Brasília-DF,
18/NOV/2017

Crônica da semana: Trump no boteco

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Paulo Pestana Publicação:27/01/2017 06:00
Se você está lendo este texto é porque o mundo não acabou. Ainda. Com o galego da cara vermelha e língua solta que assumiu as rédeas do grande irmão do norte, não se sabe ainda quanto tempo teremos antes de ele inventar de brincar com aquela maletinha explosiva e apertar os botões errados.

Trump é a suprema desmoralização da democracia. É a prova cabal de que a maioria só não é mais burra que a unanimidade. Outro mito que cai é a superioridade intelectual dos mais ricos; nunca na história daquele país a estupidez esteve tão evidente. E ele soube usá-la a seu favor.
 
É preciso reconhecer a esperteza: foi o primeiro político a aprender e a usar a informação desses tempos confusos de mídias sociais superdimensionadas e imprensa desmoralizada, quando um boato vale tanto quanto uma informação confirmada. Todo dia ele inventava uma historinha e a imprensa se desviava da história mais relevante para cobrir a eleição nos moldes modernos: a partir da firula, da desimportância, do nada.
 
O repórter Jayson Blair, então no jornal The New York Times, ganhou notoriedade por forjar reportagens até 2003, quando foi demitido. Na época foi um escândalo. Ele criou entrevistas, inventou fatos, copiou material alheio e mentiu a valer, tudo o que o conceito da pós-verdade preconiza para hoje. Seria ótimo assessor de imprensa para Trump.
 
Mas a verdadeira façanha do presidente fanfarrão é ter-se tornado tema de conversa de botequim no Brasil. O boteco é ambiente xenófobo, não se vai muito além das fronteiras nacionais —  mesmo atentados terroristas e desastres de grande magnitude ocupam pouco do precioso espaço da conversa fiada. Mas desde a campanha, cada ato rocambolesco do galego é acompanhado com atenção nos balcões. E vira comentário.
 
Só Bill Clinton causou tanto interesse assim. E não foi pelo estupendo crescimento da economia durante sua presidência, mas por Monica Lewinski e a grande discussão ainda não concluída: sexo oral é sexo ou não? Se não é, porque chama-se sexo, embora oral? Se é, porque não foi punido? E, aliás, porque seria?
 
Mas Trump é um tema ainda mais rico. Marcão puxou o coro: “O cara sonegou imposto, se orgulha de ter demitido trabalhador, tem conexões na Rússia, se meteu numa orgia com prostitutas, diz o que diz das mulheres, é grosso, mal educado, fungou no debate igual a um porco asmático, é mimado e irresponsável. São qualidades de político brasileiro.”.
 
A eleição de Trump, no ponto de vista do Jorgim, só pode ser explicada pela era do espetáculo. “O que uma presidência da Hillary teria a oferecer ao show? Nada. Seria chata, previsível. Trump não; é o rei da confusão. Se precisar xinga a mãe, planta bananeira, veste roupa do avesso; vale tudo para manter a audiência”.
 
Mas e os estrangeiros a serem deportados? A tese do Faixa é a melhor: “O Trump está dizendo que vai mandar os estrangeiros embora porque é casado com uma. Acho que ele quer mesmo é se livrar dela sem ter de pagar pensão alimentícia”.
 
“O boteco é ambiente xenófobo, não se vai muito além das fronteiras nacionais —  mesmo atentados terroristas e desastres de grande magnitude ocupam pouco do precioso espaço da conversa fiada”

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