Brasília-DF,
26/MAI/2017

Longa Relatos selvagens estreia em roteiro corajoso e sem limites

O diretor Damián Szifron une seis histórias autônomas em uma galeria de personagens em dia de fúria

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Ricardo Daehn Publicação:24/10/2014 06:01Atualização:23/10/2014 15:14

Candidato argentino a uma vaga no Oscar faz referências a Lars von Trier e aos Irmãos Coen
 (El Deseo/Divulgação)
Candidato argentino a uma vaga no Oscar faz referências a Lars von Trier e aos Irmãos Coen
Esqueça aqueles filmes que juntam, ao acaso da sorte ou do azar, uma galeria de personagens quase obrigados a se encontrar em roteiros pré-moldados. Sem essa armadilha, o diretor Damián Szifron se encarrega, sob as asas da produção de Pedro Almodóvar, de entregar o longa mais corajoso do ano até agora, sem limites tanto para personagens quanto para enquadramentos, mise-en-scène ou deboche.

O riso é nervoso e constrangido, até porque o público da contemporaneidade tem traços de sobra para se identificar. Insegurança, tipos acossados até mesmo dentro de casa, suborno, humilhações públicas, desrespeito coletivo (acobertado pelo dito sistema de governança) e terrorismo dentro de avião - de tudo isso, se extrai graça.

Concorrente em Cannes, premiado pelo público em San Sebastián e candidato com 21 indicações para a Academia de Cinema da Argentina (país que selecionou a fita como pré-candidata ao Oscar), Relatos selvagens flerta com a mordacidade dos irmãos Coen e com a faceta calculista de Lars von Trier.

Seis histórias autônomas unem uma galeria de personagens em dia de fúria. O descontrole baliza ações da garçonete (Julieta Zylberberg), que quer justiçar o pai suicida, até os desconhecidos Diego (Leonardo Sbaraglia) e Mário (Walter Donado), antagonistas no trânsito de uma estrada desértica.


Ao som de Lady, lady, lady, Szifrón mostra um carro usado como arma, da forma mais singular que o cinema já propôs. Entre escatologia e o borbulhar do absoluto estresse, o cineasta desautoriza festejos de casamento, em episódio estrelado por Érica Rivas e Diego Gentile (um Bradley Cooper hispânico), levando argumentos às últimas consequências.

Num comparativo, Melancolia fica até anêmico de originalidade. Além de investir tema social em putrefato contexto de corrupção (com bela atuação de Oscar Martínez), a trama abraça a sinuca de bico que cerca o engenheiro Bombita (Ricardo Darín), indignado e explosivo. Com tanta pólvora no ar, é melhor que tantos tipos exaltados não se encontrem em cena.

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