Brasília-DF,
22/NOV/2019

Crônica da semana: As piores lembranças

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Paulo Pestana Publicação:16/11/2018 06:00Atualização:15/11/2018 15:51
O verão vem chegando, precedido por esses dilúvios que estamos vendo. De qualquer forma é a estação do sol, dos dias de folga... e da cerveja. Cada um tem sua preferência, embora a cada dia surja um chato para dizer o que a gente deve beber, porque os tais especialistas não nos apoquentam mais apenas com o vinho.

Mesa de bar é para discutir coisa séria; os grandes temas do mundo passam por ali —  se esses tais líderes do planeta mandassem gravar, boa parte dos problemas estaria solucionada pelas profundas reflexões que saem dali. E foi assim que passamos a discutir o relevante caso das cervejas. De cabeça para baixo. Qual a pior cerveja do Brasil?

A discussão foi acalorada, mas ao fim saiu uma campeã absoluta: a Belco, que, além de ter nome de solução para bateria —  se brincar não faltam nem os eletrólitos para completar o nível (se bem que as novas baterias são lacradas). Além disso é uma cerveja que espuma tanto na boca que dá a impressão de ter sido mordido por um cachorro raivoso. E é doce; impossível chegar ao fim da lata.

Só não é hours concours porque houve quem se lembrasse da Malt 90, marcante; tanto que décadas depois de abandonada pela própria fábrica, ainda desperta as piores lembranças. Sim, porque além do azedume do sabor, deixava uma ressaca monstruosa no incauto. Mas hoje temos a Malta, substituta à altura, que resolve qualquer problema de prisão de ventre.

No entanto, a consagração da Belco só aconteceu porque ninguém mais na mesa conhecia a cerveja Saris, que, além do nome de nave espacial de filme B, é vendida em garrafa de plástico de dois litros, tentando imitar o rótulo da Skol. O sabor é uma mistura de guaraná Jesus sem gás, com catuaba selvagem e suco de jiló. É produzida em Jataizinho, Paraná, estado que tem outra representante entre as piores: Colônia. Argh!

Houve empate entre a Conti e a Cintra; ambas apresentam um cheirinho estranho e um aspecto de cerveja choca, sem bolhas, espuma rala. Há meios melhores de espantar o calor; um leque, por exemplo. Não há nenhuma vergonha em trocá-la por uma garrafinha de água mineral sem gás. Nesta categoria também pode ser colocada a capixaba Experta.

Alguém disse que havia tomado uma cerveja chamada A Outra, feita em Socorro, São Paulo, o que pode explicar alguma coisa. Os demais comensais não puderam opinar, mas o depoimento de quem sobreviveu a ela é tocante: “É pior que amante argentina”.
 
Mais conhecida, a Lokal é outra unanimidade: não leve para a festa da firma. O sabor é horroroso e só é eliminado depois de comer uma barra inteira de goiabada. Falando nisso, houve menção à Mãe Preta, com gosto de caramelo vencido e espuma grossa, que certamente seria recusada pelo orixá no despacho de sexta-feira. A propaganda diz que é uma stout. A lista parece que não tem fim. E cada um voltou para sua favorita; e foi mais um dia sem discutir política.

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