Brasília-DF,
18/NOV/2017

Com cinco indicações ao Oscar, Foxcatcher tem interpretações de tirar o fôlego

O longa de Paul Thomas Anderson conta a história do lutador Mark Schultz

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Ricardo Daehn Publicação:23/01/2015 08:59
Em meio a cena de lutas, o filme faz críticas ao ufanismo exacerbado da sociedade americana (Sony Pictures/Divulgação)
Em meio a cena de lutas, o filme faz críticas ao ufanismo exacerbado da sociedade americana

Quem se lembra das extravagantes relações de dependência entre os personagens de Sangue negro e O mestre poderia suspeitar de que o diretor de Foxcatcher fosse o mesmo de ambos, Paul Thomas Anderson. Entretanto, não é o caso: com componentes visuais menos elaborados, o cineasta Bennett Miller é meticuloso nos diálogos e passa o filme inteiro em preâmbulos. Acolhimento e admiração formam a base do roteiro, brotado de fato real e assinado por E. Max Frye e Dan Futterman — mesmos profissionais de Totalmente selvagem (1986) e Capote (2007), respectivamente.

Quem move a trama é o medalhista de luta livre Mark Schultz (um convincente Channing Tatum), que quer reforçar, na vida, o verdadeiro valor dos primeiros lugares conquistados em Olimpíadas. Há um vazio no dia a dia de Mark, que não corresponde a ouro. Uma exaltação estadunidense que aponta críticas à sociedade e vem ao encontro de um dos personagens mais bisonhos que o cinema já projetou: John du Pont (Steve Carell — nada menos do que sensacional e indicado ao Oscar de melhor ator).

Lunático, du Pont abraça metas confusas, amando pássaros, sendo patriota e exercendo uma dominação irreal sobre as coisas (apoiada em tradição familiar e monetária). Daí vem a vontade dele de subvencionar um esporte. Sem medir esforços, leva os atletas aspirantes a viverem nas imediações de sua mansão.



John du Pont , às vésperas dos Jogos de Seul (em 1988), segue preso em rituais e é sintomático o fato de o magnata querer se provar, aos olhos da controladora mãe, um “líder de homens”. Filantropo, como quer ser reconhecido, o personagem não tem traquejo social, nem mesmo ao lidar com um parceiro essencial — o irmão e mentor de Mark, além de treinador de mão cheia, interpretado por Mark Ruffalo (também indicado pela academia).

Subvertendo a realidade de isolamento e de insignificância social, du Pont é a espinha dorsal de Foxcatcher, filme que exige certo esforço de leitura, nas entrelinhas, e é capaz de incomodar pelo glacial tratamento impresso pela direção de Bennett Miller.

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