Brasília-DF,
20/AGO/2019

Boteco maravilha: Casas de Brasília oferecem muito mais do que bebidas

Um dos principais patrimônios brasileiros, esses espaços oferecem delícias diversas sem precisar de salões suntuosos ou menus com nomes complicados

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Mariah Aquino* Renata Rios Publicação:15/03/2019 06:00Atualização:14/03/2019 17:56
Na capital, os barzinhos oferecem bem mais do que drinks (Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
Na capital, os barzinhos oferecem bem mais do que drinks


Julgar um livro pela capa costuma ser um erro. Muitas casas de Brasília, por exemplo, podem parecer despretensiosas, mas trazem preciosidades da gastronomia. Nesta edição o Divirta-se Mais fez um tour por espaços modestos, sem talheres de prata ou pratos de nome difícil. A comida é simples, bem-feita e para lá de deliciosa.

São muitos os estabelecimentos praticamente despercebidos nos comércios, mas que a fama vem pela comida. Um exemplo é o Bar do Amigão. A casa é antiga na cidade e, atualmente, atrai mais gente para comer do que para beber. “Tem gente que vem aqui e não toma nada alcoólico”, releva Rubens Arake, proprietário do local.

Outro exemplo de queridinho da cidade é o Pauliceia. Sob a administração de Raul Cautela, o local oferece uma picanha feita na hora, ao lado das mesas, que é um sucesso e fideliza quem prova. “A picanha está no menu há 15 anos, acho que o sucesso dela é devido à qualidade da matéria-prima escolhida”, informa Diana Cautela, filha de Raul, que ajuda a administrar o local.

Outra sugestão é conhecer o Bar do Neguinho. Ponto privilegiado, às margens do Lago de Brazlândia, o local não ganha pontos apenas pela paisagem, mas também com a galinhada, que atrai comensais de todo o DF para a casa. “Tomo muito cuidado para que tudo seja muito bem-feito. O segredo da galinhada está no molho de açafrão”, garante Vilmar Rodrigues Abadia, ou Neguinho, como é conhecido.

Haja fome

A Toca do Chopp oferece tanto opções simples quanto sofisticadas (Sérgio Amaral/CB/D.A Press)
A Toca do Chopp oferece tanto opções simples quanto sofisticadas
 

 

No complexo Quituart, localizado no Lago Norte, várias partes do Brasil e do mundo se encontram. São restaurantes de estilos variados em um só espaço. A Toca do Chopp, nesse contexto, é uma boa parada para quem não abre mão de uma comida de boteco. “Seguimos uma linha prática de bar nos pratos, com toques boêmios”, explica o proprietário Claude Capdeville. “Temos alguns pratos mais sofisticados também.”

O sanduíche prego no pão (R$ 24) ficou conhecido na casa pelo sabor característico e serve bem uma pessoa. Trata-se de um prato tipicamente português preparado no pão francês com recheio de filé e alho dourado.

“Agora, voltei a fazer um prato que eu fazia antes e o pessoal tem adorado”, relembra Claude. Quem for visitar a Toca do Chopp pode experimentar o autêntico joelho de porco defumado assado na televisão de cachorro, acompanhado de batatas com alecrim e farofa de ovos (R$ 86).

Vale a viagem

Apesar de afastado do centro da cidade, o Bar do Neguinho faz valer a distância (Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
Apesar de afastado do centro da cidade, o Bar do Neguinho faz valer a distância
 

 

No Bar do Neguinho, a comida não fica em segundo plano. O proprietário, Vilmar Rodrigues Abadia, ou Neguinho, como é conhecido, cuida para que tudo que sai da cozinha seja de qualidade, além de delicioso. O resultado impressiona e atrai clientes de todo o DF para Brazlândia, onde a casa fica localizada às margens do lago local.

Entre os preparos que o cliente pode degustar na casa, o destaque vai para a galinhada, que vem à mesa com arroz, feijão, quiabo, salada e farofa. “Aos domingos, fazemos também polenta de milho verde para acompanhar”, ressalta o proprietário. Ele explica que, para garantir a qualidade do produto, compra as galinhas caipiras vivas. “Na hora de cozinhar, cada galinha vai para uma panela de pressão de sete litros”, descreve sobre o preparo.

Além da galinhada, o cliente ainda pode aproveitar para experimentar a carne de sol, feita na casa usando o contrafilé e servida acompanhada de mandioca e vinagrete (R$ 146,90, para seis pessoas; 86,90, para três pessoas). Ou, pelo mesmo valor, o cliente pode pedir a picanha acebolada, também com mandioca e vinagrete.

Para levar: Entre as receitas do Neguinho, o molho de pimenta e a linguiça artesanal de pernil podem ser adquiridos no local. A pimenta, que pode ser amarela ou vermelha, sai por R$ 4, a unidade; enquanto a linguiça custa R$ 23, o quilo.

Lugar de encontros

O Bar dos Cunhados é um bom espaço para bater papo com os amigos (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
O Bar dos Cunhados é um bom espaço para bater papo com os amigos
 

 

Não é de hoje que o Bar dos Cunhados, na Asa Norte, mostra-se um bom ponto para quem quer jogar conversa fora e encontrar os amigos. O estabelecimento existe desde 1981. “Esse bar foi criado a partir de uma amizade, uma relação familiar”, explica o proprietário Paulo Prado. “Não foi por negócio.”

O boteco simples oferece diferentes opções de comida para quem escolhe dar uma paradinha por lá. A moela de frango ao molho (R$ 38,90) é uma das queridinhas da casa e a porção serve duas pessoas. Também no time de indicações da casa está a rabada, com arroz pirão e agrião. A porção para duas pessoas sai por R$ 76,90, a meia porção, por R$ 46,90 e o prato executivo individual, R$ 25,90.

Paulo brinca com os elogios que as comidas da casa recebem: “Nossos pratos aqui são muito bons e não sou eu que falo não, nossos clientes falam para a gente”. Às sextas, é possível aproveitar a feijoada da casa com carnes selecionadas, torresmo, farofa, couve, molho de pimenta e caipirinha. A porção individual sai por R$ 24,90 enquanto a porção completa, para até três pessoas, por R$ 75,90.

Peixe indispensável

O restaurante Traíra sem espinha foi um dos primeiros na cidade a oferecer o prato (Bruno Peres/CB/D.A Press)
O restaurante Traíra sem espinha foi um dos primeiros na cidade a oferecer o prato
 

 

A traíra sem espinha é o carro-chefe do restaurante com o mesmo nome. Tradicional na Vila Planalto, o estabelecimento funciona há 23 anos no mesmo lugar, como destaca o proprietário, Givaldo Francisco, e oferece pratos à la carte. “Temos petiscos, porções e pratos à base de peixe, frango e filé- mignon”, destaca.

Por ser um peixe leve, a traíra sacia bem sem encher muito. No restaurante, é acompanhada de arroz branco, farofa e vinagrete. Os valores das porções variam: R$ 92,90 para duas pessoas, R$ 136,para três; e R$ 168,90, para quatro.

A comida é destaque no estabelecimento. Para quem prefere experimentar outros pratos, a picanha também é uma boa opção. Feita na chapa com queijo, acompanha arroz branco e farofa de ovo (R$ 124 para três pessoas). O pirão (R$ 15,90) também é um dos queridinhos da casa.

Amigo da barriga

Bar do Amigão: almoço com jeitinho caseiro (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Bar do Amigão: almoço com jeitinho caseiro
 

 

Quando o assunto é um bar para comer bem, o Bar do Amigão é um dos mais famosos da cidade. A comida simples, caseira e extremamente bem-feita atrai diversas pessoas, que vão ao local para almoçar no intervalo do trabalho. “Durante o dia, muita gente vem para comer; à noite, tem também o público que vem para beber”, informa Rubens Arake, proprietário do local.

Dos preparos oferecidos, Rubens destaca o joelho de porco (R$ 87,50), que vem à mesa guarnecido com batata souté e arroz. O joelho é defumado, antes de preparar, ele é temperado e então passa por cerca de 40 minutos na pressão, depois fritamos, para pururucar a pele. “Esse prato sai todos os dias, é um dos mais pedidos”, informa.

Para Rubens, o segredo está numa comida simples. “Quando assumi a casa, mantive todo o cardápio. O segredo é uma comida trivial, bem temperada e bem-feita. Isso que é essencial”, garante.

Direto do Ceará

O baião de dois da casa se destaca pelo sabor marcante (Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
O baião de dois da casa se destaca pelo sabor marcante
 

 

Para os amantes de comida nordestina, o Ceará Carne de Sol é parada essencial no Guará. “Nosso cardápio é todo voltado para o Nordeste, com pratos bem típicos”, esclarece o proprietário Adelson de Oliveira, popularmente conhecido como Ceará.

Toda quinta, a casa oferece uma tradicional caranguejada, a partir das 18h. Cada caranguejo sai por R$ 12,90 e é vendido individualmente, acompanhado de farofa e vinagrete. Entre os mais pedidos da casa, também está a carne de sol flambada (R$ 49,90). A iguaria vem acebolada, com queijo e macaxeira e a porção é individual.

A indicação de Ceará é o baião de dois da terrinha (R$ 99,90). Com carne de sol completa, o prato é composto de baião de dois, paçoca de carne de sol, macaxeira, queijo coalho e carne de sol na brasa. O queridinho da casa serve até quatro pessoas e é uma ótima pedida para celebrar com os amigos.

Picanha é aqui!

A picanha assada na hora é a favorita dos clientes do Pauliceia (Minervino Junior/CB/D.A Press)
A picanha assada na hora é a favorita dos clientes do Pauliceia
 

 

Uma breja gelada com uma picanha fatiada acompanhada de vinagrete e pão. Essa é a aposta de sucesso no Pauliceia. A casa é uma queridinha da capital e tem clientes fiéis. Entre os mais pedidos no local, está a picanha, feita na churrasqueira, ao lado das mesas dispostas no fundo da loja.

Há 15 anos no cardápio, a picanha é pesada e o cliente paga o valor do quilo, no caso da picanha bovina, R$ 95, o quilo. “Nossa picanha é muito pedida, tanto no almoço, para acompanhar a comida do bufê (R$ 53), quanto para petiscar à noite”, informa Diana Cautela, filha do proprietário, Raul Cautela, que ajuda a administrar o local. Entre os motivos que ela atribui está a qualidade da matéria-prima. “Meu pai procura ingredientes muito bons. De resto, não tem segredo, é só sal grosso e colocar na churrasqueira.

Além da picanha, o cliente ainda pode pedir o T-Bone (R$ 85, o quilo), linguiça de formiga (R$ 25, 500g), linguiça apimentada (R$ 50, o quilo), picanha de cordeiro (R$ 95, o quilo), Kafta (R$ 8, o espetinho) e queijo coalho (R$ 5, o espetinho).

Caldo para toda semana

O caldo de quiabo foi uma criação despretensiosa, com o que Magal tinha em casa (Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
O caldo de quiabo foi uma criação despretensiosa, com o que Magal tinha em casa
 

 

Quem vai ao Bar do Velho tem que conferir as alternativas de caldo (R$ 7, o pequeno; e R$ 10, o grande) que a casa oferece. O proprietário do local, Marcos Antônio de Souza, o Magal, conta que, cada dia, o estabelecimento oferece um tipo de caldo. “O pessoal gosta muito. Tem muita gente que vem aqui para beber, tomar um caldo e ver o jogo de futebol”, explica.

Entre as alternativas, o destaque vai para o caldo de quiabo, criado há quase 30 anos. Na receita, Magal coloca, além do quiabo, carne moída, chuchu, abobrinha japonesa e cenoura, tudo com bastante extrato de tomate. “Esse caldo é muito bom para a ressaca. É leve, uso patinho moído, que é uma carne magra, e tem muita verdura”, detalha.

A casa trabalha ainda com caldo de feijão com jabá às quartas; chambaril, na quinta; abóbora com carne seca, na sexta; costela com mandioca, sábado; e o famoso caldo de quiabo, aos domingos. “Além desses caldos, todos os dias tem o caldo de mocotó”, complementa Magal. Para beber, a dica é a cachaça de arnica, ou a amargosa de arnica, como é chamada, que sai por R$ 3, a dose.

Todo dia, é dia

A feijoada da casa está sempre nas listas de melhores da cidade. Aderson credita a qualidade do preparo como motivo (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
A feijoada da casa está sempre nas listas de melhores da cidade. Aderson credita a qualidade do preparo como motivo
 

 

Há 6 anos, Aderson Menezes assumiu o comando do Bar e Restaurante Cristal. No local, a feijoada ocupa um lugar especial no menu e, apesar de ser tradicionalmente servida aos sábados, é garantida diariamente. Quando assumi a casa, tínhamos a feijoada apenas aos sábados. Primeiro, inseri o preparo na sexta e no domingo; atualmente, ela é servida todos os dias”, explica Aderson.

A feijoada se destaca pela qualidade. Aderson explica que o Cristal “é um bar que serve uma refeição decente por um preço justo”, pontua. Outro ponto que atrai a clientela é a agilidade. A feijoada, chega à mesa em poucos minutos, em uma panela de barro ainda borbulhando. “Comprei essas panelas no Espírito Santo. Elas mantêm o calor, o que faz uma diferença”, informa.

Para quem se interessou, a casa trabalha com duas alternativas de feijoada: a light (R$ 89,50), que leva lombinho, costelinha, charque, linguiça, calabresa, bacon e louro e vem guarnecida de arroz, farofa de torresmo, couve refogada, laranja e molhinho de pimenta; ou a completa (R$ 84,90), que, além dos ingredientes da primeira, leva ainda pé suíno, rabo e orelha.
 
* Estagiária sob supervisão de Igor Silveira 

Onde comer

Bar do Amigão 
(506 Sul, Bl. B, 46; 3244-1109), aberto de segunda a sexta, das 11h às 23h; e sábado, das 11h às 17h; ou (Av. Jequitiba, 985, lj 6/7; 3546-8065), aberto de terça a sábado, das 12h à 0h; domingo, das 12h às 18h.

Bar dos Cunhados 
(115 Norte, Bl. B, lj. 21; 3274-7805), aberto de terça a domingo, das 12h às 2h.

Bar do Neguinho 
(Setor Tradicional, Q. 7, casa 20, Brazlândia; 3391-1268), de quarta a domingo, das 10h às 18h.

Bar do Velho 
(CSD lt. 15 lj. 2, Taguatinga Sul; 99164-6297), aberto de quarta a sexta, das 15h às 2h; sábado e domingo, das 11h às 2h.

Bar e Restaurante Cristal 
(415 Sul Bl. A lj. 2; 3346-1322), aberto de terça a sábado, das 11h30 às 23h30; domingo, das 11h30 às 18h30.

Ceará Carne de Sol 
(QE 4 AE, Guará I; 3257-5672), aberto de domingo a quinta, das 11h à 0h e de sexta a sábado, das 11h às 2h.

Paulicéia 
(113 Sul Bl. A lj. 20; 3245-3031), aberto de segunda a quinta, das 16h à 0h; sexta, das 11h30 à 0h; e sábado, das 11h30 às 18h.

Toca do Chopp 
(SEPN QI 9/10, Canteiro Central, Box 8, Quituart, Lago Norte), aberto às sextas, das 17h às 23h e de sábado a domingo, das 11h às 18h.

Traíra sem espinha 
(Rua 4, lt. 1, Acampamento DFL, Vila Planalto; 3306-2596), aberto diariamente, das 11h à 0h.

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