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26/SET/2021

Proprietários do Empório da Cachaça comemoram reconhecimento

Ariane Romão gerencia a loja e auxilia os clientes na hora de escolher uma entre as 500 cachaças diferentes do empório

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Rebeca Oliveira Publicação:08/11/2013 06:21

André e Ariane Romão, do Empório da Cachaça, brindam o sucesso crescente da branquinha (Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
André e Ariane Romão, do Empório da Cachaça, brindam o sucesso crescente da branquinha

Produto que faz sucesso entre os brasileiros desde a época da colonização, a cachaça — há algum tempo — saiu da informalidade. Terceiro destilado mais consumido (segundo a Wine and Spirits Trade Association), a bebida ganhou rótulos premium e versões sofisticadas. Ela pode custar até R$ 2 mil (um exemplo é a garrafa original da cachaça Havana, produzida pelo saudoso Anísio Santiago).

Desde o ano passado, a cachaça passou a ser uma exclusividade nacional, pois só a aguardente produzida a partir da cana brasileira pode ser chamada assim. Empresas de outros países são proibidas de utilizar o termo. Para André Romão, proprietário do Empório da Cachaça, esse reconhecimento incentiva a abertura de lojas especializadas e, com isso, eleva a qualidade da bebida.

O empresário não disfarça o entusiasmo quando o assunto é o destilado de cana. Após visitar 70 alambiques pelo país, André fundou, em 1996, o Empório da Cachaça, quase uma extensão de sua vida. “No começo, sofremos certa discriminação. As pessoas viam a cachaça com maus olhos”, revela. Hoje, na loja da Asa Norte, ele oferece 100 rótulos para degustação.

Ariane Romão gerencia a loja e auxilia os clientes na hora de escolher uma entre as 500 cachaças diferentes do empório (sete delas têm rótulos próprios). “Houve uma mudança de comportamento e personalidade do consumidor brasileiro. Há uma segurança em dizer: ‘Eu tomo cachaça’”, afirma Ariane. Para a gerente, os consumidores já não se apegam a valores. De preços acessíveis (Cana JK a R$ 14) ou mais elevados (Rainha do Norte de Minas a R$ 120), o que importa é a história por trás de cada rótulo.

O Brasil produz 1,4 bilhão de litros de cachaça anualmente e exporta apenas 1% desse volume. Segundo o especialista em cachaça Maurício Maia, isso evidencia um enorme mercado a ser explorado. “Só para ilustrar, o Reino Unido exporta cerca de 85% de toda a sua produção de uísque escocês e o México exporta cerca de 56% de toda sua tequila”, exemplifica. Justamente por isso, a fabricante de bebidas inglesa Diageo comprou a cearense Ypióca.

Nem tão branca assim

Apesar de branquinha ser um de seus apelidos mais famosos, a cachaça pode apresentar tons diversos, que vão do transparente ao marrom escuro. Por ser envelhecida em diversas madeiras da flora brasileira (já existem mais de 36 catalogadas), à cachaça são conferidos cor, aroma e sabor diferentes. “Quanto mais dura for a madeira, menor vai ser a troca entre ela e a cachaça. E, quanto mais porosa, maior e mais rápida a troca”, afirma Maurício Maia. As madeiras mais comuns são a umburana e o carvalho. “A primeira dá à cachaça um gosto leve e adocicado, e a segunda, um sabor maltado, que lembra o uísque”, afirma André Romão.

De acordo com o Instituto Brasileiro da Cachaça, os estados que mais se destacam na elaboração da cachaça são: Paraíba, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais e São Paulo.

Com ela, não tem tempo ruim

No Salomé Bar, há em torno de 100 cachaças e algumas recebem ingredientes que combinam com a “marvada”. Coco, uva, canela e mel são exemplos. Nesse caso, as bebidas custam entre R$ 29 e R$ 33. “Até dezembro, a casa vai receber sugestões de clientes para montar a sua carta”, afirma a proprietária Juliana Calderón. Hoje, o Salomé trabalha com 100 cachaças diferentes, mas com a ajuda dos apreciadores do destilado, pretende chegar a 350 rótulos.

Há quem diga que a versatilidade da bebida é seu maior trunfo: aquece no frio e refresca no calor. Maurício Maia adiciona: é possível bebê-la também com pedras de gelo. “Com cuidado para que ela não gele demais, nem fique aguada com o derretimento do gelo”, ensina.

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