Brasília-DF,
16/DEZ/2017

Para celebrar festividades, peru é consumido no Dia de Ação de Gaças e Natal

A pedido do Correio, chef do restaurante Babel, trouxe o Dia de Ação de Graças para a realidade brasileira com uma releitura do principal prato servido na festa

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Flávia Franco Publicação:28/11/2013 08:09Atualização:28/11/2013 07:32

Nos Estados Unidos, a data é comemorada na quarta quinta-feira de novembro. Normalmente, é realizado um jantar - que tem o peru como prato principal - para reunir a família (Nicholas KAMM/AFP Photo)
Nos Estados Unidos, a data é comemorada na quarta quinta-feira de novembro. Normalmente, é realizado um jantar - que tem o peru como prato principal - para reunir a família

Família reunida, celebrações e um farto banquete. A cena descrita lembra muito o Natal dos brasileiros, mas também descreve o clima entre as famílias americanas durante o Dia de Ação de Graças (thanksgiving, em inglês), comemorado nesta quinta-feira (28/11). O grande destaque gastronômico da data é o peru, assim como na festa de fim de ano no Brasil. Segundo especialistas, a ave demanda alguns cuidados na cozinha. Seguindo-os à risca, vale saboreá-la para agradecer aos céus pela colheita e pelas conquistas do ano, para celebrar o nascimento de Cristo e também para incorporar um novo ingrediente ao dia a dia.

Marilene Teodoro, professora de Gastronomia do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), ressalta que hoje é possível encontrar o peru em redes de supermercado mesmo fora do roteiro de festas. “As peças, como o coração, a coxa e o pescoço, são, inclusive, vendidas separadas”, diz. Para guardar a carne ainda congelada, é necessário respeitar a data de validade do fabricante, mas a especialista explica que o peru pode ser congelado depois de preparado também. “Nesse caso, dá para deixar no congelador por até três meses”, ensina.

A professora diz que o peru pode ser feito de diversas maneiras, como assado e frito, mas não combina muito com pratos que levam caldos. “O ideal é que a carne fique mais sequinha para ressaltar o sabor”, explica. Até receitas mais elaboradas podem ser feitas com a ave, como o rocambole. “É só desossar, como se fosse um frango e rechear”, garante. De acordo com a professora, depois de dessossado, abre-se o peru no sentido do comprimento, usa-se muçarela e farofa para o recheio e enrola-se a carne. “A pele é que segura no formato do rocambole”, afirma.


Na escola

A ave foi parar na mesa da Escola Americana de Brasília (EAB) no último sábado. A Organização de Pais e Professores da instituição decidiu comemorar antecipadamente o Dia de Ação de Graças com um almoço preparado pela equipe do Restaurante Oscarito, responsável pela cantina da escola. “A ideia é compartilhar a tradição americana com os colegas brasileiros e de outras nacionalidades que frequentam a escola”, explica Nancy Russell, uma das organizadoras do evento.
 

O almoço contou com outros pratos típicos do feriado, como caçarola de vagem, purê de batata, sopa de abóbora e stuffing, um recheio feito com manteiga, cebola, aipo, pão de forma integral, caldo de galinha, sálvia fresca, salsinha picada, alho, pimenta branca, nozes, castanha-do-pará e damasco. Dois perus assados foram servidos. Um deles recheado com stuf-fing. Para a sobremesa, pais e professores prepararam tortas caseiras tradicionais, como a de maçã e a de noz pecã.

A torta de maçã é uma das sobremesas mais comuns nos Estados Unidos. É feita uma calda com açúcar refinado e mascavo, água e manteiga, que, depois de cozida, é despejada sobre a forma com a massa e as maçãs fatiadas. Normalmente, não se fecha a torta com uma camada de massa inteira. Usam-se tiras entrelaçadas feitas com a própria massa.

Toque brasileiro

No restaurante Babel, coxas e sobrecoxas de peru foram recheadas com farofa e ganharam um molho feito com morangos e açúcar (Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
No restaurante Babel, coxas e sobrecoxas de peru foram recheadas com farofa e ganharam um molho feito com morangos e açúcar

Apesar de ser mais conhecido como um feriado americano, o Dia de Ação de Graças também é celebrado em outros países (veja quadro). No Brasil, são tímidas as comemorações, apesar de a data fazer parte do calendário oficial. Ela foi instituída em 1949 pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, mas apenas 17 anos depois determinou-se que as celebrações aconteceriam também na quarta quinta-feira de novembro.

A pedido do Correio, Diego Koppe, chef do restaurante Babel, trouxe o Dia de Ação de Graças para a realidade brasileira. Ele fez uma releitura do principal prato servido na festa. “Procurei aplicar as técnicas francesa e espanhola e a paixão italiana pela comida, mas de forma bem simples. Eu tento aproximar o meu cliente ao chef. Então, crio receitas que possam ser feitas em casa”, avisa.

Para a releitura do peru recheado, o chef usou apenas a coxa e a sobrecoxa da ave. “Todo mundo assa o peru inteiro e sempre acaba sobrando carne. A coxa e a sobrecoxa podem ser recheadas e reaproveitadas”, explica. O visual diferenciado ficou por conta do osso da coxa da ave puxado para fora. No recheio, Koppe decidiu aproveitar os miúdos do próprio peru em uma farofa. O molho de morango servido como acompanhamento foi a única parte do prato que manteve características da receita tradicional. “Aproveitei que estamos na época do morango e que o sabor casa bem com a receita”, conta. Uma salada de folhas verdes e lâminas de amêndoas também acompanharam o prato.

Apesar do visual requintado, a receita e o modo de preparo são bem simples. O molho é composto apenas de morangos e açúcar, cozidos por 10 minutos. O recheio é uma combinação dos miúdos da ave com uma farofa normal, feita com ovo e farinha. “É só deixar cozinhar um pouco e temperar com sal e pimenta”, diz o chef. Depois, é hora de preparar o peru. Separadas a coxa e a sobrecoxa, abra as carnes para colocar o recheio, desosse e tempere com sal e pimenta a gosto. “O mais difícil é puxar o osso para fora, mas tem vários vídeos na internet que ajudam a fazer isso”, garante. Outra opção é fazer a coxa sem o detalhe, completamente desossada.

Com o recheio pronto, é só colocá-lo dentro da carne, costurá-la e enrolar em papel alumínio para assar. “É necessário costurar porque, se só apertar com papel alumínio, a carne não segura. Depois de assar, é só tirar a linha”, explica Koppe. Em relação aos temperos, o chef prefere usar apenas sal e pimenta, de maneira a simplificar e ressaltar o sabor da carne. “As pessoas têm o hábito de tirar o gosto da comida usando temperos demais”, afirma. “Com o molho não pode ser diferente, tem que complementar o sabor em vez de escondê-lo.”

Celebração histórica

A comemoração do Dia de Ação de Graças está relacionada à colonização da América do Norte. Originalmente celebrado na última quinta-feira de novembro, o feriado começou como uma forma de os primeiros colonos, vindos da Europa,  agradecer aos céus e aos nativos americanos por lhes ensinarem a cultivar o milho e a sobreviver na nova terra. A primeira celebração ocorreu no estado americano de Massachusetts, que havia enfrentado safras ruins e um inverno rigoroso em 1620. O ano seguinte foi marcado por uma boa colheita de milho no verão. Na festa de comemoração, além do tradicional peru, foram servidos alimentos como patos, peixes e milho. Hoje, o feriado não celebra apenas a colheita, mas todas as coisas boas que ocorreram ao longo do ano. A data reúne famílias e é marcada por desfiles, jogos de futebol americano e muita comilança.
 

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