Brasília-DF,
22/JUL/2019

No Dia da Mulher, conheça chefs da capital federal!

O Divirta-se mais selecionou algumas casas que são comandadas pela ala feminina

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Mariah Aquino* Renata Rios Publicação:08/03/2019 06:00Atualização:08/03/2019 13:53

Fabiana Braga, Raquel Amaral e Nivalda Neves comandam cozinhas na capital (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press - Gabriele Oliveira/Divulgação - Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Fabiana Braga, Raquel Amaral e Nivalda Neves comandam cozinhas na capital
 

 

Muito além de flores e bombons que costumam ser dados no Dia Internacional da Mulher tem um significado na luta pela igualdade de gêneros. A data surgiu em 1911, mas a história vem de 1857 — ano em que mais de 100 mulheres foram queimadas em uma fábrica têxtil, em Nova York, por reivindicarem redução da jornada de trabalho e o direito à licença-maternidade.

 

A cozinha ainda é conhecida como um meio machista, mas, aos poucos, tem se tornado mais comum encontrar restaurantes de mulheres, ou chefiado por elas. Um exemplo de gestão na capital é o Rapport Cafés Especiais e Bistrô, comandado pela proprietária Fabiana Braga. No local, nada passa para o salão sem o minucioso olhar de Fabiana.

 

A personal chef Raquel Amaral trabalha com consultoria em estabelecimentos na cidade e ainda faz eventos dos mais variados. “Sou muito criativa, não saberia entrar numa rotina. Para esse ano, estou cheia de projetos”, garante. Ela teve a oportunidade de trabalhar com uma das maiores chefs do país, a premiada Helena Rizzo, do Maní, em São Paulo.

 

Ainda no time das meninas, Nivalda Neves, que era a responsável pelas caçarolas do Figueira da Villa, assume a cozinha do Fulô di Jirimum. A casa recém-inaugurada tem como chef Nivalda, que se mostra empolgada com o projeto: “Aqui, sei que é a minha praça, cozinho com amor. Se não estou bem, nem pego na panela”.

 

Para fechar a conta, Marisperc Sousa Lima, ou Maris, como gosta de ser chamada, é a orgulhosa proprietária do Bolos da Vovó, que recebeu diversos prêmios, inclusive o MPE Brasil e o Mulher de Negócios, do Sebrae. Ela conta que o gosto da cozinha veio da mãe, que ficava em casa cuidando dela e dos irmãos enquanto o pai trabalhava na rua.

 

*Estagiária sob supervisão de Igor Silveira

 

Criatividade e muitos projetos 

Apaixonada pela gastronomia, Raquel apostou em ser personal chef para não cair na rotina (Gabriele Oliveira/Divulgação)
Apaixonada pela gastronomia, Raquel apostou em ser personal chef para não cair na rotina

 

Raquel Amaral é um exemplo de amor pela cozinha. A chef, que trabalhava em outra área, decidiu largar tudo e apostar na cozinha — e o projeto deu certo. Desde então, viveu experiências incríveis, como participar do The Taste Brasil e trabalhar no Maní, restaurante da premiada chef Helena Rizzo.

 

Raquel conta que trabalhar como personal chef veio como uma mão na roda: “Gosto muito de criar. Quase toda vez que um cliente me liga, eu crio um prato para a ocasião. Gosto muito de criar, misturar”. Entre os sabores com os quais a chef gosta de trabalhar, destacam-se os ingredientes nacionais e os japoneses. “Eu gosto desses sabores e aproveito meu direito de misturá-los para criar coisas novas”, explica. Para quem busca o serviço de personal chef, Raquel explica que a experiência pode ser para duas pessoas ou para um evento grande. “O cliente vai me falando do que ele gosta, qual a ideia do evento e eu vou criando para a ocasião.”

 

Ainda este ano, Raquel assina o menu de duas casas. A primeira é o Na Vila, um bar com uma proposta de servir vinhos e drinques. “Essa é uma casa que mistura a referência dos botecos cariocas com os botecos japoneses”, descreve. Outro projeto que a chef encabeça é o Projeto Terroir por Raquel Amaral, que começou como uma ação itinerante no ano passado. Esse ano, a primeira edição será em 4 de abril, no Publican Bar.

 

Culinária para todos 

Alessandra ministra aulas para crianças e adultos há 11 anos (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Alessandra ministra aulas para crianças e adultos há 11 anos

 

Alessandra Brant fundou a Arca do Sabor há 11 anos, uma das opções brasilienses para quem quer se aperfeiçoar na culinária. O estabelecimento oferece cursos para crianças e adultos de culinária básica, confeitaria e outros. “Você conhecer a matéria-prima ajuda muito no desenvolvimento da cozinha, a elaborar e a pensar melhor o menu”, explica Alessandra.

 

Ela trocou a profissão de engenheira agrônoma pela gastronomia, mas os conhecimentos prévios foram muito úteis. Com dois filhos pequenos, Alessandra ressalta a importância de incluir as crianças na atividade. “Elas precisam entender que estar na cozinha é natural”. Com o passar dos anos, percebeu uma mudança de visão: “No começo, as pessoas me viam como uma Dona Benta”, brinca. “Hoje, tem uma valorização, tiram dúvidas e realçam mais a profissão”, completa.

 

Em março, a Arca do Sabor oferece o curso de culinária básica para crianças e também de doces brasileiros. As aulas ocorrem às sexta à tarde ou aos sábado, pela manhã. Para os adultos,o curso de culinária para o dia a dia, dieta low carb fácil, comidas árabes e jantares fáceis. As aulas são na terça e quinta-feira, durante a noite. “Cozinhar não é só para mulher de forma alguma, cozinhar deve ser tão simples quanto tomar banho, por exemplo”, ressalta Alessandra.

 

Valores

O preço dos cursos varia de R$ 100 a R$ 130, as aulas duram cerca de 1h30.

 

Trem bão

As alternativas servidas são todas de receitas da família de Tereza Côrtes (Jhonatan Vieira/Esp. CB/D.A Press)
As alternativas servidas são todas de receitas da família de Tereza Côrtes

 

Quando Tereza Côrtes escuta “Uai Bezinha”, o termo vai muito além do nome de um restaurante. Ele remete aos tempos de criança, quando a mãe, Maria de Lurdes, preparava uma deliciosa comida e o pai, Antônio Felipe, logo falava: “Uai Bezinha, você quer me matar de comer”, relembra Tereza, que abriu o restaurante com a filha Lara Ludmila Côrtes Landin.

 

“Todas as receitas da casa são da nossa família — avós, bisavós. Tudo catalogado ao longo de anos”, explica Tereza, que enaltece o fato de que as comidas são feitas com o máximo de cuidado. “Não colocamos fermento nas massas, é tudo artesanal, com muita qualidade”, garante. Na casa, Tereza optou por trabalhar com mulheres: “Para ter um atendimento intimista achei que mulheres funcionariam melhor. No início, tive receio de algum cliente interpretar errado, mas caímos muito bem no gosto do público”.

 

Entre as receitas com as quais a casa trabalha, Tereza destaca o trem de mineiro, uma seleção ampla que permite ao comensal se sirvir à vontade por R$ 20,70. “De segunda a sexta, das 14h às 20h30, servimos esse bufê. Ainda vale destacar que o cliente come à vontade”, garante. Na lista de alternativas, broa temperada, bolachinha cravo e canela, curau, arroz-doce, cuscus com ovo mexido e queijo canastra e biscoito de queijo, além de sucos, chás, leite caramelado e café coado para beber.

 

Sabor sertanejo 

Nivalda Neves comanda as caçarolas no Fulô di Jirimum (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Nivalda Neves comanda as caçarolas no Fulô di Jirimum

 

Após alguns anos à frente da cozinha do Figueira da Villa, Nivalda Neves embarcou em uma nova aventura com o irmão, Valdir Neves: o Fulô di Jirimum. “Sou sertaneja e, aqui, posso inovar, incrementar e trazer novidades para o cardápio”, pontua Nivalda.

 

No menu, a casa de comida nordestina traz preparos como o acarajé (R$ 9,90), a rabada com agrião (R$ 35) — acompanhada de vatapá, caruru, pirão da rabada e arroz — e a quenga de galinha (R$ 39,90) — galinha com creme de milho servida com polenta de milho verde. “É uma comida bem-afetiva, cozinho desde criança, crescemos dentro de restaurante”, relembra Nivalda.

 

Sobre os cuidados para montar o menu, a chef conta que, antes de tudo, ela pesquisou muito sobre a gastronomia na região. “Estudei para conhecer ainda mais os preparos tradicionais de todos os estados que formam o Nordeste”, explica orgulhosa. Outro cuidado é com a qualidade do que é servido, “O acarajé, por exemplo, não entra no menu todos os dias, pois a massa não pode ficar de um dia para o outro”, pondera.

 

Entre amigas 

No Pinella, os pratos têm nome de mulher (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
No Pinella, os pratos têm nome de mulher

 

O Pinella bar é comandado pelas amigas de longa data Marta Luizzi e Flávia Attuch. O empreendimento começou como café há sete anos e, hoje, é um bar reconhecido na cidade. “Durante os quatro primeiros anos, sempre estávamos dentro da operação mesmo”, explica Marta. “Eu, no caixa, e Flávia, como atendente, uma na cozinha, a outra fazendo as compras.” Com o crescimento e consolidação da casa, elas passaram a administrar as atividades.

 

“Mesmo assim, acompanhamos todos os processos, tudo tem um toque nosso”, ressalta Marta. Ela também conta que, no começo, tiveram que lidar com piadinhas e pessoas que duvidavam da capacidade da dupla. “É mais comum ver mulheres à frente de confeitarias, de forma meio estereotipada. Como bares eram, por muito tempo, ambientes mais masculinos, achavam que a gente não ia dar conta”, relembra.

 

O bar conta com uma extensa carta de drinques alcoólicos e não alcoólicos. Todos os pratos do cardápio da casa têm nome de mulheres, tanto de figuras públicas quanto de familiares ou amigas. Marta recomenda o Maria (R$ 35, sanduíche de rosbife, cheddar, tomate, cebola da casa, cebola crocante e pasta de alho na baguette de parmesão). Um dos sucessos da casa é o Gláucia (R$ 32, uma porção de iscas de filé de frango empanadas em panko com gergelim).

 

Poder da boa gestão 

Fabiana cozinha apenas em casa, mas não abre mão de buscar por novidades para o Rapport Cafés Especiais e Bistrô (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Fabiana cozinha apenas em casa, mas não abre mão de buscar por novidades para o Rapport Cafés Especiais e Bistrô

 

No Rapport Cafés Especiais e Bistrô, o comando da casa é de Fabiana Braga, que administra com olhos de lince. Sempre presente, a proprietária prova tudo que sai da cozinha, conversa com os clientes e dá orientações na cozinha. “Adoro comer, sempre que viajo, busco novidades, tanto na decoração quanto nos preparos”, relata Fabiana. Para ela, parte do segredo da casa está nesse cuidado de estar presente e garantir a qualidade de tudo que vai para o salão. Vale creditar os deliciosos preparos as baristas do local, Daiane e Raquel, e a cozinheira chefe, Marina de Freitas, todas mulheres que se destacam no serviço que oferecem.

 

Entre as sugestões do local, Fabiana indica um sanduíche que traz uma ousada mistura de sabores, com um drinque. “Achei essa combinação interessante e que tem bem a cara do Rapport”, destaca. O drinque é o Extrakt tônica (R$ 26) — vodca saborizada com cardamomo, maçã e gengibre, shrub de limão, vermute branco artesanal, água tônica, abacaxi e folha de sálvia. O sanduíche vem em pão ciabata com recheio de maçã verde, gorgonzola, parma e um toque de mel.

 

Árabe tradicional 

O kibe cru é um dos pratos mais tradicionais do Arak (Carlos Vieira/CB/D.A Press)
O kibe cru é um dos pratos mais tradicionais do Arak

 

No bar e restaurante árabe Arak, em Águas Claras, a síria Reem Obied e a mãe comandam o empreendimento. “São receitas dela, é um comércio de família. Nosso estilo é um pouco diferente, o ambiente é familiar, a comida é bem caseira”, explica Reem.

 

Dentre as delícias árabes preparadas no restaurante, Reem destaca a porção do tradicional kibe cru. “Ele é feito com carne de primeira bem selecionada, trigo e especiarias árabes”, explica. “As especiarias são uma receita da minha mãe. Também acompanham hortelã, cebola e pão sírio”. A porção serve duas pessoas e sai por R$ 32,90 e a meia porção, por R$ 18,90.

 

Na tradição, Reem explica que o kibe cru pode vir acompanhado da bebida árabe arak, que nomeia o restaurante. Ela é feita de uvas com infusão de anis, tem 50% de concentração alcoólica e, inicialmente, é transparente. Quando gelo ou água são acrescentados, a bebida adquire um tom esbranquiçado e leitoso.

 

Aproveite!

Às sextas, o Arak promove a sexta brasileira com música nacional a partir das 20h. O sábado é dia de apresentações de dança folclórica árabe, no mesmo horário.

 

"Vegano junk" 

O acarajé vegano do Oyá não perde no sabor e vem acompanhado de pimenta (Carlos Vieira/CB/D.A Press)
O acarajé vegano do Oyá não perde no sabor e vem acompanhado de pimenta

 

Luciane Santos tinha experiência prévia em cozinhas, mas não trabalhava com gastronomia. Em um período de mudanças de hábitos, decidiu abrir o Oyá Cozinha Vegana. “Eu estava cansada da vida corporativa. Queria um empreendimento mais humano comigo e com os outros”, explica. Quando começou, a equipe exclusivamente de mulheres.

 

Para o cardápio da casa, Luciane construiu versões veganas de comidas que ela sempre gostou. “Eu nunca fui fã de ficar só na salada, sempre fui um pouco mais ‘junk’”, admite. Para ela, o prato que mais representa sua cozinha é o acarajé (R$ 22,90).

 

O Oyá recebe diversos eventos inclusivos, debates, lançamentos de livros e rodas de conversa. Neste mês, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a casa será sede de diferentes iniciativas. Uma delas é o lançamento da obra Lute como uma menina, de Renata Almeida, no dia 21. No dia 12, a primeira edição do Café Democrático debaterá a atual conjuntura política sob a perspectiva de gênero. A programação completa pode ser conferida no perfil do restaurante no Facebook.

 

Respeite a empreendedora 

O bolo formigueiro é uma das receitas favoritas da clientela (Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
O bolo formigueiro é uma das receitas favoritas da clientela

 

Marisperc Sousa Lima, ou Maris, como gosta de ser chamada, é a proprietária do Bolos da Vovó. A rede, que surgiu com a ideia de abrir franquias com a cozinha voltada para receitas caseiras, aquelas com gostinho de comida de avó. “Eu me lembro de, quando criança, ver minha mãe fazendo bolo, pudim, pastel... Ficava sempre ajudando”, revela Maris.

 

Entre as receitas da casa, Maris destaca um preparo que mescla a massa branca com o granulado, dando um efeito de formiguinhas no bolo, daí o nome, bolo formigueiro (R$ 17 ou R$ 27, com cobertura). “Temos muitos clientes que falam sobre o quanto o bolo lembra a avó. Esse bolo formigueiro com calda de chocolate, então, é o amor das crianças”, garante. Temos também dois bolos que acabaram virando queridinhos: o bolo de cenoura trufado (R$ 33,90) — o recheio e a cobertura são de chocolate, já a massa, de cenoura, leva um pouco de licor de laranja — a outra pedida é o bolo de leite ninho (R$ 35) — que usa o ingrediente na massa e na calda. A casa ainda traz alternativas voltadas para quem tem restrições alimentares, como bolos sem glúten, sem lactose e veganas.

 

Onde comer

 

Arak 

(Av. Pau Brasil, nº 14, Águas Claras; 3203-3281), aberto de terça a quinta, das 17h à 0h, sextas, das 17h à 1h; sábados, das 11h à 1h e domingos, das 11h às 23h30

 

Arca do Sabor 

(915 Sul, Bl. C, lj. 106; 4141-4759), aberto de segunda a sexta, das 9h às 17h e aos sábados, das 9h às 12h.

 

Oyá Cozinha Vegana 

(109 Norte, Bl. A, lj. 60; 3024-8166), aberto de terça a sexta, das 16h às 23h; sábado das 12h às 23h e domingo, das 12h às 21h.

 

Pinella 

(408 Norte, Bl. B, lj. 20; 3347-8334), aberto de segunda a quarta, das 17h à 1h e de quinta a sábado, das 17h às 2h.

 

Bolos da Vovó Cafeteria e Confeitaria 

(310 Sul, Bl. C, lj 2; 3541-0095), aberto de segunda a sábado, das 7h30 às 19h. (Quadra 25, lt 20, lj 3, Gama, Setor oeste, comercial; 99382-7806), aberto de segunda a sábado, das 8h às 18h.

 

Rappoprt Cafés Especiais e Bistrô 

(201 Sul, Bl. B, lj 19; 3322-0259), aberto de segunda a sexta, das 10h às 22h; sábado, das 10h às 20h.

 

Uai Bezinha 

(311 Sul, Bl. B, lj 37; 3543-1000), aberto de segunda a sábado, das 9h às 21h; domingo apenas para eventos pré agendados

 

Raquel Amaral Personal Chef 

(Instagram: @ChefRaquelAmaral; telefone e Whatsapp: 98450-8310), todos os tipos de eventos, desde jantares a dois até festas corporativas.

 

Fulô Di Jirimum 

(Rua 1, Lote 4, Acampamento DFL, Vila Planalto; 3081-0563), aberto de terça a sábado, das 11h30 às 15h30 e das 18h às 23h; domingo, das 11h30 às 17h. 

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