Brasília-DF,
21/SET/2019

A capital tem ótimas opções de restaurantes especializados na gastronomia latino-americana; confira!

Iguarias oriundas do México, Peru, entre outras regiões, conquistam os holofotes no Distrito Federal

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Renata Rios Geovana Melo* Melissa Duarte* Publicação:30/08/2019 06:00Atualização:30/08/2019 07:50
Para ajudar quem deseja ampliar os horizontes gastronômicos e provar receitas latinas com muito estilo e personalidade, o Divirta-se Mais desta semana selecionou algumas casas em que delícias da América Latina são valorizadas.

A gastronomia peruana, por exemplo, se faz presente na capital federal em alguns restaurantes disputados. Para o chef estrelado Marco Espinoza, que comanda a cozinha do Taypá, o interesse pela comida daquele país cresceu muito nos últimos anos, tomando parte significativa, inclusive, do turismo no Peru. “A gastronomia peruana sempre será referência a nível mundial, então, vale a pena olhar e provar de perto o que é feito lá”, defende. “Essa curiosidade com os sabores peruanos ajuda outros locais da região a projetar as próprias gastronomias”, completa.

Outra cozinha forte no cenário brasiliense é a mexicana. “A comida mexicana é a única da América Latina considerada patrimônio imaterial da humanidade. É uma cozinha muito rica”, afirma David Lechtig, proprietário do El Paso. A casa localizada na Asa Sul apresenta também a gastronomia de outros países, incluindo Guatemala e El Salvador.

Algumas receitas são comuns a diversos países latinos. Que tal experimentar o Tres leches? Esse bolinho de origem desconhecida é oferecido, na Dulce Patagonia, em um pote, na versão argentina. “Tento manter a receita o mais fiel possível. Por isso, trago a calda do três leches do Uruguai”, conta Mirella Montella, sobre o ingrediente usado na montagem do bolo vendido na casa.

*Estagiárias sob supervisão de Igor Silveira. 


Misturas latinas


Nascido no Peru, David Lechting morou na Guatemala antes de se fixar em Brasília. Ele ainda visitou diversos países da América Latina, onde ganhou intimidade com a cozinha de muitos destes locais. No restaurante dele, o El Paso Cocina Latina, David divide alguns dos conhecimentos adquiridos em um menu repleto de preparos típicos dos nossos vizinhos. “Temos muitas receitas que se repetem com pequenas diferenças”, conta David. Ele atribui a isso o fato de diversos ingredientes, como a banana, o feijão e o milho, serem comuns a esses países.

Entre as receitas que o chef destaca do bufê está a malarrabia (receita colombiana de um bolinho de banana com queijo) e os planitos relleños (versão com banana e feijão, comum na Guatemala). “A malarrabia é como se fosse um bolinho que se come com café. Uma espécie de pão doce”, descreve o chef. Ambas as receitas ficam disponíveis no bufê (a partir de R$ 52 por pessoa), assim como as pupusas, tortilhas de El Salvador.

As hilachas — carne desfiada com molho à base de tomate e pimentão — entram como uma alternativa de prato principal guatemalteco. Outro destaque está no menu à la carte. Trata-se do cóctel de camarones acapulco (R$ 55) — camarões em molho agridoce levemente picante, temperado com cebola e coentro e servidos frios dentro do abacate. “Além de ser um prato muito bonito, as pessoas adoram comer os camarões com o abacate”, conta o chef.

David Lechtig é um apaixonado pela gastronomia latina e mostra esse amor no menu do El Paso Latino (Ana Rayssa/CB/D.A Press)
David Lechtig é um apaixonado pela gastronomia latina e mostra esse amor no menu do El Paso Latino

Arriba!


No Cozumel Mex Bistrô, o diferencial do pollo é que o frango vem grelhado no ponto, com pimentões coloridos, páprica defumada e pimenta. “As cores e os cheiros nos levam até os sabores”, conta a proprietária Adriana Pimentel. “As misturas dão um toque picante com um adocicado suave”, revela.

A base dos pratos é igual: tortilhas — que podem ser de milho, sem glúten, ou de trigo; os ingredientes também quase não mudam. Se o modo de preparo faz toda a diferença, o sour cream — molho branco que ameniza o ardor da pimenta-salsa — é o segredinho da casa. Nas quesadillas (de R$ 24 a R$ 47), as tortilhas são recheadas na chapa, dobradas e chegam quentinhas para o cliente. No taco (de R$ 24 a R$ 37), o processo se inverte: as tortilhas de milho são fritas antes e recheadas depois.

Os burritos (de R$ 26 a R$ 49), depois do recheio, são embrulhados em quadradinhos e gratinados com queijo. As chimichangas (de R$ 26 a R$ 49) parecem um burrito frito: os ingredientes vão por fora, tudo na chapa. “O prato traz um contraste entre frio, quente e crocante”, diz a empresária. Quem não gosta de pratos picantes demais pode ficar tranquilo: os molhos — e sabores — se equilibram. Por último, as fajitas (de R$ 54 a R$ 58) vêm com seis tortilhas.

A refeição não fica completa sem drinques latinos. A michelada (R$ 16) parece o tradicional cozumel (R$ 11). Mas, além de a cerveja Corona ser temperada com suco de tomate, a borda da taça também leva pimenta-do-reino. Quem precisar se refrescar depois de tanta pimenta pode ficar com o mojito (R$ 17). Além da afinidade com a América Latina, a origem costa-riquenha da empresária e os anos vividos na Itália quando criança ganham toques brasileiros nas receitas do aconchegante restaurante mexicano.

Pratos de pollo mexicano ganham versões brasileiras no Cozumel Mex Bistrô (Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Pratos de pollo mexicano ganham versões brasileiras no Cozumel Mex Bistrô

Sanduíche uruguaio


Criado em um restaurante em Punta del Este, El Mejillón, em 1940, à primeira vista, o chivito não se distingue muito dos sanduíches tradicionais. O quitute uruguaio é feito de carne, geralmente, o prato é servido com batatas fritas ou salada russa.

Assim, um pedacinho do Uruguai se encontra em Brasília, mais especificamente no restaurante Toro. Na casa, o sanduíche é feito com pão ciabatta, ancho, panceta, ovo, muçarela, alface e tomate, e é acompanhada de batatas fritas. “O diferencial é o nosso pão que também é feito na parrilla, o pão é o ciabatta, com formato arredondado”, diz Hélio Rodrigues, chef do Toro.

A carne usada no prato é o Ancho e possui um preparo bem especial e diferenciado: as finas fatias de ancho são grelhadas na parrilla e temperadas com sal grosso, e chega a lembrar o churrasco brasileiro. Finalizado com uma montagem tradicional, que aproxima o Chivito dos sanduíches conhecidos no Brasil.

O Chivito é sucesso total no Uruguai (João Teles/Divulgação)
O Chivito é sucesso total no Uruguai

Empanadas argentinas


É possível viajar à Argentina sem sair de Brasília. O Pobre Juan proporciona essa “viagem” por meio das empanadas da casa, que são sucesso. Se no futebol há rivalidade entre os vizinhos, na gastronomia é só amor, e o quitute típico argentino toma conta do paladar dos brasileiros.

No Pobre Juan, as empanadas (R$ 25,90 com duas unidades) podem ser de queijo parmesão ou de carne com tempero portenho. Apesar de lembrar os salgados brasileiros na aparência, a massa é diferente: bem fina e fresca, além de ser feita de trigo e banha animal. “A empanada de carne tem um tempero mais picante, a massa é bem crocante”, descreve o gerente da casa, Neto Martins. “É a entrada mais vendida na casa. Quando a embaixada argentina precisa de empanada é a gente que produz”, revela.

Além das empanadas, a casa embarca totalmente na gastronomia argentina e serve os típicos pratos da região, como provoletas e queso a la parrilla.

As empanadas são diferenciadas na massa e nos recheios (Ana Rayssa/CB/D.A Press)
As empanadas são diferenciadas na massa e nos recheios

Dedicação ao país


A gastronomia peruana conquistou o Brasil e o mundo. Entre os entusiastas desta cozinha está o peruano Dandy Abadiero. Ele veio do Peru e abriu o El Point Peruano no Brasil com a proposta de apresentar a gastronomia peruana com preços acessíveis. “Trabalhamos com um menu 100% peruano, assim como toda a equipe”, se orgulha. No local, nada fica apenas no óbvio. Enquanto os consagrados ceviches são apresentados com maestria, o restaurante trabalha também com receitas menos populares no Brasil.

No menu, Dandy sugere que os clientes experimente o carro chef da casa: o lomo saltado (R$ 18) — filé-mignon com legumes frescos ao pisco, salteados no wok e guarnecido com arroz e batata frita. “Os brasileiros gostam muito de carne vermelha. Fazemos esse prato usando o filé-mignon, mas o segredo desta receita é o pisco. Ele dá um sabor especial e aromatiza o prato”, destaca Dandy.

Ainda entre as receitas típicas do país, vale destaque para os frutos do mar. Dandy aponta o arroz com frutos do mar (R$ 32) e o pescado a lo macho (R$ 32). “Esses são pratos mais do norte. Trabalhamos com três receitas com frutos do mar”, complementa. Outra sugestão é o mazamorra (R$ 5), um arroz-doce feito com leite vaporizado e acompanhado de uma calda de milho roxo fervido com abacaxi, uva-passa, ameixa seca, cravo e canela.

A cultura peruana está em cada detalhe do El Point Peruano, inclusive no campeão de vendas, o lomo saltado (Divulgação)
A cultura peruana está em cada detalhe do El Point Peruano, inclusive no campeão de vendas, o lomo saltado
 
As iguarias peruanas estão à disposição no Dalí (Henrique Ferrera/Divulgação)
As iguarias peruanas estão à disposição no Dalí
 

Culinária Andina


O restaurante Dalí Cozinha Peruana é uma ótima pedida para os comensais interessados no universo andino, sob o comando dos chefs Myriam Carvalho e Miguel Ojeda. “Dizem que o Peru faz chefs como o Brasil faz jogadores de futebol”, brinca Myriam.

Com pratos temperados, o Ají de gallina (R$ 52) é uma boa referência da culinária andina. A base do prato é um molho picante com frango desfiado. Além disso, o Dalí serve a iguaria acompanhado de batatas andinas fritas finalizadas com chimichurri.

O molho é feito com pão branco amanhecido, cebola cortada bem fina, leche integral, ají amarillo em pasta, o bom e conhecido alho, cúrcuma e nozes torradas, que dão toda a diferença ao prato.
 
 
 
 
 
 

O Peru é aqui


O prato mais clássico e famoso do Peru, o ceviche, também é o mais tradicional do Cuzco Restaurante. Por R$ 29, o cliente pode experimentar peixe-branco marinado em suco de limão, temperado com cebola-roxa, pimenta-dedo-de-moça, coentro e condimentado com sal e pimenta-do-reino.

“A pimenta e a cebola-roxa aromatizam o prato”, ressalta o chef peruano Miguel Pacheco. E são os cheiros que abrem espaço para a explosão de sabores latinos do prato. Mas a receita não para por aí: os cubos de peixe são preparados em leite de tigre, molho em que os ingredientes do prato — inclusive o peixe — são batidos no liquidificador. “Esse molho dá o sabor tradicional do Peru”, afirma o sócio Rodrigo Fiuza.

Como acompanhamento, batata-doce glaceada. Caramelizada com especiarias e marinada em suco e refrigerante de laranja, passa a ter a cor da fruta. “Temos muitos clientes peruanos que pedem o ceviche tradicional”, analisa o empresário. No entanto, como o restaurante é nipo-peruano, a receita ganha contornos orientais com gengibre, molhos shoyu e de ostras: é o ceviche nikkei (R$ 33).

Pratos aromáticos pedem harmonização especial. Portanto, nada melhor que o pisco sour (R$ 24), drinque mais tradicional do Peru. Se a clara de ovo deixa esse destilado mais cremoso, a angostura vem para equilibrar o sabor e deixar o prato mais leve e fácil de digerir. É o que conta Fiuza: A culinária peruana é o oposto da brasileira, explora outro tipo de paladar”, conclui o sócio.

Receitas dos povos incas e pré-incas, ceviche pode ganhar versões na culinária nikkei (Helio Montferre/Esp. CB/D.A Press)
Receitas dos povos incas e pré-incas, ceviche pode ganhar versões na culinária nikkei
 
O milho-roxo é usado na massa do churros servido no Taypá (Faro Comunicao/Divulgação)
O milho-roxo é usado na massa do churros servido no Taypá
 

Tons de roxo


O Taypá é uma das casas que ajudou a consagrar a gastronomia latina na capital. Com uma proposta contemporânea, o restaurante mescla receitas clássicas com criações das habilidosas mãos do chef Marco Espinoza. “Há pouco tempo, ninguém falava da gastronomia peruana, ou achavam que só existia pisco e ceviche, mas a realidade é outra. Hoje, alguns dos melhores restaurantes do mundo são peruanos”, comenta o chef.

Entre os ingredientes recorrentes da gastronomia peruana está o milho-roxo. Na casa, Marco prepara o churros morados (R$ 30), uma receita comum de se encontrar pelo país e que é consumida em praias, cafés, estádios e até nas ruas. “Nosso churro morado é feito com farinha de milho-roxo. Esta variedade de milho só existe no Peru”, informa. Para complementar a receita, os churros são escoltados por molho de suspiros, geleia de milho-roxo e molho de arroz-doce.

Outra alternativa para finalizar a refeição são os Suspiros Limeños (R$ 28,80) — redução de leite condensado e leite evaporado, finalizado com merengue de vinho do Porto. “No Peru, há várias maneiras de se fazer esta sobremesa”, explica o chef. Segundo ele, a receita clássica é bem parecida com um doce de leite, porém muito mais leve.

Patagônia no cerrado


Argentina, Chile e Uruguai se encontram nas receitas da Dulce Patagonia. O carro-chefe da casa são os deliciosos alfajores com cobertura de chocolate (R$ 6 — 65g; R$ 4,45 — 45g). Do biscoito ao recheio, passando pela massa, tudo é artesanal, sem conservantes. Já as tradicionais maicenitas (R$ 5,50 — 55g) guardam o sabor da América Latina. “É um alfajor mais caseiro (feito de maisena), o que seria o brigadeiro dos argentinos, chilenos e uruguaios”, conta a proprietária Mirella Montella.

A torta tres leches (R$ 7,90 — pote de 100g) é perfeita para viajar sem sair do quadradinho. Sem origem definida, o doce é famoso não só na Patagônia, mas também no México. O segredo é a cobertura: importada do Uruguai, mistura leite vaporizado, creme de leite e leite condensado, intercalada com ganache de doce de leite. Esse doce, inclusive, caiu no gosto brasileiro e não pode faltar na casa: as opções são o argentino vacalin (R$ 29 — 450g) e o uruguaio gran mestri (R$ 24,90 — 420g).

“Nosso paladar acha diferente porque não tem costume”, comenta a dona, que tenta manter a receita fiel para os clientes “sentirem os mesmos sabores”, mas adapta ao paladar brasileiro: mais doce de leite e menos dulçor. “Por mais que a pessoa seja apaixonada por doce, não fica tão puxado”, explica. O ponto está no chocolate meio amargo.

Para harmonizar, a casa tem uma cartela de cervejas e vinhos e cervejas especiais. No happy hour de hoje, a cerveja Künê, de leve amargor e com lúpulo da Patagônia, sai pela metade do preço (R$ 19,90 — garrafa de 710 ml). Para os amantes de vinho, há uma variedade de 16 rótulos da Bodega del fin del mundo (de R$ 79 a R$ 189).

Dulce Patagonia: sabores argentinos, chilenos e uruguaios (Henrique Ferrera/Divulgação)
Dulce Patagonia: sabores argentinos, chilenos e uruguaios
 
 

Onde comer 

 

El Point Peruano

(Feira dos importados, Bl. B, lj 17, Sia, Tc. 3; 98410-1743), aberto de terça a domingo, das 11h45 às 16h.

 

Taypá — Sabores Del Peru

(QI 17, Comercial, Bl. G, lj 208/210, Fashion Park; 3248-0403), aberto de segunda a sexta, das 12h às 15h e das 19h à 0h; sábado, das 12h às 16h e das 19h à 1h; domingo, das 12h às 16h.

 

El Paso Latino

(404 Sul, Bl. C, lj 19; 3323-4618), aberto de terça, das 12h às 15h e das 18h às 23h30; quarta e quinta, das 12h às 15h e das 18h à 0h; sexta e sábado, das 12h às 16h e das 18h à 0h30; domingo, das 12h às 16h e das 18h às 23h30.

 

Dalí Cozinha Peruana

(SHS, Q. 6, LT 1, Cj. A, Hotel Brasil 21 Convention Suítes; telefone 3039-8156), aberto de segunda a sábado, das 12h às 15h e das 19h às 23h.

 

Toro

(104 Sul, Bl. C, lj 29; telefone 3225-0494), aberto de segunda a quinta, das 12h às 15h, e das 19h às 23h; sexta e sábado, das 11h30 às 16h, e das 18h30 à 0h; e domingo, das 12h às 18h.

 

Pobre Juan

(Shopping Iguatemi, piso térreo, lj 20, entrada pela parte externa; 3577-5800), aberto de segunda a quinta, das 12h às 15h, e das 19h às 23h; sexta, das 12h às 16h, e das 19h à 0h; domingo, das 12h à 0h; domingo, das 12h às 22h.

 

Dulce Patagonia

(309 Norte, Bl. C, lj. 42; 3967-3008), aberto de segunda a sexta, das 9h30 às 19h; e sábado, das 9h30 às 18h. Quiosques no Aeroporto Internacional de Brasília e nos shoppings Iguatemi Brasília e Pátio Brasil (conforme horário de funcionamento dos locais). Tortas e cafés apenas na loja da 309 Norte.

 

Cuzco Restaurante

(R. 36 Norte, lt. 8, Águas Claras; 3034-1252), aberto de terça a domingo, das 16h à 0h.

 

Cozumel Mex Bistrô

(214 Sul, Bl. B, lj. 2; 3797-1788), aberto de terça a sábado, das 12h às 15h e das 18h à 0h; e domingo, das 12h30 às 15h30. 

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