Brasília-DF,
19/NOV/2018

Restaurantes oferecem pratos vegetarianos e veganos que vão além da salada

Opções vegetarianas e veganas da cidade chamam a atenção pela variedade e criatividade

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Rebeca Borges* Renata Rios Publicação:26/10/2018 06:06
Quiche de alho-poró e espinafre do Quitutices (Arthur Menescal/Esp.CB/DA.Press)
Quiche de alho-poró e espinafre do Quitutices

 
Dizer que quem não come carne só tem salada à disposição passa longe da realidade que veganos e vegetarianos encontram na capital. O crescimento desse padrão de consumo faz com que não apenas as casas especializadas busquem ampliar as alternativas, mas também com que restaurantes não especializados busquem receitas que agradem a esse público.

No Taypá, o público vegetariano é uma realidade e, por isso, cada cardápio da casa conta com opções voltadas a atender essa necessidade. “Hoje, muita gente que não é vegetariana, por questão de saúde, está consumindo pratos sem carne”, pontua o chef do Taypá, Marcos Espinoza. Entre as delícias que o comensal pode encontrar vale conferir o clássico ceviche na versão El vegano, que conta com cubos de verduras no lugar do peixe branco.

Claro que nem tudo é só saúde nesse mundo sem proteína animal. “As pessoas acham que tudo que é vegano e vegetariano é saudável, mas não é assim. As alternativas acabam sendo mais nutritivas, mas não necessariamente são as ideais”, explica Bernardo Feitosa, sócio da OK.jo Vegelácteos. Lá, os queijos veganos são preparados com arroz, grão-de-bico e amendoim no lugar do leite.

E, de fato, Flaviano Cardoso, proprietário do Catioro Food, apostou que alternativas nem tão fitness poderiam atrair os comensais: “As pessoas têm muito a ideia que o veganismo tem que ser fitness. Pensei em criar o truck com alternativas sem essa preocupação com a dieta”.

*Estagiária sob a supervisão de Vinicius Nader 
 
O ceviche ganha uma versão com legumes no lugar do peixe no Taypá (Fabrício Rodrigues/Divulgação)
O ceviche ganha uma versão com legumes no lugar do peixe no Taypá
 

Não pode faltar


O ceviche é um preparo que caiu, definitivamente, nas graças do brasiliense e é difícil pensar nesse preparo sem lembrar do chef peruano Marco Espinoza, que comanda as panelas do Taypá na capital. Para o público vegetariano e vegano, o chef acrescentou recentemente alguns preparos ao menu. “Nosso público tem muitos vegetarianos e veganos, por isso, a cada mudança de cardápio, cuidamos para ter opções vegetarianas”, pondera o chef.

Tudo começa pelo ceviche El vegano (R$ 57,50). “Ele mantém o frescor da receita, é uma entrada fria”. No lugar do peixe, o chef coloca vegetais crus, marinados em leite de tigre de laranja, gengibre e quinoa crocante. “Existem muitas variedades de ceviche, os legumes chegam a vir cozidos em outras receitas”, revela o chef.

Para quem preferir outra entrada, Espinoza sugere o Abre boca (R$ 41,70) — croquete de quinoa, shitake e molho de gengibre. Já para o prato principal, o Tofu noqui (R$ 68,80) apresenta um nhoque de mandioca com ragu de cogumelos e tofu crocante. “Os pratos vegetarianos têm a vantagem de ser mais leves e dá para trabalhar mais com os produtos da estação”, finaliza o chef.

A lasanha de berinjela leva 30% de abobrinha e 70% de berinjela (Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
A lasanha de berinjela leva 30% de abobrinha e 70% de berinjela


Preço, atendimento e qualidade


Quando o assunto é prato vegetariano, um aliado de muitos é o queijo. O insumo é quase uma unanimidade, afinal, é difícil encontrar quem não goste da iguaria. No Gratinado, como o nome sugere, os preparos da casa apresentam aquela camada de queijo finalizada no forno em todos os preparos, que no caso da casa são o parmegiana de filé (a partir de R$35,90), o de frango (a partir de R$32,90), a lasanha à bolonhesa (R$28,90) e, a estrela entre os vegetarianos, a lasanha de berinjela (R$28,90).

Apesar de não ser o carro-chefe, esse título vai para o parmegiana de filé. O preparo conquista quem experimenta, garante Paulo Cauhy, proprietário do local. “Eu sempre busco dar um ótimo atendimento para os clientes, afinal, tenho preço bom, comida de qualidade”, explica Paulo, que ainda revela que costuma sugerir o preparo vegetariano nas mesas: “As pessoas depois acabam voltando e repetindo esse pedido”

Sobre a receita, ele detalha: molho de tomate, massa de lasanha, berinjela e abobrinha italiana e o queijo para gratinar. “Eu não cozinho a berinjela e a abobrinha. No lugar eu asso, dessa forma, elas ficam com um sabor de caramelo muito interessante”, descreve. Vale destacar que tanto a lasanha à bolonhesa. Quanto a de berinjela podem ser compradas congeladas, para serem finalizadas em casa.

Novo ponto

Em dezembro, Paulo Cauhy pretende expandir seu negócio. Ele já está trabalhando na obra de um novo ponto do Gratinado, agora em frente à Caixa Econômica, na 712 Norte. “A proposta é montar outro Gratinado, nos mesmos moldes, para atender o final da Asa Norte”, explica Paulo, que promete ainda novas unidades da loja pela cidade nos próximos anos.
 
 
A banana é apresentada na moqueca de banana da terra, que acompanha todos os pratos, além de aparecer no doce de banana e na moqueca de palmito com banana da terra
 (Ana Rayssa/Esp.CB/D.A. Press)
A banana é apresentada na moqueca de banana da terra, que acompanha todos os pratos, além de aparecer no doce de banana e na moqueca de palmito com banana da terra
 

A hora e a vez da banana


Existem diversas histórias sobre como surgiu a receita da moqueca de banana da terra no Espírito Santo. Entre as muitas contadas, o chef do Vista Linda Goutheir Dias, ou Guto, como gosta de ser chamado conta :

“Durante a época da exploração de petróleo, um xeique vegetariano veio ao Brasil. Quando foi almoçar, surpreendeu a todos, pois não comeria a moqueca de peixe. O chef, então, teve uma ideia, usou uma receita da avó e serviu a moqueca de banana da terra”, relata o chef, que garante que o sucesso acabou popularizando a receita.

No restaurante da gastronomia capixaba Vista Linda, o comensal encontra duas moquecas para atender quem não come carne. A primeira é a moqueca de banana da terra, servida como acompanhamento para qualquer moqueca da casa (a partir de R$ 144,90, para duas pessoas). “A acidez da moqueca harmoniza muito bem com a banana, que é doce”, revela o chef, que conta ainda que é comum que o prato seja pedido por um casal e um come a moqueca com peixe o outro a com banana.

Já uma opção voltada para o público vegetariano e vegano é a moqueca de palmito com banana da terra (R$ 79,90, para duas pessoas), que vem à mesa acompanhada de arroz e pirão de legumes. “Coloco o palmito ed pupunha, apenas para finalizar, caso contrário, a textura fica muito macia”, explica o chef. Ele ainda sugere que o comensal aproveite a visita para experimentar o doce de banana da casa (R$ 16,90, com sorvete; ou R$ 8,90, sem sorvete), feito com banana-nanica e sorvete artesanal.


A quiche de alho poró é sucesso garantido na Quitutices (Arthur Menescal/Esp.CB/DA.Press)
A quiche de alho poró é sucesso garantido na Quitutices

Sem glúten e sem lactose (e vegetariano!)


Pessoas com restrições alimentares podem aproveitar das delícias da Quitutices, loja especializada em pratos sem glúten e sem lácteos. 

Um dos destaques é a quiche de alho-poró e espinafre (R$ 15, a fatia e R$ 85, a inteira). “Essa é uma receita que a gente já tem há bastante tempo no cardápio. O objetivo é ser uma opção para quem não come carne”, conta a chef Inaiá Sant’Ana. O prato é feito com farinha de amêndoas e de arroz, ovos e leite de castanhas de caju, “para dar cremosidade”.

O leite de castanhas é bastante utilizado nas receitas da casa: “é uma alternativa para cortar a proteína do leite. A gente trabalha bastante com as oleaginosas”, conta. 


O hambúrguer de cogumelos da Jamm Burgers é preparado com shitake e shimeji (Jamm Burgers/Divulgação)
O hambúrguer de cogumelos da Jamm Burgers é preparado com shitake e shimeji


Com cogumelos ou grão de bico


Em Brasília há um ano, a loja Jamm Burgers veio de Salvador e desembarcou na capital. Além de hambúrgueres, a casa serve cachorros-quentes e milkshakes. Bruno Carvalho, sócio-proprietário do estabelecimento, explica que o conceito da loja é de que o cliente tenha liberdade para escolher os ingredientes que farão parte do prato. Para atender à demanda da clientela, a casa incluiu opções sem carne no menu.

“Temos duas alternativas vegetarianas, e todos os nossos pães são sem lactose”, explica Bruno. Uma das opções é o hambúrguer de cogumelos (R$ 30,90), com queijo minas meia cura, cebola caramelizada, rúcula e maionese de ervas da casa. 

“Ele leva shitake e shimeji. A gente faz todos os produtos diariamente”. Além disso, a iguaria acompanha uma porção de cebola empanada ou de batata frita.

A outra iguaria vegana do cardápio é o falafel burger (R$ 29,90, com cebola empanada ou batata frita como acompanhamento). “O falafel tem uma saída muito boa. É como se fosse um quibe, mas é preparado com grão de bico”, ressalta Bruno. O prato conta também com queijo, alface, shimeji e maionese de limão.


Os hot dogs veganos do Catioro Food estão disponíveis em três sabores
 (CatioroFood/Divulgacao)
Os hot dogs veganos do Catioro Food estão disponíveis em três sabores

Dogão vegano


Cachorro-quente vegano? Sim! Essa é a especialidade do Catioro Food, food truck comandado por Flaviano Cardoso. A criação do estabelecimento nasceu a partir da demanda de Flaviano como consumidor — ele é vegano há 11 anos. 

“Eu imaginava um lugar que tivesse comida vegana por um preço acessível, e que fosse uma coisa saborosa. Queria quebrar o padrão de comida fitness”, explica o responsável pelo negócio.

Atualmente, o menu do Catioro Food conta com três hot dogs, todos veganos: um tradicional (R$ 10), com salsicha à base de soja; um preparado com shimeji (R$ 12) e um terceiro, com carne de jaca (R$ 12). Flaviano conta: “a salsicha de soja tem a mesma textura e o mesmo formato da salsicha tradicional. Ela é muito próxima da carne”. 

Outro sucesso é o cachorro-quente com recheio de cogumelo shimeji ao shoyu. “Esse é uma explosão de sabores”, afirma.

Além disso, a maior parte da produção do food truck é artesanal: dos molhos aos acompanhamentos (como o veicon, bacon à base de proteína de soja, e a batatarela, mussarela à base de batata). “O nosso processo é 80% artesanal. A única coisa que a gente não prepara é a salsicha”, ressalta Flaviano.


Os sanduíches são opções deliciosas para um lanche rápido (Felipe Menezes/Divulgação. )
Os sanduíches são opções deliciosas para um lanche rápido


Para um lanche ou uma refeição


O Noroeste ainda é um bairro bem jovem na cidade e, aos poucos, vai formando seu comércio. Uma das casas, desbravando os mistérios da clientela do  local, foi o Sálvia Sabor e Saúde. O proprietário do local, Gabriel Rogério, explica que a receptividade na região tem sido muito boa: “ Nossa equipe do restaurante se empenha diariamente para atender com muita gentileza e acolhimento todos os clientes”, garante.

Para os vegetarianos comerem, a primeira sugestão é salada. A escolha, que parece óbvia, vem em uma montagem diferenciada no local. A Veggie-me conta com rúcula, alface americana, tomate-cereja, brócolis al dente, cubos de ricota, batata-doce grelhada, chia, gergelim preto, gergelim dourado e molho de iogurte natural com mostarda (R$ 23). O chef da casa explica que, apesar de todos os clientes receberem o mesmo tratamento: “Procuramos sempre orientar os clientes vegetarianos e veganos quanto à procedência e receita dos nossos alimentos”.

Já para um lanche rápido, mas delicioso, o chef recomenda os sanduíches. Destaque para dois; o Olive (R$ 25) — espinafre refogado, tomates e berinjela grelhados e azeitona preta servido no pão ciabatta — ou o Fresh (R$ 22) — abobrinha grelhada, creme de ricota temperada com hortelã e sálvia servido em pão de forma integral.


O falafel leva apenas grão-de-bico e temperos em sua massa
 (Helio Montferre/Esp. CB/D.A Press. )
O falafel leva apenas grão-de-bico e temperos em sua massa

Sabor árabe


A gastronomia árabe é uma das mais antigas e conhecidas formas de cozinhar. Entre os muitos preparos amplamente consumidos nessa cultura, a carne nem sempre tem um papel protagonista e, diversas vezes, ela nem chega a aparecer entre os ingredientes de uma receita. A proprietária e chef do Beit Kahama oferece em sua casa algumas receitas sem carne e ela garante que não deixam a desejar em relação às receitas com o produto.

“Entre os meus itens mais pedidos está o bolinho de falafel(R$25). Sirvo ele em uma porção com seis unidades, acompanhado de pão, salada e o molho de iogurte”, descreve a chef, ela destaca que, para os veganos, a casa pode substituir o molho de iogurte pelo húmus. “Aqui no Quituarte, o quibe frito ainda sai mais. Já em eventos, o falafel chega a ser o mais pedido”, se gaba.

“Esse é um bolinho que ganha o amor dos comensais à primeira vista. A massa é temperada com salsa, coentro, alho, cebola e cominho. Fica muito saborosa”, detalha a chef. Ela ainda ensina: “Esse prato é para ser comido com a mão. O certo é colocar a salada, o bolinho e o molho dentro do pão e comer, o sabor é outro”


 Os queijos da OK.jo Vegelácteos são preparados com arroz, grão de bico e amendoim ( Barbara Cabral/Esp.CB/DA.Press. Brasil. Brasilia. Divirta-se Mais. Pratos vegetarianos e veganos. )
Os queijos da OK.jo Vegelácteos são preparados com arroz, grão de bico e amendoim

Festa dos vegelácteos


Os amigos Bernardo Feitosa e Keli Andrade dividem os empregos formais com uma paixão: a elaboração de queijos e iogurtes veganos. Os sócios comandam a empresa OK.jo Vegelácteos, e começaram a produção por sentirem falta de opções com preços acessíveis e ingredientes menos agressivos ao corpo no mercado.

“Hoje, fazemos a massa dos queijos à base de amendoim e grão de bico. É uma receita muito versátil, por isso estamos testando com vários produtos”, explica Bernardo. O processo é iniciado quando os dois ingredientes são colocados de molho, onde permanecem entre 8h e 12h. “Além de amolecer o amendoim e o grão de bico, o molho serve para tirar os fitatos (antinutrientes), pois eles podem prejudicar o funcionamento do organismo”, conta Bernardo.

Depois, os queijos passam pelas etapas de coagulação, dessecagem e prensa. “O processo inteiro tem entre 36h e 48h de duração”, ressalta o sócio. Das cinco opções de queijos disponíveis, quatro contam com esse preparo: os queijos cremosos (nos sabores tradicional, curry, páprica e salsa e cebolinha), rústicos, defumados e maturados. A quinta alternativa é preparada à base de arroz. Com 200g, as iguarias variam entre R$ 7,50 e R$ 20.


Onde comer


Gratinado 
(108 Norte, Bl. D, lj. 16; 3034-7060), aberto de terça a domingo, das 11h30 às 23h.

Beit Kahama 
(Qi 9/10, Lago Norte, Quituarte; 99970-0938 ), aberto sexta, das 18h às 23h; sábdo, das 11h às 21h; domingo, das 11h às 17h. Não aceita cartão de crédito.

Vista Linda 
(Núcleo Rural Lago Oeste, Rua 14, chácara 379; 3302-5939), aberto sábado e domingo, das 12h às 16h, mediante reserva. Para outras datas é necessário agendamento prévio.

Taypá 
(QI 17, Comercial, Bl. G, lj 208/210, Fashion Park, Lago Sul; 3248-0403), aberto de segunda a sexta, das 12h às 15h e das 19h à 0h; sábado, das 12h às 16h e das 19h à 1h; domingo, das 12h às 16h.

Sálvia Sabor & Saúde 
(CLNW 10 /11 Bl. C, lj 10, Setor Noroeste; 3307-1892), aberto diariamente, das 11h às 22h.

Quitutices 
(216 Sul, Bl. A, lj 12; 3543-5057), aberto de terça a sexta, das 10h às 19h e sábado, das 9h30 às 18h.

Catioro Food 
(Estacionamento da área residencial da 208 Norte e Estação Águas Claras), aberto diariamente, exceto terça, das 18h à 0h. O contato pode ser realizado por meio da página Catioro Food, no Facebook.

Ok.jo Vegelácteos 
(Produtos vendidos na Apetit Natural, 407 Norte, Bl.B; 3254-6879), aberto de segunda a quinta, das 11h às 15h e das 17h às 22h30, e sexta e domingo, das 11h às 15h.
 
Pedidos também podem ser realizados pelo site okjo.com.br ou pelos telefones 98210-3062 e 98159-7609).

Jamm Burgers 
(413 Sul; 3204-4662), aberto de terça a domingo, das 17h à 0h.

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