca ousar, a chef sugere: “Também temos vários sabores para quem gosta de variar e experimentar novas combinações, como a Montone (R$ 57,90, média; R$ 67,90, grande) — pomodori pelati, muçarela de búfala, carneiro especial marinado ao vinho tinto e ervas finas por 48h e cebola roxa; 
Paella (R$ 79,90, média; R$ 89,90, grande) — pomodori pelati, muçarela, frutos do mar, ervilha, tomate picado e pimentão verde; e a de pera com gorgonzola (R$ 61,90, média; R$ 71,90, grande).

 

A pizza é um dos fortes da casa, que oferece as opções também para quem tem restrições alimentares  (RenerOliveira/Divulgacao)
A pizza é um dos fortes da casa, que oferece as opções também para quem tem restrições alimentares

 

Amantes das palavras e do sabor 


A Livraria Sebinho funciona há 32 anos. O local reúne um grande acervo de títulos, além de ser referência em troca de livros usados. Não para por aí: a casa conta com diversos produtos do universo geek, como HQs, action figures, camisetas temáticas, card games e discos de vinil, para os apaixonados por música. Há sete anos, a livraria ganhou um cantinho especial: um café e bistrô. Cida Caldas, proprietária do Sebinho, explica: “Os clientes iam para a loja, passavam muito tempo lá, e sempre procuravam por um lugar para comer”. Por isso, ela decidiu investir numa solução que reúne tudo o que a clientela demandava. 

Além de aproveitar os eventos culturais que o Sebinho recebe, os clientes podem degustar um dos clássicos da casa, a truta grelhada ao molho de amêndoas (R$ 38,90). Tiago Cardoso, gerente do espaço gastronômico, conta: “A truta é um peixe que você não encontra em qualquer lugar”. O animal tem cerca de 25cm, e é servido inteiro. “O chef tira todos os espinhos. Ela é grelhada, e acompanha um molho de amêndoas”, complementa o gerente.

Um dos sucessos do Sebinho Café & Bistrô é a truta grelhada  (Sebinho Café & Bistrô/Divulgação)
Um dos sucessos do Sebinho Café & Bistrô é a truta grelhada
 

Cultura para todos os gostos 


O Antonieta Café funciona na cidade há apenas oito meses, mas rapidamente se transformou em alternativa de cultura e lazer em Brasília. João Mazocante, um dos proprietários da casa, conta: “Nossa ideia é usar as paredes como espaço expositivo. Trocamos as obras mensalmente”. Em oito meses, o local já foi casa de cinco exposições. O Antonieta também funciona como palco para outras atividades artísticas.

Para se deliciar durante os eventos que ocorrem no local, a sugestão da casa é o tiramisu (R$15). A sobremesa italiana é um dos carros chefes da casa. “Ele é feito à base de queijo mascarpone”, conta João. O prato consiste na união de camadas de biscoito champanhe, intercaladas com o queijo, e umedecidas no café. O grão, importado do interior de Minas Gerais, é moído no próprio Antonieta.

“A gente faz a moagem, retira o expresso e umedece na hora. Dessa forma, o café não perde as propriedades”, completa João. A sobremesa é finalizada com cacau em pó, despejado na superfície do prato. “O tiramisu é um preparo simples, o diferencial são os ingredientes de qualidade utilizados”, afirma João. Para acompanhar, a sugestão é o café coado na kalita wave (R$ 12, 200ml; R$ 14, 300ml), método de extração que, segundo João, “traz mais corpo e doçura para a bebida”.

O tiramisu é o carro chefe do Antonieta Café (B?rbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
O tiramisu é o carro chefe do Antonieta Café

Vegetariano, com fotos! 


O Quintal F/508 surgiu a partir da demanda dos alunos do espaço por opções de lanches para dias de cursos oferecidos no espaço. “Com o tempo, acabou caindo também no gosto de uma clientela que vem para cá especialmente para curtir o café”, conta a sócia do espaço Raquel Pellicano. Claro que com a casa toda voltada para a fotografia, essa forma de arte não poderia passar despercebida. “Recebemos pessoas para conhecer a galeria que acabam descobrindo e virando clientes recorrentes do café, além de pessoas que vêm para comer e se surpreendem com os vários outros estímulos”, pontua.

Sobre o menu, Raquel explica: “O cardápio muda a cada três meses. Pensamos na criação de um menu enxuto, vegetariano, com propostas que saiam do clichê que se espera de opções vegetarianas”. Entre as alternativas que chamam a atenção está o nhoque de banana-da terra (R$ 23). “O nhoque de banana-da-terra é bem especial — oferece, em um mesmo prato, um misto de sensações: texturas do nhoque, do queijo coalho gratinado em cubos, do manjericão e de castanhas, além da mistura agridoce”, descreve.

O cliente ainda pode, aos fins de semana, optar pelo brunch no quintal, uma alternativa que atende uma ou duas pessoas (R$ 31, para uma pessoa; R$ 53, para duas) .

Nhoque de banana-da-terra: opção com sabores doces e salgados (F508/Divulgacao)
Nhoque de banana-da-terra: opção com sabores doces e salgados

Drinques esculturais 


No Mercadito, desde as obras expostas nas paredes, até parte do mobiliário, são pequenas obras de arte. O local apostou em um marceneiro artesão da capital para executar alguns itens do espaço, como o guarda-corpo e a luminária principal do espaço. “Eu desenho, gosto muito de arte e acaba que tudo que tem relação com isso me atrai”, destaca Henrique Migras, sócio do espaço. Atualmente, a parede destinada a ser uma pequena galeria expões trabalhos de Toys, Omik e Derk, três grafiteiro conhecidos na cidade. “Não temos um tempo certinho, mas costumamos trocar as obras a cada três meses”, alerta.

Para comer, a ideia é se manter moderno. A sugestão que Henrique dá é o Steak Tartar da casa (R$ 37), servido de uma maneira pouco convencional. “A ideia é que a pessoa monte o steak da forma que ela preferir, por isso, mandamos os complementos separados”, explica. Para acompanhar o filé-mignon, gema de ovo, alcaparra, molho da casa, picles, parmesão, cebola roxa, catchup e mostarda.

Para beber, a carta de drinques oferece alternativas bonitas, saborosas e inusitadas. Entre os preparos que chamam a atenção, o Empire State (R$ 29) — gim, infusão de chá, aperol, frutas vermelhas marinadas em gim, angostura de laranja, redução de amora e compota de hibisco.

Henrique Migras sugere um drinque da casa que aposta em combinações ousadas e saborosas: Empire State (Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Henrique Migras sugere um drinque da casa que aposta em combinações ousadas e saborosas: Empire State

Cores e história 


Grafite, boa comida e referências indígenas. Essa combinação é marca registrada da Apache Hamburgueria. Sob comando dos sócios Igor Costa e Lucas Halley, a casa funciona há pouco mais de um ano, e tem tribos de índios como inspiração. “A gente achou legal mesclar o passado indígena e o presente urbano”, explica Igor. Por isso, a decoração do Apache conta com grafites assinados pelo artista Young Attack. 
Os desenhos, expostos nas paredes do local, têm elementos de tribos nativas dos Estados Unidos, e foram feitos exclusivamente para o restaurante.

As iguarias da casa seguem a linha de inspiração do restaurante, e são nomeadas como diversas comunidades do mundo todo. O Wakanda (R$ 24,61), um dos pratos mais pedidos da Apache, faz sucesso entre o público. “A carne utilizada é moída, moldada e modelada diariamente”, conta Lucas. A receita é montada com pão italiano, cebola caramelizada, queijo cheddar e bacon. “O grande diferencial é o agridoce entre o pão e a cebola, levemente adocicada”, garante Lucas.

Todos os hambúrgueres da casa variam entre R$ 16 e R$ 27. Os lanches acompanham uma porção de batata frita e um molho artesanal, que pode ser de  alho, ervas finas ou bacon picante. Outra sugestão dos proprietários é o prato Apache (R$ 24,61). O hambúrguer de 180g é servido num pão brioche com gergelim, e leva alface, tomate, duas fatias de muçarela, bacon e ovo.

O hambúrguer Wakanda é um dos mais pedidos na Apache Hamburgueria
O hambúrguer Wakanda é um dos mais pedidos na Apache Hamburgueria


Onde comer

Apache Hamburgueria (Rua 19 Sul, Q. 205, lt 2, lj 24, Águas Claras; 3548-2498 e Rua 10, chácara 327, lt 1, lj 10, Vicente Pires; 3263-4655), aberto diariamente, das 18h às 23h.

Café Musical do Clube do Choro (Clube do Choro, Eixo Monumental; 3224-0599), de segunda a sexta, das 
9h às 21h, e aos sábados, das 12h às 18h.

Sebinho Café & Bistrô (406 Norte, Bl. C, lj 44; 3447-4444), aberto de segunda a sexta, das 12h às 23h, e aos sábados, das 8h30 às 23h. A livraria é aberta de segunda a sábado, das 9h às 22h, e a avaliação de livros ocorre de segunda a sábado, das 9h30 às 17h.

Antonieta Café (708/709 Norte, lj 20; @antonietacafe), aberto de segunda a sexta, das 13h às 21h, e aos sábados, das 14h às 20h.

Mercadito (202 Sul, Bl. B, lj 34; 3536-2927), aberto de segunda a quinta, das 18h à 1h; de sexta a domingo, das 18h às 2h.

Outro Calaf (SBS Q. 2, Bl. Q, João Carlos Saad; 3325-7408), aberto segunda, das 11h às 15h; de quinta a sábado, das 11h às 2h; domingo, das 17h às 2h.

Bamboa Restaurante e Bar (Setor Hípico, Área Especial, cj 22, Parte E, Próximo ao Park Shopping), aberto de terça a quinta, das 17h à 1h; sexta e sábado, das 11h30 às 15h  e das 17h a 2h; domingo, das 11h30 a 1h.

Dolce far Niente (215 Sul Bl. A lj 9; 3345-4267), aberto de terça a quinta, das 18h a 1h; de sexta a domingo, das 11h30 às 15h e das 18h à 0h. Ou (Av. Castanheiras 1060, lj 16 a 19, Águas Claras; 
3254-2263), aberto de segunda a quinta, das 18h à 0h; de sexta a domingo, das 11h30 às 15h e das 18h à 0h.

Quintal f/508 (413 Norte, Bl. B, sala 113; 3347-3985), aberto de terça a sexta, das 15h30 às 20h30; sábado, das 10h às 13h.

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