Brasília-DF,
21/JUN/2018

Saiba onde comer comidas peculiares da fazenda sem sair da cidade

As comidas características da fazenda são um momento de alegria no dia a dia corrido da capital federal

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Rebeca Borges* Renata Rios Publicação:25/05/2018 06:02Atualização:24/05/2018 19:32
O restaurante Severina oferece a mais tradicional culinária do Nordeste (Antonio Cunha/CB/D.A Press)
O restaurante Severina oferece a mais tradicional culinária do Nordeste
 
A comida da fazenda guarda um lugar especial na memória afetiva dos comensais. Esses preparos costumam apostar em temperos mais simples — sal, alho e cebola —, mas, nem por isso deixam a desejar em relação a receitas gourmetizadas. Além dos sabores, os preparos remetem o comensal a um momento bom, um ambiente familiar, que afloram memórias muito bem-vindas.

São muitos os preparos que a roça traz para a capital federal, mas, em sua essência, os ingredientes são o grande segredo. O milho, por exemplo, é uma matéria-prima insubstituível nessa gastronomia, passando do curau ao angu de milho verde. “Os quitutes preparados nas cidades interioranas fazem o maior sucesso, como curau, pamonha, cuscuz e o próprio bolo de milho”, ressalta Reinaldo Varela, presidente e fundador da rede de franquias Divino Fogão.

“As pessoas apreciam o sabor da nossa comida, aquele gostinho de arroz com feijão caseiro. Temos percebido, também, um aumento do público infantil, incentivado pelos pais que querem uma alimentação mais balanceada para eles”, pondera.

Outro espaço ocupado amplamente pelas famílias é o Rancho Canabrava — que vem com o pacote completo para quem busca ser inserido nessa vida de fazenda. As crianças são incentivadas a aproveitar o arvorismo, passeios a cavalo ou de trator e até uma minifazenda. No bufê, quem brilha é o porco. Para Anna Maria de Lucena Rodrigues, sócia do local, o motivo do sucesso do animal nessa gastronomia está na facilidade de criá-lo. “Além do sabor especial e pela facilidade de manter o porco de forma barata em qualquer propriedade rural”, pondera.
 
O espaço do Rancho Canabrava conta com atrações rurais, além de um delicioso bufê, servido no fogão a lenha (Anna Maria de Lucena Rodrigues/Divulgação)
O espaço do Rancho Canabrava conta com atrações rurais, além de um delicioso bufê, servido no fogão a lenha

Oh, que vida boa!

Quem vai ao Rancho Canabrava encontra muito mais que um bufê farto e delicioso da fazenda. O local oferece para pais e filhos uma experiência única, com minifazenda, passeios a cavalo ou de charrete, trilha na mata e arvorismo. Todas essas atrações são muito bem acompanhadas por um delicioso bufê, no qual o cliente se serve à vontade das 12h às 16h por R$ 48,90 (crianças até 5 anos não pagam, entre 6 e 10, o valor cai pela metade).

“Temos pernil à pururuca, costelinha suína, frango ao molho pardo, rabada, além do nosso tradicionalíssimo e saboroso torresmo da casa”, garante Anna Maria de Lucena Rodrigues, sócia do local.

Sobre o tempero, que garante esse sabor característico, ela afirma: “É basicamente alho e sal, além de utilizarmos a banha de porco em quase todos os preparos”, ressalta.

Oh, que vida boa!

Para os aniversários infantis, o espaço oferece pacotes para crianças entre 4 e 10 anos. Nestes, estão inclusos o bufê, passeio de trator, trilha na mata, visita à fazendinha e ao haras, passeio de charrete, passeio a cavalo, arvorismo e touro mecânico. “Os pequenos se divertem muito”, pontua Anna Maria. Para mais informações sobre os valores, entre em contato com o Rancho Canabrava.
 
A galinhada da casa é servida às quintas durante o mês de maio (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
A galinhada da casa é servida às quintas durante o mês de maio

Sabor da saudade

A galinha caipira é uma matéria-prima única. Elas são criadas em liberdade, comendo insetos e plantas. A carne do animal é diferenciada e, entre suas vantagens, está o sabor especial que pode agregar aos preparos. No D’Lurdes, a galinha caipira é a estrela da galinhada — um prato para lá de comum no dia a dia da fazenda.

Na receita, o preciosismo é claro. A iguaria vem à mesa guarnecida de feijão, angu de milho verde e abobrinha com tomate, e serve duas pessoas por R$ 54,90. Só condimentos tradicionais passam pelo preparo do chef Anderson Ferreira. “Usamos sal, alho, cheiro verde, açafrão, tomate e cebola para temperar a galinhada”, explica o chef, que revela ainda que a carne depois de limpa é temperada na véspera “para fixar o tempero”. Após as peças de frango serem douradas, o chef acrescenta o arroz e deixa tudo cozinhar junto, uma forma de o preparo absorver mais sabor.

O chef destaca ainda que a comida desgourmetizada ganha espaço nas mesas. “Brasília é uma cidade que, em sua maioria, é composta de pessoas de outros estados: dá aquela vontade de comer a comidinha da mamãe ou da vovó, que utilizam temperos mais simples”, pondera o chef.

A rabada do Don%u2019Durica é marcada pela receita simples e pelo sabor (Antonio Cunha/CB/D.A Press)
A rabada do Don%u2019Durica é marcada pela receita simples e pelo sabor

Simples e saboroso

A simplicidade do tempero mineiro é a marca registrada do restaurante Don’Durica. A casa foi criada em 1998 por Angela Matias. “Queríamos reproduzir a utilização de condimentos naturais, temperos frescos. Nosso tempero é básico”, se gaba a proprietária. O investimento no sabor da culinária de Minas Gerais deu certo. Hoje, o Don’Durica conta com cinco unidades em Brasília.

Um dos pratos de sucesso do bufê da casa é a rabada. “Ela é cortada, temperada com alho, cebola e um pouco de pimenta”, conta  ngela, garantindo que a simplicidade é o ponto forte da receita. Ela também informa: “Durante o preparo, a rabada leva um pouco de vinagre, que ajuda a tirar parte da gordura”. A proteína passa bastante tempo refogando, para absorver todos os temperos. O cozimento também é demorado, para garantir a maciez do corte. “O caldo fica bem denso. Essa rabada é muito saborosa”, completa  ngela.

O prato é uma das diversas iguarias servidas no bufê da casa, todas com influências da gastronomia caipira. De segunda a sexta, o self-service custa R$ 61,80, o quilo. Aos sábados e feriados, a casa serve o bufê por R$ 70,40, o quilo.

O Baião de dois, da gastronomia nordestina, é carro-chefe do Severina (Antonio Cunha/CB/D.A Press)
O Baião de dois, da gastronomia nordestina, é carro-chefe do Severina

Baião diferentão

Comida com gostinho nordestino tem lugar marcado na capital. O restaurante Severina funciona há 38 anos, e busca oferecer a mais tradicional culinária do Nordeste. Hoje, a casa atua sob comando dos proprietários Marcus e Patrícia Linhares, que mantêm o negócio aberto pelos pais. “É um restaurante de família”, completa a dona do estabelecimento. O menu do local também segue tradições familiares: “É uma comida que vem de casa. A gente colocava carne de sol e queijo do sertão para fazer o baião de dois”, conta Patrícia sobre a inspiração que deu origem a um dos carros-chefes da casa, o prato baião de dois x2.

Servido em uma panelinha de ferro, o baião de dois x2 é diferente da iguaria tradicional: além de levar arroz e feijão, o prato conta com carne de sol e queijo do sertão na receita. “A nossa carne de sol é assada na brasa, na mesma churrasqueira há 38 anos. Por isso, ela ganha naturalmente um gosto defumado”, explica Patrícia. Em cubos, o corte é frito na manteiga de garrafa. O arroz e o feijão-fradinho são adicionados em seguida e abafados na panela, “para dar um sabor a mais”, garante a proprietária da casa.

Um dos ingredientes mais especiais da receita, o queijo do sertão, é acrescentado junto com manteiga. Na superfície do prato, mais queijo e cheiro verde, para adicionar um tempero diferente. A panelinha pode ser servida em porção individual (R$ 36,90) ou para duas pessoas (R$ 67,90). O prato também é servido no bufê da casa (R$ 52,90, o quilo).

Entre os preparos, o cliente pode optar pelas linguiças feitas sem conservantes
 (Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Entre os preparos, o cliente pode optar pelas linguiças feitas sem conservantes

Produção artesanal

A casa do Holandês se tornou ponto de referência quando se fala de embutidos e charcutaria na capital. A empresa familiar de Raymond Graumans, a Graumans, tem mais de 100 anos, e foi trazida para a capital em um modelo mais tupiniquim. Aqui, foi batizada de Casa do Holandês. Entre os preparos vendidos, o cliente encontra tanto opções com a cara do Brasil quanto receitas antigas da família.

Na casa, quem brilha mesmo é o porco, que aparece em uma quantidade significativa de preparos, como o bacon, a picanha, a porcheta e, claro, as linguiças (que custam entre R$ 23 e R$ 24,50, o quilo) . “Temos mais de 10 sabores de linguiça à disposição, além de variações sazonais”, complementa Raymond, que destaca a produção das linguiças sem conservantes: “Por elas terem um prazo de validade mais curto, trabalhamos apenas com quatro sabores”, complementa.

Para Raymond, a qualidade do produto é fundamental para o resultado: “Usamos pernil ou paleta como proteína para o preparo. Além disso, acrescentamos a gordura necessária para a textura do prato”, garante. Para quem busca um preparo com a cara do Brasil, a sugestão é a linguiça suína com pimenta-de-cheiro.

O tutu de feijão é um clássico da gastronomia mineira (Antonio Cunha/CB/D.A Press)
O tutu de feijão é um clássico da gastronomia mineira


Feijão do interior

Quem conhece o restaurante Uai Bezinha! sabe: o local promete uma imersão na cultura do interior de Minas Gerais. Sob os comandos de Tereza Côrtes e Lara Vandim, mãe e filha, a casa funciona na capital federal há dois anos. Um dos sucessos do estabelecimento é o tutu de feijão. “Esse prato é muito tradicional em Minas Gerais”, conta Tereza, também cozinheira da casa. A iguaria é preparada com feijão-carioca, cozido com pele de porco e triturado.

O feijão batido é combinado com farinha de mandioca fina torrada e misturado ao toucinho e à couve, fritos previamente com temperos. “O ponto ideal é quando o tutu desgruda da panela”, descreve Tereza. Para finalizar, a receita leva rodelas de ovos cozidos e linguiça de porco caipira. A porção individual, com 300g, custa R$ 12,50.

Os preparos podem ser comprados no balcão, de acordo com a disponibilidade, ou encomendados (Carlos Moura/CB/D.A Press)
Os preparos podem ser comprados no balcão, de acordo com a disponibilidade, ou encomendados

Receita de avó

Quem entra no Bolos da Vovó se perde em meio a tantas referências afetivas, feitas com o toque que só as avós sabem dar. “Aqui, tomamos o cuidado de não usar conservantes, massas prontas ou aromatizante. Tudo é feito com ingredientes de qualidade — o que garante o sabor do produto”, explica a proprietária da marca, Marisperc de Sousa Lima.
“Nesta época, recebemos muita encomenda. Também já colocamos algumas opções no balcão devido ao aumento da procura”, pondera Mari. Entre os preparos que ficam em alta durante o período de festas juninas, Mari fala do bolo de curau. “Esse é um preparo com uma base de bolo, e por cima vai o curau. Fica parecendo que você está comendo os dois juntos”, garante.

Fugindo dos bolos, o comensal que busca por mais pratos com aquele gostinho da comida de fazenda encontra alternativas como o arroz-doce (R$ 5, individual), o curau (R$ 5, individual) e a canjica (R$ 5, individual). “Este ano, faremos mais opções para o público vegano e com restrições alimentares”, explica Mari, que promete, inclusive, uma versão vegana do tradicionalíssimo curau. “Temos que usar alguns truques na substituição dos ingredientes, para não perdemos nem sabor nem textura nos produtos”, ressalta.

Não é só no bufê salgado que a casa aposta na gastronomia da fazenda. Nas sobremesas, os comensais encontram, por exemplo, o bolo de milho (Divino Fogao/Divulgacao)
Não é só no bufê salgado que a casa aposta na gastronomia da fazenda. Nas sobremesas, os comensais encontram, por exemplo, o bolo de milho

Sobremesas afetivas

No Divino Fogão, o comensal vive uma experiência completa. O bufê da casa oferece receitas doces ou salgadas, todas carregadas com o sabor da fazenda. A casa — hoje em dia uma franquia com mais de 180 lojas pelo Brasil — surgiu a partir de uma demanda do fundador e presidente da rede, Reinaldo Varela. Quando foi morar em São Paulo, ele sentiu falta da comida a qual se acostumou na infância e adolescência no interior. Foi assim que primeiro surgiu o São paulo I, mais tarde batizado de Divino Fogão.

Entre os preparos oferecidos no bufê (que custa valores diferentes em cada unidade), Reinaldo Varela aponta a qualidade dos ingredientes escolhidos: “Queremos que cada pessoa que venha à nossa rede tenha essa experiência de afago, baseada em ingredientes bem selecionados e frescos a qualquer hora do dia”.

Ele ainda sugere, para quem for conferir o estabelecimento, algumas receitas que fazem sucesso no local, como o frango com quiabo, a linguiça com polenta e a carne de panela com banana da terra. Nas sobremesas, mais delícias da roça e, dessa vez, quem brilha é o milho, que aparece em três preparos: bolo do ingrediente, curau e canjica.

As geleias do Civitá Cafés Especiais fazem sucesso na casa (Antonio Cunha/CB/D.A Press)
As geleias do Civitá Cafés Especiais fazem sucesso na casa

Geleia da boa

Entre as comidas de fazenda, os doces têm um destaque especial. Os amantes de geleias artesanais podem investir no menu do Civitá Cafés Especiais. A loja, que funciona há três anos sob os comandos dos sócios Fernando Bakker e Mateus Agrelli, oferece diversos sabores da iguaria, feita de forma totalmente artesanal. “A gente iniciou com os sabores morango com hibisco e maracujá com chia”, conta Mateus. Entretanto, a geleia que faz mais sucesso é a de framboesa orgânica.

Os sócios recebem a fruta de uma fazenda localizada em Sobradinho. “É um incentivo para a produção local”, defende Fernando. As framboesas chegam frescas, e são higienizadas no próprio café. O cozimento é feito com limão, para soltar o suco da framboesa. Além disso, o envase dos doces também é todo feito no Civitá. “A gente consegue fazer cerca de 30 unidades por dia”, explica Mateus.

As geleias produzidas no local têm validade de seis meses, lacradas. Quando abertas, a conservação deve ser feita na geladeira. Com 240g, as embalagens de maracujá com chia e de framboesa orgânica custam R$26. O doce de morango com hibisco, também com 240g, sai por R$23.

Onde comer

Rancho Canabrava 
(Núcleo Rural Sobradinho I, Chácara 46, zona rural; 3591-1694 ou 98147-0201), aberto sábado e domingo, das 10h30 às 17h.

D’Lurdes — Delícia de Minas 
(Av. Castanheiras, R. 33/34, lj 1, 2 e 3, Ed. Beverly Hills Plaza, Águas Claras; 3204-3283), aberto diariamente, das 12h às 15h e das 18h às 23h.

Casa do Holandês 
(SIA Tr. 10, Guará, em frente Super Adega; 3711-0038), aberta de segunda a sábado, das 8h às 18h, e domingo, das 9h às 14h. (305 Norte, Bl. B ljs 4 e 64; 3033-4708), aberta de segunda a sábado, das 9h às 19h.

Bolos da Vovó Cafeteria e Confeitaria 
(310 Sul, Bl. C, lj 2; 3541-0095), aberto de segunda a sábado, das 7h30 às 19h. (Quadra 25, lt 20, lj 3, Gama, Setor oeste, comercial; 99382-7806), aberto de segunda a sábado, das 8h às 18h.

Divino Fogão 
(SDN, Conj. A, nº 2033; Conjunto Nacional; 3342-1048 e SCS, Q. 7, Bl. A, lj P309; Shopping Pátio Brasil; 3034-8894), aberto de segunda a sábado, das 12h às 22h; e domingo, das 12h às 20h.

Severina 
(201 Sul, Bl. B, lj 25; 3224-6362), aberto de segunda a sexta, das 11h30 às 16h, e aos domingos, das 11h30 às 16h30.

Uai Bezinha! 
(311 Sul, Bl. C, lj 17; 3543-1000), aberto de segunda a sábado, das 9h às 21h, e aos domingos, das 11h30 às 18h30.

Civitá 
(Venâncio Shopping, 1° andar, lj 104/105, Asa Sul; 3226.6164), aberto de segunda a sexta, das 8h às 20h, e aos sábados, das 10h às 18h.

Don Durica 
(115 Sul, Bl. C, lj 36; 3346-0780), aberto às segundas, das 11h30 às 15h30, e de terça a domingo, das 11h30 às 15h30 e das 18h às 23h.



*Estagiária sob supervisão de Igor Silveira. 

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