Brasília-DF,
20/OUT/2017

Sexo na vitrine é o tema da Crônica do Divirta-se Mais desta semana; confira

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Paulo Pestana Publicação:24/07/2015 06:01
[FOTO1]No quintal há jandaias, araras, papagaios; um festival de cores de pássaros silvestres brasileiros. Mas o animal que chama atenção está no chão, inerte e feito de barro. De longe, parece uma anta, mas é só chegar perto para ver a cabeça fálica e as ancas com curvas humanas - e daquelas bem generosas.

Ao lado há um outro animal de barro com dois seios no lugar de corcovas. No mesmo e amplo jardim, há outras esculturas que contrastam com o ar bucólico da casa. São muitas plantas e até um pequeno lago onde vivem nove bem alimentadas carpas. Dentro da casa, localizada no Lago Norte, o contraste é ainda maior.

Antes é preciso passar pela mesa da varanda. É servida a cerveja, com duas opções de abridores: na forma do órgão sexual masculino, em posição de sentido e tamanhos variados; ou de vulva, com todos os lábios, vestíbulo e, parece, até as glândulas de Skene.

Cada um pega o que gosta mais; o Toinho, quando ninguém parecia estar vendo, abriu um pouquinho com cada uma (diz ele, depois do flagrante, que queria experimentar).

O anfitrião, embaixador europeu aposentado, nos convida a entrar. Vamos em frente; como no filme de Van Damme, retroceder, jamais. A decoração é simples e de bom gosto; pintura primitivista decora um cantinho para se ouvir música, os móveis não são convencionais, mas muito bonitos, e tapetes - bem, tapete é para pisar.

Mas são os adereços que atraem os olhares. Até os mais pudicos. A moça, que ruboresce a face por quase nada, fez biquinho de melindrosa e soltou um gritinho em frente à cristaleira de ferro retorcido.

Nas prateleiras inferiores, há isqueiros, canetas e outros objetos colecionáveis; subindo o olhar, ela viu dezenas de esculturas em miniatura representando o coito nas mais diversas posições. Um kama sutra tridimensional; um cirque du soleil libertino.

Tudo o que diz respeito à cópula e à fricção humana está ali representado. E a gente fica imaginando se um - ou dois, é sempre melhor - ser humano é capaz de fazer o que aqueles bonequinhos mostram com tantra, digo, tanta elasticidade; quase se mexem.

Nas paredes, prossegue o festival fálico com uma coleção de bengalas francesas de tripla utilidade - o cabo, claro, tem aquele formato; se retirado, vira um punhal. Mas me disse o anfitrião que também serve para apoiar um andar claudicante. Se estivéssemos nos anos 1970, poderia dizer que é uma casa duca.

A gente deixa a casa enfadado pela alta dosagem sexual do ambiente, que, aliás, não tem nada de pervertido; ao contrário até. Passados alguns minutos, me lembrei da proposta que me foi feita dias antes, para escrever um conto erótico. “Eu?” - perguntei, incrédulo. Não é para mim, pensei, porque de início a gente só enxerga a safadeza que aprende na rua, bem longe do tal ato sublime de pque o padre fala. E isso não é coisa que o filho de d. Nice escreva.

Mas eu ainda acho que todo homem guarda uma Adelaide Carraro, uma Cassandra Rios, Tatiana Amaral ou Anaïs Nin dentro da braguilha.

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