Brasília-DF,
22/OUT/2019

Restaurantes ganham fôlego em meio à revitalização da W3 Sul

Uma das mais antigas e importantes vias do DF, a W3 Sul já foi essencial na economia brasiliense

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Renata Rios Geovana Melo* Melissa Duarte* Publicação:27/09/2019 06:00Atualização:26/09/2019 19:46
Entre os cantinhos típicos da capital, a W3 Sul é uma via cheia de histórias. O local chegou a ser considerado um shopping a céu aberto — cheio de estabelecimentos comerciais bem-sucedidos e movimentados — até cair no abandono que levou muitas lojas a fecharem. Agora, a esperança por dias melhores faz com que novos empreendimentos abram as portas e os antigos ganhem fôlego.

O Restaurante Roma, comandado por Simon Pitel, foi inaugurado em 1960 e recebeu clientes importantes da história nacional, incluindo os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor, além do cantor Jorge Ben Jor. “Isso aqui foi muito movimentado. Mas, com as obras na região, acho que vai melhorar”, relata, otimista, o proprietário.

Outra casa consagrada na cidade é o Vitamina Central. O local segue o modelo carioca de lanchonete e aposta nos salgados e vitaminas. Segundo a gerente do estabelecimento, Marianna Silva, estar no centro da cidade é uma vantagem, mas a segurança e o número de vagas piorou de alguns anos para cá. Ela ainda destaca a fidelidade da clientela: “Tem gente que chega a vir duas vezes por aqui”, comemora.

Entre as perdas da via, o fechamento do Bar e Mercado Municipal deixou o local com um vazio — físico e emocional. A enorme infraestrutura montada para comportar o investimento ficou fechada até o fim de 2018, quando Maria Tereza Moulaz assumiu o espaço e montou o Mercado do Café. “O espaço grande abre múltiplas possibilidades. Minha ideia sempre foi trabalhar em várias frentes”, diz. Ela complementa otimista sobre as possibilidades de melhoria da via. “Caso os projetos sejam colocados em prática, acredito que a W3 Sul pode voltar a ser o que foi. As pessoas sentem saudade de como era”, pondera.

*Estagiárias sob supervisão de Igor Silveira

Confira alguns dos acontecimentos que marcaram a W3 Sul (CB/D.A Press)
Confira alguns dos acontecimentos que marcaram a W3 Sul

Bem vitaminado


Opções saudáveis e fit não faltam no Vitamina Central. A lancheria de balcão no centro da cidade atende os brasilienses desde 1976. “À época, a W3 bombava. Tudo era aqui”, conta a gerente Marianna Silva. Segundo ela, a clientela permanece fiel 43 anos depois e vai passando a cada geração; alguns frequentam o local até duas vezes por dia. “O pai indica para o filho, que, quando cresce, traz a namorada...”, continua.

Servidas em jarras de 500ml, as vitaminas da casa podem funcionar como pré ou pós-treino. Bem tradicional, a Saborosa (R$ 7) leva laranja, mamão, banana e abacaxi. “Ela acaba sendo mais versátil porque é feita com água”, ressalta. A Adrenalina (R$ 8) tem leite, banana, açaí e xarope de guaraná. “É uma combinação clássica e bem refrescante”, destaca a gerente. Para quem sofre de restrição alimentar, é só trocar o leite pela versão sem lactose (mais R$ 1,50) ou por água.

Ainda sobre a “paixão nacional” vinda direto do Norte do país — como diz Marianna —, o tradicional açaí na tigela (R$ 11, 300ml; R$ 15, 500ml) é batido com banana e xarope. Entre os salgados, nada de fritura: tudo é assado na hora. O pão de batata com queijo minas (R$ 4,50) é o queridinho da galera.

Saborosa como o nome, a bebida é uma das mais pedidas do Vitamina Central (Bruno Peres/CB/D.A Press)
Saborosa como o nome, a bebida é uma das mais pedidas do Vitamina Central

Para todas as horas


Aberto há três meses, o Corpo e Alma caiu no gosto de quem trabalha próximo à quadra 505 Sul. O local oferece receitas variadas, que servem desde almoço a lanches. A proprietária do local, Priscilla de Oliveira, conta que a inspiração na hora de abrir foi a loja da avó, no interior do Nordeste. “Por muito tempo, a loja da minha avó era o único lugar que vendia gasolina na cidade dela”, relembra.

No local, ela não colocou a gasolina à venda, mas, além dos preparos do menu, ela oferece receitas ultracongeladas — para quem quer levar para casa —, frutas e verduras, além de outros itens, como cerâmicas da Serra da Canastra. A partir das 16h30, os comensais podem experimentar o chá da tarde (R$ 46, o quilo; R$ 17,90, à vontade). Entre os preparos que enchem os olhos e a barriga, está a torta de ricota com calda de goiabada. “Essa não pode faltar, é um queridinho dos clientes. Fazemos algumas versões da cobertura, como frutas vermelhas e goiabada”, conta.

Se a ideia é almoçar, o local acerta ao oferecer um bufê (R$ 39,90, o quilo) com variedade e um tempero caseiro. “O almoço está sendo um sucesso. A gente vê que faltam opções por aqui. Vendo cerca de 200 pratos por dia”, informa, orgulhosa. Ela destaca que, aos sábados, a casa trabalha com frango assado e churrasqueira de bafo com cortes variados.

As comidas oferecidas no chá da tarde são produzidas no local (Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
As comidas oferecidas no chá da tarde são produzidas no local

Árabe carinhoso


Quando Marie Claude decidiu abrir um novo ponto do Manara Restaurante Libanês, a escolha da W3 não foi bem aceita. “Recebi muitas recomendações para não abrir na W3, me falaram que o ponto era ruim”, relembra, e logo complementa orgulhosa: “Mas deu tudo certo. A loja está faturando bem e ficou muito bonita”. Ela ainda comemora o início das obras na quadra, que estão melhorando a infraestrutura do comércio.

No bufê (R$ 60,90, de terça a sexta; R$ 64,90, sábado e domingo), Marie apostou com tudo na gastronomia libanesa, um oásis nesse calor e seca da cidade. “A comida libanesa é muito refrescante”, conta. Entre os preparos que ela destaca, está o carneiro, que é assado inteiro e fatiado na hora. “Fazemos três por dia. Eles, em média, pesam 14kg”, descreve. Para acompanhar, Marie sugere o arroz com lentilhas ou os charutos.

Marie ainda destaca outras receitas do estabelecimento, como as pastas de grão-de-bico, coalhada seca e, claro, um dos carros chefes do local, o quibe cru. “Faço ele bem fresco usando temperos que eu importo do Líbano.” Ela ainda conta que, na cidade natal dela, Zgharta, no Líbano, conhecida como cidade do quibe, a receita ganha uma atenção especial. “Não faço as coisas aqui na casa pelo dinheiro, mas sim pelo meu carinho com os clientes e o deles por mim”, finaliza.

As pastas combinadas com pão sírio são um acerto nos dias secos e quentes da capital (Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
As pastas combinadas com pão sírio são um acerto nos dias secos e quentes da capital

Brasiliense há 15 anos


Às margens da W3 Sul, se instalou o Sabor Brasília. Há 15 anos funcionando, o self-service conta com uma grande variedade de guarnições e acompanhamentos no bufê (R$ 39,90). “A W3 foi, para os brasilienses, uma importante área comercial e se encontra em decadência. Precisamos resgatá-la”, conta a proprietária Cleide de Oliveira.

O grande fluxo de pessoas que trabalham e usam os serviços de banco, cartórios, escritórios existentes na W3 enchem a casa. O restaurante é especializado em pratos caseiros, além de ter o ambiente aconchegante. “Refeições de qualidade e com sabor caseiro foram o que me motivou a montar o Sabor Brasília”, lembra Cleide.

Com um cardápio rico em opções, a casa se destaca com a variedade de saladas e com as sobremesas, além de servir guarnições tradicionais, como churrasco e macarrão.

O Sabor Brasília está instalado na W3 há 15 anos (Sabor Brasília/Divulgação)
O Sabor Brasília está instalado na W3 há 15 anos

Tempero caseiro 


Há seis meses, o restaurante Sabor Mil ganhou nova gerência. “O antigo dono estava com o movimento fraco e resolveu passar o ponto. Aí, resolvemos investir, na tentativa de reerguer o estabelecimento”, conta a subgerente Jeciele Alves.

O restaurante foca no preparo caseiro. “Não é um restaurante sofisticado, o restaurante é bem caseiro, sempre tem arroz, feijão e macarrão”, conta a subgerente. O bufê é cheio de opções para todos os gostos, conta com diversas guarnições e saladas.

Às terças e sextas-feiras, o Sabor Mil acrescenta o churrasco ao cardápio. Funcionando atualmente em três modalidades: self-service (R$ 22,90, o quilo), à vontade (R$ 14,90) e prato feito (R$ 11,90).

O Sabor Mil conta com variedades de guarnições (Sabor Mil/Divulgação)
O Sabor Mil conta com variedades de guarnições

Amigo, brother, camarada


Intimidade e aconchego familiar são a cara do Bar do Amigão, onde “todo mundo se conhece pelo nome”. Tradicional na cidade, o que conquista a clientela é a “comida simples, com gosto de casa”. Quem conta é o administrador do estabelecimento, Rubens Arake. “Quem ia lá com 5 anos, hoje, leva o filho dessa idade”, destaca, orgulhoso das gerações de clientes, formadas desde a década de 1980.

Segundo Arake, o cardápio do boteco à moda antiga tem “receitas tradicionais, do jeito que a vovó fazia”. Segunda é dia de tutu à mineira. Na terça, dobradinha. Para quarta, a pedida é costela de boi. Quinta é a vez da rabada. Na sexta, costela de porco e, como não poderia faltar, a famosa feijoada, com direito a repeteco no sábado. Mas o administrador garante que não conhece os segredos da cozinha. “Tem funcionário que está aqui há mais tempo do que eu”, diverte-se.

Não dá para falar em Bar do Amigão sem falar de cerveja gelada, trincando: as campeãs entre os clientes — que vão ao local para uma conversa, reunião ou, simplesmente, almoçar — são a Heineken (R$ 12,90, 600ml) e a Original (R$ 11,90, 600ml). “Nosso diferencial é o atendimento, sem formalidade. A ideia é deixar o cliente se sentir à vontade”, finaliza Arake.

A comida caseira do Bar do Amigão conquista gerações de clientes na cidade (Carlos Vieira/CB/D.A Press)
A comida caseira do Bar do Amigão conquista gerações de clientes na cidade

Parte da história da via


Entre os restaurantes que fazem parte da história da capital, o Roma não pode ser esquecido. Aberto em 15 de abril de 1960, a casa é um marco no comércio da W3. O local foi comprado pelo atual proprietário, Simon Pitel, em 1964. “Eu herdei a casa com o cardápio. Fui aprendendo, não tinha ideia no início, mas me dediquei e aprendi na prática”, relembra o proprietário, que ainda tem o registro de quando a casa foi aberta.

Sobre a W3, Simon se lembra, saudoso, dos tempos de glória da avenida e fala com pesar da queda que o espaço teve ao longo dos anos. “As lojas têm um bom espaço físico e, agora, com a reforma da 511 e da 512, acredito que as coisas vão melhorar”, afirma. Para ele, o respeito ao cliente é fundamental para um bom negócio. “É uma questão de honestidade. Quando eu recebo o cliente, tenho que pensar numa forma de atraí-lo novamente”, pontua.

A parmegiana do local é uma das estrelas do cardápio. Simon apresenta a receita de frango ou de carne e elas podem ser pedidas em forma de rodízio (R$ 61,90, almoço; R$ 49,90, jantar). “O cliente pode comer à vontade, a parmegiana sai quentinha”, descreve. Entre os acompanhamentos, fritas, purê, arroz e talharim podem acompanhar o preparo.

A parmegiana do Roma é um clássico da cidade e agora é trabalhada na forma de rodízio (Antonio Cunha/CB/D.A Press)
A parmegiana do Roma é um clássico da cidade e agora é trabalhada na forma de rodízio

Tradição da W3


Há 17 anos na W3 Sul, o Bar Brasília se estabeleceu no local. “A via era o que tinha de mais universal na cidade. Desde a abertura do Bar Brasília, a localidade passava por uma onda de revitalização”, conta Lucas Pelucio, filho do proprietário.

O carro-chefe da casa é o arroz de polvo (R$112, para 2 pessoas), feito com arroz ao molho de tomate lentamente preparado, servido com polvo, lula e camarões. Os comensais podem se deliciar também com arroz de bacalhau (R$ 89,40, para 2 pessoas).

Além disso, o bar é conhecido pelos chopes (R$ 8,90) servidos diariamente. Durante o happy hour, de segunda a sábado, a partir das 16h, a casa oferece uma promoção e a bebida sai a R$ 4,90. “Inicialmente, a ideia era vender chope, essa coisa de bar mesmo”, lembra Lucas.

Segundo Lucas, desde a abertura do estabelecimento, a W3 Sul passou por alguns processos de revitalização e são sempre benéficos.

O arroz de polvo é destaque no Bar Brasília (Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
O arroz de polvo é destaque no Bar Brasília

Ode ao grão


Entre os amantes da boa mesa na capital, o encerramento das atividades do Bar e Mercado Municipal foi recebido com muita tristeza. Após anos fechado, o espaço volta a ser ocupado — e por uma das coisas que o Brasil tem de melhor: o café. Maria Tereza Moulaz é a proprietária do Mercado do Café, local que não apenas vende a bebida, mas trabalha com cursos, torra de café e até uma loja com utensílios para a bebida. “Uma das coisas que me atraíram foi o espaço. É amplo e imponente, além de estar em uma região de fácil acesso. Dá para chegar de ônibus ou carro, além do metrô próximo”, explica.

Entre os destaques do espaço, estão os cafés, feitos de diversas técnicas. Entre elas, uma das mais populares é a Hario V60. “Ela produz uma bebida equilibrada. As pessoas pedem muito o café coado e essa é uma técnica que atende bem essa demanda”, pondera. Outra forma de servir a bebida é o Chemex. Nesta alternativa, o filtro mais grosso possibilita uma bebida de corpo leve e aromática. “O filtro retém os resíduos e óleos da bebida”, informa.

Para comer, a dica é a Torta de café trufada (R$ 16, a fatia), torta de chocolate com café e licor de laranja. Outra pedida é a Torta de nozes com doce de leite (R$ 16, a fatia). “É uma combinação meio afetiva. Eles também casam bem com bebidas com leite, como o capuccino.

No fim de 2018, o espaço onde funcionava o antigo Mercado Municipal deu lugar ao Mercado do Café (Ana Rayssa/CB/D.A Press)
No fim de 2018, o espaço onde funcionava o antigo Mercado Municipal deu lugar ao Mercado do Café

Onde comer


Bar do amigão 
(506 Sul, Bl. B, lj. 46; 3244-1109), aberto de segunda a sexta, das 11h às 22h15; e sábado, das 11h às 17h.

Bar Brasília 
(506 Sul, Bl. C, lj. 15; 3443-4323), aberto de segunda a sábado, das 11h40 às 00h; e domingo, das 11h40 às 16h30.

Corpo e alma 
(505 Sul, Bl. A, lj. 18 e 19; 3264-4442), aberto de segunda a sexta, das 8h às 20h; sábado, das 8h às 16h.

Manara Restaurante Libanês 
(512 Sul, Bl. C, lj. 29; 98317-2325), aberto de terça a domingo, das 11h30 às 14h50.

Mercado do Café 
(509 Sul, Bl. C, lj 13; 3242-4873), aberto de segunda a sexta, das 9h às 20h; sábado, das 9h às 18h.

Restaurante Roma 
(511 Sul, Bl. B, lj. 61; 3346-4030), aberto de segunda a sábado, as 11h30 às 15h30; e das 17h à 0h; domingo, das 11h30 às 15h30.

Vitamina Central 
(506 Sul, Bl. A, lj. 63; 3244-2866), aberto de segunda a sexta, das 7h30 às 20h; e sábado, das 7h30 às 12h30.

Sabor Brasília 
(504 Sul Bl C, lj. 18; 3225-7602), aberto de segunda a sábado, das 11h30 às 15h.

Sabor Mil 
(504 Sul, Bl C, lj 21), aberto de segunda a sexta, das 8h às 18h.

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