Brasília-DF,
20/JUL/2019

História de luta e sucesso: Suzana Leste faz parte da gastronomia da capital

A chef contou um pouco da própria vida, e sobre o quanto os pratos lhe acompanharam

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Renata Rios Publicação:15/03/2019 06:00
%u201CFui a vida toda feminista, não tolero desigualdade e injustiça%u201D, Suzana Leste (Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
%u201CFui a vida toda feminista, não tolero desigualdade e injustiça%u201D, Suzana Leste


As mulheres que Brasília teve o presente de receber, Suzana Leste se destaca. Mineira de Belo Horizonte, Suzana é a mãe de Flávio Leste, atualmente chef e proprietário do consagrado Villa Tevere. A casa é o resultado de anos de trabalho de Suzana e da parceria de sucesso que formou com o filho ao longo desse período. Mas, bem antes do restaurante, Suzana brilhava com deliciosas receitas.

Para contar a história de superação da chef, é necessário citar a mãe de Suzana, Maria do Carmo. Falecida há 10 anos, Maria do Carmo foi uma mulher à frente do seu tempo: “Mamãe foi a primeira mulher a dar aula em um programa de culinária na TV Itacolomi, em Minas. Herdei dela a mão para cozinha”. Ainda jovem e em sua cidade natal, Suzana dava aulas, assim como a mãe, e era ajudante no programa. “Minha mãe ministrava os cursos dela e eu fui dando algumas aulas de acordo com a demanda, incluindo curso de bombom e o de quitanda”, relembra.

Ainda casada com o primeiro marido e com dois filhos pequenos, Suzana se mudou com a família para a capital, onde logo fez da garagem de casa sua sala de aula. “Eu colocava o anúncio das aulas no Correio Braziliense e ficava só esperando para ver se alguém aparecia. Com o tempo, as pessoas, além das aulas, me pediam para fazer algumas comidas para elas. Com o tempo, o bufê acabou surgindo e virou um sucesso na cidade”, conta.

Suzana conquistava clientes da alta sociedade, até que, um dia, ela ganhou uma difícil missão. “Me apareceu uma mulher querendo que eu fizesse a comida do casamento dela: 400 pessoas. Não achava que conseguiria, fiquei desesperada, mas, no fim, deu tudo certo e o casamento foi um sucesso”, recorda.

Jeitinho

Suzana foi se adaptando às demandas que surgiam. Um ponto era o transporte das coisas para os eventos: “Eu tinha um Corsel marrom, na época. Carregava tudo nesse carro, até fogão. Quando o evento precisava, alugava uma kombi para fazer o transporte”.

Até que chegou o momento de abrir um espaço para o Suzana Bufê, na 109 Sul, onde Suzana reformou a loja e fez a infraestrutura necessária para o negócio. “Comecei essa obra com um empréstimo que nunca saiu. Fui tirando do meu bolso mesmo”, lembra e complementa: “Quando acabou a obra, o Flávio já me ajudava muito. Ele ia para a escola e, depois, ficava no balcão da loja”.

Chegou, então, o momento em que a loja ficou pequena e Suzana recebeu o feliz convite para se mudar para a Academia de Tênis. “Acabei ficando amiga do Dr. José Farani e ele me fez o convite. Era uma pessoa ótima”, diz, saudosa. “Fiquei lá na academia por 15 anos. Sempre que um novo presidente era eleito, o Itamaraty pedia por nossos serviços”, se orgulha. A chef cozinhou para grandes nomes da política nacional, além de ter sido muito requisitada em diversas embaixadas.

A hora do sonho

Depois de muitos anos trabalhando com o bufê, chegou a hora de Suzana e Flávio tomarem uma decisão importante. “Tínhamos duas alternativas, abrir uma empresa para eventos muito grandes, ou abrir o restaurante e fazer uma comida de qualidade. Não queria cozinhar em caldeirão para centenas de pessoas, então, optamos pelo restaurante”, conta.

Foi aí que Suzana e Flávio acharam o ponto onde até hoje o restaurante funciona. “Fiquei muito nervosa quando viemos conhecer o espaço, achava grande, mas o Flávio sempre foi um bom administrador, ele sabe delegar”, elogia. Foi aí que George Zardo, o arquiteto responsável pela casa, entrou na história. “Escolhemos tudo, cada detalhe, a proposta é que fosse um pedacinho de Trastevere — bairro de Roma — na capital”. Entre os detalhes favoritos da casa, Suzana destaca a bela escada, feita especialmente para o espaço.

Então, em setembro de 1999, o Trastevere foi inaugurado. Em 2001, a casa mudou de nome e passou a se chamar Villa Tevere, como é conhecida até hoje. “Depois de muitos anos trabalhando na casa, decidi me afastar. O Flávio já estava pronto para assumir e acredito que a minha saída tenha sido uma oportunidade de ele crescer ainda mais”, conclui. Apesar de não trabalhar mais diariamente, a chef está constantemente na casa e é comovente o cuidado que tem até hoje com todos os funcionários.

Cuidado com a equipe

Para o negócio funcionar, a qualidade de vida dos funcionários era fundamental para Suzana. “Fiz dois dormitórios na Academia de Tênis, para, quando tivéssemos eventos até tarde, os funcionários pudessem dormir, além de algumas adaptações na cozinha, para facilitar o trabalho”, revive. Ela ainda se lembra de ter algumas discussões com os clientes sobre as encomendas natalinas. “Eu sempre tentei cuidar para que meus funcionários pudessem passar o Natal com a família, por isso, encerrava o serviço cedo e nem todos os clientes concordavam.”

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