Brasília-DF,
19/MAI/2019

Receitas caseiras ganham versões gourmetizadas na capital

As receitas com gostinho de comidas preparadas em casa, cheias de memórias afetivas, ganham versões sofisticadas

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Mariah Aquino* Renata Rios Publicação:05/04/2019 06:00Atualização:05/04/2019 14:40
As receitas caseiras são especiais e despertam algo bom em quem come, seja uma lembrança feliz ou apenas uma sensação de conforto. Essas comidas são mais que sabores e cheiros, elas envolvem memória. Pelos restaurantes da cidade, os comensais se deparam com versões gourmetizadas das receitas caseiras — sem deixar a desejar em nada em relação aos preparos originais. Para quem quer conhecer algumas dessas receitas que ganharam novos sabores nas mãos de habilidosos chefs, o Divirta-se Mais selecionou alternativas dentro dessa proposta.

Para começar o dia, nada mais rápido e simples que um pão de sal com ovo mexido. No L’Amour du Pain, o ovo mexido é feito com um toque do queijo gruyère. Enquanto isso, os pães seguem as técnicas de fermentação natural. “A qualidade dos ingredientes é muito importante para ter um bom resultado”, destaca o chef da casa, Serge Segura.

Para quem vai em busca de um almoço, no Gero, a rabada não pode sair do menu. “Trocamos a forma com que a rabada é servida, mas ela é muito pedida pelos clientes da casa”, informa Josivaldo Mariano de Lima, ou Peti, como é conhecido o chef do Gero.

Outra chef que aposta em diversas receitas com pegada caseira é Thiago Paraíso, do Ouriço Restaurante e do Saveur Bistrot, ambas comandadas pelo chef. “Tenho duas receitas, uma em cada casa usando o filé-mignon de sol feito na casa”, destaca Thiago, que apostou na popularidade das combinações da comida nordestina para montar as receitas.

Para finalizar, a dica é aproveitar os doces, que ganham versões melhoradas das maravilhosas sobremesas de infância. Entre as receitas, a Brigadeirando, que aposta com tudo nos brigadeiros gourmets; o Bolo da Ivone, com um irresistível bolo de chocolate com toque de coco e calda de chocolate; ou ainda o pudim, do Baunilha Pudim, que utiliza ingredientes de qualidade para garantir o diferencial.

*Estagiária sob supervisão de Igor Silveira.
 
O ovo mexido servido no L'Amour du Pain ganha um toque especial com o queijo gruyère (Vinícius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
O ovo mexido servido no L'Amour du Pain ganha um toque especial com o queijo gruyère
 

Mais que pão com ovo


Quando o assunto é comida caseira, o ovo é um ingrediente querido. Aceito em diversas formas, a receita tem o ar de simples, mas, no L’Amour du pain, o ovo ganha um toque especial para dar um ar de sofisticação ao clássico ovo mexido: o queijo gruyère. Claro que tudo fica ainda melhor com um pão de fermentação natural para acompanhar.

Segundo o proprietário da casa, Serge Segura, o principal cuidado para um bom ovo mexido é o tempo: “Não se deve demorar para fazer o ovo mexido. Coloco o ovo, sal, pimenta, manteiga e um pouco de queijo e faço rapidamente para evitar que resseque”, informa. Ele ainda explica que a qualidade da matéria-prima é fundamental para a qualidade do que é oferecido. “Tenho um fornecedor de manteiga. Usamos cerca de 80kg de manteiga por semana”, revela Serge, sobre um dos principais ingredientes da gastronomia francesa. Ele ainda sugere que o ovo mexido com gruyère (R$ 9) seja acompanhado de um mini-pão (R$ 2,50, a unidade).

Para quem busca outra alternativa com ovo, a dica que o chef dá é o Ovo cocotte (R$ 16) — trata-se de um ovo dentro de um refratário com creme de leite, presunto, cream cheese e brie para gratinar. “Essa é uma receita que minha mãe fazia quando eu era pequeno”, relembra.
 
O prato do restaurante Fred é reconhecido na cidade (Bruno Peres/CB/D.A Press)
O prato do restaurante Fred é reconhecido na cidade
 

Rei do picadinho


Entre as inúmeras opções especializadas em gastronomia estrangeira em Brasília, vale a pena conferir o Restaurante Fred. “O antigo proprietário era austríaco e queria instalar um restaurante de comida alemã aqui”, relembra o gerente Salmeron Santiago. A casa oferece os pratos mais clássicos da culinária germânica, como goulash, chucrute e spatzle.

Apesar das origens, o grande destaque do estabelecimento não vem da Europa. “O prato que faz mais sucesso mesmo é o brasileiro”, brinca Salmeron. O picadinho é a estrela do cardápio. Ao filé-mignon picado e flambado em conhaque com molho rosti, são acrescentados páprica, cebola, tomate e pimentão. Os acompanhamentos do prato são arroz branco, banana à milanesa e uma farofa de pão feita com azeite, bacon e manteiga (R$ 58 porção individual, R$ 99, para duas pessoas).

A casa também oferece outras duas opções de carne, com os mesmos acompanhamentos. O picadinho de frango sai por R$ 49 (porção individual) e R$ 71 (para duas pessoas). Enquanto isso, o suíno custa R$ 55 na porção individual e R$ 89, para duas pessoas.
 

No Gero, a rabada é item obrigatório no menu de almoço (Gui Teixeira/Divulgação)
No Gero, a rabada é item obrigatório no menu de almoço

Sucesso garantido


Entre as comidas que ganharam um status gourmet, a rabada se destaca há algum tempo na cidade. A receita, tipicamente caseira, ganhou versões ousadas e inovadoras na capital, entre elas, está a servida no Gero para o menu de almoço, o Mezzogiorno — com entrada, prato principal e sobremesa por R$ 118.

Na ocasião, a rabada vem em um formato incomum: no próprio molho da carne, desossado, em formato de medalhão e envolto em presunto de parma acompanhado pelo risoto de agrião. “Esse é um prato muito querido pela clientela. Mudamos ele recentemente, antes era um molho de agrião e uma polenta como acompanhamento”, informa o chef da casa Josivaldo Mariano de Lima, ou Peti, chef do Gero.

Ainda sobre a receita, o chef explica que a rabada é desossada e envolta em parma, para então ir para a frigideira, onde é selada. “O risoto é feito com agrião, mas este só é colocado no final. O resultado é um sabor bem pronunciado do agrião”, explica o chef.
 
A carne de sol é feita com o nobre filé-mignon pelo chef Thiago Paraíso (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A carne de sol é feita com o nobre filé-mignon pelo chef Thiago Paraíso
  

La carnè du sol


Entre os preparos que caíram no gosto do brasiliense, a carne de sol é uma receita que acompanha o dia a dia na cidade. O prato costuma ser feito com peças como o contrafilé e o lagarto, mas nas mãos do chef Thiago Paraíso, do Saveur Bistrot e do Ouriço Restaurante, é o filé-mignon que passa por esse processo. 

“O filé é uma carne que já é macia e o processo deixa a peça ainda mais. Além disso, o processo, que é feito na casa, realça o sabor da carne”, informa Thiago.

No Saveur Bistrot, o filé-mignon de sol (R$ 38) é uma entrada, que vem à mesa guarnecido com fonduta de queijo, manteiga e farofa de melaço. “A combinação de queijo e melaço com a carne de sol é clássica e quis fazer isso de uma forma diferente nessa receita”, revela o chef. 
Ele ainda detalha que a carne de sol é feita na casa: “O processo leva um dia e ainda finalizamos com a manteiga de garrafa. Fica um sabor muito bom”, garante.

Já no Ouriço Restaurante, o filé-mignon de sol (R$ 78) — servido com arroz cremoso de queijo coalho e farofa de banana — ganha o posto de prato principal. “Esse prato vem com uma montagem de prato principal bem brasileira, carne, arroz e farofa, mas tudo feito de forma diferenciada”, conta. Ele ainda revela que a farofa é feita com banana-da-terra e que o arroz cremoso leva bechamel, com um toque de queijo manteiga.
 
O macarrão da Veloce foi aperfeiçoado com o molho especial da casa (Ed Alves/CB/D.A Press)
O macarrão da Veloce foi aperfeiçoado com o molho especial da casa
  

Almoço de domingo


Na hora da pressa na cozinha, as massas são ótimas aliadas. Saborosas, são sinônimo de versatilidade. A Veloce Massas existe há 18 anos no Lago Sul e busca seguir um novo conceito de restaurante italiano. “Alinhamos pratos da alta culinária, mas entregamos algo mais rápido. É unir a necessidade do dia a dia a um prato de qualidade”, explica o proprietário Pedro Henrique Azevedo.

Entre as receitas tradicionais e clássicas, está o espaguete à bolonhesa (R$ 34). “O grande segredo da nossa receita é realmente o molho Veloce, feito na casa”, esclarece Pedro Henrique. A massa é acompanhada do molho Veloce (com tomates italianos) e ragu de carne bovina e suína.

Pedro também ressalta o frango parmegiana com arroz branco e fritas (R$ 31), receita que se tornou muito habitual e amada no país. Uma das estrelas da casa que vale a pena conferir é o fileto com risoto de funghi e gorgonzolla (R$ 44, a porção individual, R$ 79, para duas pessoas).
 
Marcello Lopes deixou mais sofisticada receita que faz desde criança (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Marcello Lopes deixou mais sofisticada receita que faz desde criança
  

Comida de avó reinventada


A Blend Boucherie, na Asa Norte, tem conceito tradicionalmente francês. Contudo, sob o cardápio do chef Marcello Lopes, comidas tradicionais ganham uma nova execução. “Minha cozinha tem muitos elementos caseiros, eu faço muita coisa que minha avó fazia quando eu era mais novo”, relembra o cozinheiro.

A casa oferece cortes tradicionais e mais inusitados de carne branca ou vermelha. O cliente escolhe a proteína e o molho e, a partir daí, tem acesso ao rodízio de guarnições. Entre as opções de acompanhamento, está a polenta mole com grana padano. “Minha avó usava queijo minas curado na receita original dela. Eu acrescento creme de leite fresco e requeijão para dar um toque mais sofisticado”, explica. Marcello destaca outras receitas do rodízio como o purê de abóbora com carne seca e o purê de batata com brócolis e gorgonzola.

O chef indica pedir a rabada (R$ 59,90). “A rabada combina muito bem com a polenta, fica delicioso”, assegura. Também é possível pedir apenas o rodízio, que reúne quinze guarnições variadas, por R$ 45. “Para quem não come carne, pode ser uma boa opção, 95% das guarnições são vegetarianas e temos, entre as proteínas, um bolinho de soja vegano”, diz Marcello.
 
A doceira é especialista em pudins (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A doceira é especialista em pudins
  

Sobremesa com excelência


A chef  Angela Silveira está sob comando da Baunilha pudim, loja especializada que funciona por encomendas. Atualmente, a cozinheira promove os produtos e recebe pedidos pelo Instagram e WhatsApp. “Aprendi a fazer pudim com a minha sogra que era doceira”, conta Angela.

Depois que o marido trouxe de uma viagem a fava de baunilha, ela começou a aperfeiçoar a receita do tradicional pudim de baunilha, desenvolvendo do próprio extrato. “A textura é um diferencial. Nossos pudins não têm furos. São firmes, mas cremosos”, explica a doceira. As encomendas precisam ser feitas com 48 horas de antecedência.

Dentre os sabores que a Baunilha pudim oferece, estão o de chocolate, nutella, doce de leite e o lançamento chocolate branco com calda de frutas vermelhas. O sabor Ramon e Julia, de queijo e calda de goiabada cascão, também faz muito sucesso. É possível encomendar em dois tamanhos: o M (600g) sai por R$ 45 e o G (1100g) por R$ 60.
 
O Bolo da Ivone é uma daquelas receitas que arrancam suspiros nostálgicos de quem come
 (Minervino Junior/CB/D.A Press)
O Bolo da Ivone é uma daquelas receitas que arrancam suspiros nostálgicos de quem come
  

Bolo bom demais


Poucas receitas arrebataram tanto o coração brasiliense quanto o já famoso Bolo da Ivone. O preparo é vendido em diversos estabelecimentos da cidade e ainda pode ser adquirido pelo site da marca. Trata-se de uma receita simples, daquelas que arrancam suspiros, um bolo de chocolate com toque de coco na massa e calda de chocolate para finalizar. “Essa receita foi testada primeiro no Café das 5, como a aceitação era muito boa, surgiu a marca”, relembra Leo Lynce Cavalcante, sócio.

O produto apresentado para os clientes é de saltar aos olhos. A receita de Ivone Inácio Vieira — que ganha participação nos lucros da empresa e está aposentada —, o Bolo da Ivone (a partir de R$ 60) ganhou espaço em aniversários, eventos e até casamentos. “Para casamentos, ele é servido como bolo de corte. É um sucesso, é um bolo que você escolhe sabendo que é bom, não tem erro”.

“Com o tempo, a ideia de ampliar o negócio foi crescendo, além do bolo, atualmente existem diversos produtos da marca, como a barra de chocolate recheada com o Bolo da Ivone (R$ 120, com 980g), o bolo no pote (R$ 18) — empreitada que promete chegar até aos mercados — e os bem-casados (R$ 4, a unidade, – mínimo 24). O interessante é que todos são variações da mesma receita, conta Mayla Cavalcante, também sócia.

A Páscoa está entre nós
Para a Páscoa deste ano, o ovo de colher da marca volta a ser comercializado. Para quem desejar adquirir o produto, ele será vendido à pronta entrega na loja Magrela, na QI 3 do Lago Sul. Ainda sobre a Páscoa, a marca lança a casca Ruby recheada — Casca de chocolate Ruby – Callebaut recheada com calda cremosa da Ivone (R$ 90), uma edição limitada usando o novo chocolate ruby, que promete ser uma tendência neste ano.
 
Os brigadeiros gourmet são a aposta da Brigadeirando desde 2011, quando a casa começou (Vinícius Cardoso Vieira/Esp.CB/DA.Press)
Os brigadeiros gourmet são a aposta da Brigadeirando desde 2011, quando a casa começou
  

Enrolados, mas cheios de estilo


De alguns anos para cá, os brigadeiros ganharam versões gourmets e conquistaram a capital. As receitas vêm não apenas com o sabor tradicional, mas diversas variações de sabores, uma mais diferente que a outra. 

“Quando começamos eram 46 tipos de brigadeiros. Eram opções muito diferentes, mas por questões de logística, acabamos tirando alguns do menu”, relembra Karla Sousa, sócia da casa.

Entre as diversas versões que a casa trabalha, destaque para o brigadeiro original, ou brigadeiro de chocolate ao leite (R$ 4). “Nesse brigadeiro de chocolate ao leite, usamos o chocolate belga tanto na massa quanto no granulado”, informa. Sobre as receitas, Karla é a responsável pelas criações. 

“Temos uma central de produção, que produz as massas dos brigadeiros. Estas são levadas para as lojas, onde são enroladas nos docinhos de acordo com a demanda”, explica, e complementa: “é uma forma dos doces estarem sempre fresquinhos”.

Entre os sabores diferenciados, um ganhou o coração da capital, o brigadeiro de creme brullè (R$ 4). “Essa é a receita mais vendida na casa atualmente. Ele sai mais até que o tradicional”, informa. Para ela, o sucesso das receitas junta a qualidade dos produtos oferecidos e o carinho que a receita tem: “O brigadeiro é uma coisa afetiva do brasileiro. As pessoas vêm muito aqui tomar um café e comer um brigadeiro”, finaliza.
 
 

Onde comer 

Baunilha Pudim

 

Encomendas pelo Instagram @baunilhapudim ou pelo telefone (61) 99800-3130.

 

Blend Boucherie

 

(412 Norte, Bl. B, lj. 12/20; 3544-7444), aberto de terça a quinta, das 12h às 15h e das 19h às 23h; sextas e sábados, das 12h às 16h e das 19h à 0h; domingos das 12h às 16h e das 19h às 23h.

 

Bolo da Ivone

 

(bolodaivone.com.br; @BolodaIvone; contato@bolodaivone.com.br; 99236-3436)

 

Brigadeirando

 

(CLSW 100, Bl. A, lj 9; 4141-5679) e (Rua 37 Sul, lt 17/19, lj 5; 3575-0521), aberto diariamente, das 11h às 19h. (CLSW 301, Bl. B, lj 78; 3053-2226), aberto diariamente, das 11h às 21h.

 

Gero Brasília

 

(SHIN CA 4, lt A, lj 22, térreo, Iguatemi Brasília, Lago Norte; 3577 5520), aberto de segunda a sexta, de 12h às 15h, e das 19h à 0h; sábado e domingo, das 12h às 17h e, das 19h até 1h.

 

L'Amour du Pain

 

(115 Sul, Bl. B, lj. 10; 3525-5909), aberto diariamente, das 7h às 22h; ou (QI 11, Bl. P, lj. 62; 3576-0515), aberto de terça a domingo, das 8h às 22h.

 

Ouriço Restaurante

 

(SHIS QI 21, Comércio Local, Bl. D, lj 44; 99558-0179), aberto de terça a quinta, das 19h às 23h30 e sexta e sábado, das 12h às 15h e das 19h às 23h; e domingo, das 12h às 16h.

 

Restaurante Fred

 

(405 Sul, Bl. B, lj. 10; 3443-1450), aberto de segunda a sexta, das 12h às 15h; sábados e domingos, das 12h às 16h.

 

Saveur Bistrot

 

(SMDB cj 10 lt 1, Lago Sul; 99116-3211), aberto de terça a sábado, das 19h30 às 23h30.

 

Veloce Massas

 

(SHIS QI 11, Bl. O, lj. 5, Lago Sul; 3364-2477), aberto de segunda a sexta, das 12h às 15h e das 19h às 23h; sábados e domingos, das 12h às 23h. 

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